Festa

Hotéis de luxo paulistanos abrem suítes para cerimônias de casamento

Em quartos presidenciais, noivos podem receber até 100 convidados

Por: Ana Carolina Soares

Casamento Tivoli Mofarrej
Andrea e Alessandro Toledo no dia da troca de alianças e um detalhe do quarto: 24 horas de comemoração (Foto: Amauri Domingos)

Os advogados Andrea e Alessandro Toledo moravam juntos havia dois anos quando decidiram oficializar a união, em agosto de 2015. A ideia era fazer uma festa para familiares e amigos — cerca de 100 pessoas, ao todo. Durante um tempo, eles tiveram dificuldade para encontrar o espaço ideal. Alugar um salão seria muito convencional. Descartaram também o apartamento do casal, de 220 metros quadrados, no Itaim, por ser pequeno demais. Diante desse impasse, a suíte presidencial, no 22º andar do luxuoso Tivoli Mofarrej, nos Jardins, caiu como uma luva. “Meu marido já conhecia o local e conversou com a gerência do hotel, que topou organizar a cerimônia”, comenta Andrea.

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O evento durou quase 24 horas, utilizando vários espaços do lugar. Os preparativos incluíram os tratamentos e as mordomias oferecidos, no meio da tarde, no spa, à noiva e às madrinhas. A troca das alianças ocorreu no começo da noite, já no quarto, que tem 750 metros quadrados. Em seguida, todos caíram na balada por ali, com direito a pista de dança e DJ.

A farra só terminou por volta das 7h30 da manhã do outro dia, quando os últimos convidados, enfim, deixaram a banheira de hidromassagem com vista para a Avenida Paulista. A festança custou cerca de 250 000 reais. Desse total, 90 000 reais ficaram no caixa do hotel. “Mas valeu a pena”, conta Andrea. “Até hoje, ninguém se esquece daquele fim de semana.”

grand hyatt casamentos
Ambiente do Grand Hyatt (Foto: Tadeu Brunelli)

A ocasião animou a direção do Tivoli a transformar o negócio em uma nova fonte de renda. Com isso, a realização de casamentos na suíte principal passou a fazer parte do cardápio oficial de serviços oferecidos por lá. Desde então, outros dois eventos do tipo ocorreram ali. “Temos mais três agendados nos próximos meses”, diz Miguel Garcia, gerente-geral do estabelecimento. O pacote básico custa a partir de 33 000 reais (o dobro do valor da locação da Casa Manioca, um dos bufês mais procurados na capital).

O preço cobrado pelo Tivoli contempla apenas a diária para um miniwedding, como um almoço em família ou um bolo com champanhe. Se quiserem uma festa madrugada adentro, os interessados vão precisar reservar também as doze suítes do andar de baixo (diárias a partir de 700 reais). “É para não prejudicar os demais hóspedes com o barulho”, explica Garcia. O bufê sai à parte (cerca de 250 reais por pessoa, com espumante nacional) e deve ser, obrigatoriamente, fornecido pela equipe do hotel.

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Fora do Brasil, a ideia não é nova. Nos Estados Unidos, especialmente em Las Vegas, o conceito existe desde o fim do século passado. “É prático e, ao mesmo tempo, glamouroso”, afirma Constance Zahn, blogueira especializada no mercado de casamentos. Em São Paulo, o sistema demorou a chegar, mas deve crescer em ritmo rápido. Outros estabelecimentos entraram no circuito e, no começo do ano, lançaram pacotes para quem deseja realizar as bodas na suíte presidencial.

O Grand Hyatt, na região da Berrini, cobra entre 8 100 e 15 000 reais pelo aluguel. Nesse valor, está incluída uma equipe de quinze pessoas (entre elas, a cerimonialista) para ajudar na organização. O hotel fica encarregado do bufê, que sai a partir de 225 reais por pessoa (sem bebidas alcoólicas). Mas bolo e docinhos podem vir de outros fornecedores. A sala acomoda até quarenta visitantes dançando ao som de um DJ.

SUITE PRESIDENCIAL Tivoli Mofarrej
Quarto usado no casamento de Alessandro e Andrea (Foto: Divulgação)

O Transamérica, perto de Santo Amaro, tem a diária mais em conta: 6 500 reais. Em compensação, o local só realiza miniweddings para até vinte pessoas, com limitação do período de uso, entre 8 e 23 horas. E nada de som. O circuito deve engrossar até o fim de 2016. O Renaissance, nos Jardins, reforma sua suíte mais nobre e planeja entrar na concorrência até dezembro.

Fonte: VEJA SÃO PAULO