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A balada de Facundo Guerra no topo do Maksoud Plaza

O tradicional hotel do Jardim Paulista vai ganhar uma casa noturna, um novo café e um cinema para tentar retomar os bons tempos

Por: Juliene Moretti

maksoud e facundo guerra
Henry Neto e Facundo Guerra: boate no topo do prédio com vista de 360 graus (Foto: Fernando Moraes)

Uma das especialidades do empresário Facundo Guerra é revitalizar endereços em decadência por meio de novos investimentos. Foi assim com o Baixo Augusta, região degradada que se tornou point de jovens descolados e turistas estrangeiros na década passada após a abertura do Club Vegas, em 2005. Também está no seu currículo o sucesso do Riviera Bar, célebre reduto de intelectuais nos anos 70, revitalizado em 2013 em parceria com o chef Alex Atala. Desta vez, sua mira apontou para um ícone bem maior: o hotel Maksoud Plaza, na Alameda Campinas, nos Jardins. É lá que abre para o público, no próximo sábado (24), seu mais novo negócio, o PanAm, espaço de eventos com temática inspirada na antiga companhia aérea americana, que funcionará no topo do prédio, embaixo do heliponto.

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Com paredes de vidro, o lugar terá capacidade de receber até 250 pessoas, que vão apreciar uma vista panorâmica com quase 360 graus de amplitude. A iluminação foi projetada para permitir o registro de belas imagens da capital sem a interferência do reflexo dos vidros.“Será um dos locais mais fotografados de São Paulo”, garante Guerra. Entre os eventos previstos estão festas animadas por DJs internacionais e lançamentos de livros. Por ter aproveitado boa parte da estrutura já existente, o investimento total foi considerado baixo para um negócio desse porte, girando em torno de 500 000 reais. “O hotel também providenciou os serviços de serralheria, marcenaria e eletricidade, então meu custo acabou se concentrando mais no material usado na decoração”, completao empresário.

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Além do clube, Guerra intermediou aparceria entre o Maksoud e o grupo francês de cinema MK2, que tentava se instalar no país havia cinco anos. A sala deve abrir em setembro, em uma área no subsolo onde hoje funciona um auditório para palestras. Sua proposta será exibir filmes clássicos, como os de Charles Chaplin, acompanhados de uma banda ao vivo e serviço de bistrô. “Sempre procuro endereços diferentes para monta ra estrutura e acredito que o local pode se transformar em um novo polo cultural da cidade”, diz um dos sóciosda rede, Nathanael Karmitz. O projeto inclui a substituição, em junho, do atual café Amaryllis, que funciona em frente ao lobby. “O foco será o público feminino, com um cardápio de pratos orgânicose drinques, e uma floricultura anexa”, explica Guerra.

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Brasserie Bela Vista: cozinha 24 horas por dia (Foto: Eduardo Albarello)

Abrigar um empreendimento com aassinatura de Facundo Guerra pode representaruma virada na trajetória recente do Maksoud Plaza. Fundado em 1979 por Henry Maksoud e seu filho Roberto, o hotel era um dos símbolos da elite paulistana da década de 80 e chegou a ser considerado o mais chique do país. Foi ponto de encontro de políticos e artistas que viravam as madrugadas no clube de jazz 150 Night, cenário de shows de cantores como Frank Sinatra e Bobby Short. Restaurantes como o Brasserie Bela Vista e o La Cuisine du Soleil, até hoje no local, estavam entre os de mais alto padrão em São Paulo. No fim da década de 90, no entanto, a marca começou a perder relevância diantede outros concorrentes que chegaram à cidade. Hoje a principal fatia de seu movimento está concentrada nos dias da semana, sobretudo graças a congressos e eventos ligados à área de saúde que ocorrem nos 38 salões do subsolo. “O hotel continuafuncionando, e bem, só mudou o perfil de público”, diz o diretor de operações, Henry Maksoud Neto. “Preciso mostrar que ele está vivo e é acessível ao público que não está hospedado.”

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Sinatra no 150 Night Club, em 1981: fase áurea (Foto: Sérgio Berezovsky)

Esse não é seu único desafio: a família trava uma batalha judicial desde a morte de seu avô, em abril passado. Filhos do fundador, Roberto e Cláudio tentam anular o testamento que os exclui da linha sucessória e transfere o hotel ao neto. “A veracidade do documento é contestada”, diz Carlos Eduardo de Athayde Buono, advogado dos irmãos. Pai do atual administrador, Roberto quer voltar ao comando e não vê a nova parceria com bons olhos. “Sempre cuidamos de tudo internamente. Passar a responsabilidade a terceiros não é a melhor ideia”, afirma.

O que vem aí

Algumas das atrações previstas para o endereço

Com capacidade para 250 pessoas, o clube noturno PanAm será inaugurado com uma festa fechada na próxima quinta (22). Em seguida, ficará disponível ao público em geral com eventos uma vez por semana

Em junho, um novo café passará a funcionar em frente ao lobby do hotel, substituindo um antigo estabelecimento do gênero no mesmo ponto. O local terá um cardápio de comidas orgânicas, drinques e cafés, e uma floricultura, mirando o público feminino. A empresa francesa de cinema independente MK2 vai se instalar no auditório do subsolo, com entrada exclusiva pela Alameda Campinas. O espaço para 300 pessoas terá exibições de filmes clássicos, acompanhadas de uma banda ao vivo, e um bistrô. A inauguração está prevista para setembro

Fonte: VEJA SÃO PAULO