Educação

Questão de gênero em plano de educação vira alvo de protestos

Vereadores votam nesta terça se tema deve ser tratado nas salas de aula de escolas municipais

Por: Adriana Farias - Atualizado em

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Carlos Alberto Viana, de 47 anos, membro do grupo Artigos LGBT, acredita na discussão de gênero como forma de diminuir a discriminação no ambiente escolar (Foto: Adriana Farias )

Nesta terça (26), manifestantes se reuniram em frente à Câmara Municipal durante votação da inclusão de questões de identidade de gênero, diversidade e orientação sexual no Plano Municipal de Educação. O PME estabelecerá as diretrizes e metas para área educacional nos próximos dez anos.

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Tabata Tesser, de 20 anos, estudante de ciências sociais: "homossexual não é uma questão de escolha ela é natural" (Foto: Adriana Farias)

Um grupo formado por representantes da associação LGBT é a favor desse tipo de discussão nas salas de aula como uma forma de diminuir as discriminações nas escolas. Eles vieram em um caminhão adornado com balões roxos e laranjas e entre palavras contra o preconceito emendavam hits de Rita Lee, Anitta e Valeska Popozuda.

“A defesa do gênero não é levar a criança a ser homossexual ou não. É levar para a escola o combate à homofobia, ao bullying e a todas as discriminações”, diz Carlos Alberto Viana, de 47 anos, membro do grupo Artigos LGBT. “É no ambiente escolar que os jovens vão entender a pluralidade de gêneros. Ser transexual ou homossexual não é uma questão de escolha, ela é natural, nasce com a pessoa e a sala de aula precisa difundir essas informações”, completa Tabata Tesser, de 20 anos, estudante de ciências sociais.

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Grupo contrário a discussão de gênero reza o pai nosso a ave maria (Foto: Adriana Farias)

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Do outro lado, um grupo formado por evangélicos e católicos são contra essa inclusão de “ideologia de gênero” nas escolas, "que deturparia os conceitos de homem e mulher, em prejuízo à família tradicional". Constituídos pela Missão Belém e outras identidades religiosas, os manifestantes vieram vestidos com camisetas escritas “somos família”. Em meio ao ato, soltaram balões de cores azul e branca simbolizando o formato de um crucifixo enquanto rezavam o Pai Nosso e a Ave Maria.

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A estudante Isabela Firmo, de 20 anos, acredita que discutir gênero irá influenciar meninos e meninas a adotarem gêneros opostos (Foto: Adriana Farias)

“Não sou contra homossexuais ou transexuais, mas estou aqui em defesa da família, eu vim de uma família instruída e essa ideologia de gênero vai prejudicar os jovens", diz a estudante Aline Camargo, de 18 anos.

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A estudante Aline Camargo, de 18 anos, é contra discutir gênero nas salas de aula (Foto: Adriana Farias)

O PME também aborda temas como número de alunos por sala de aula, questões orçamentárias e remuneração de professores, mas as discussões em torno do gênero predominaram na questão.

Fonte: VEJA SÃO PAULO