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Saiba como é a hospedagem no topo do Copacabana Palace

A cobertura do hotel reúne história, estadia classe A e uma vista estonteante da baía até mesmo da banheira

Por: Alice Granato - Atualizado em

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No topo do Rio: sete suítes com privacidade total (Foto: Selmy Yassuda)

No térreo, entre o palácio branco e o mar, a piscina azul-céu do Copacabana Palace tornou-se uma imagem clássica do Rio de Janeiro, imortalizada pelo fotógrafo José Medeiros no fim dos anos 1950. Sua câmera era habituée dos bailes de Carnaval e íntima do playboy Jorge Guinle, morador e sobrinho do fundador do hotel, e de sua primeira mulher, a americana Dolores Sherwood. Poucos, contudo, sabem que o hotel tem outra piscina, bem mais reservada. Trata-se da black pool -- seu fundo é preto --, exclusiva para os hóspedes do 6º andar, usualmente presidentes, reis e celebridades de altíssimo calibre. Com sete suítes de 100 metros quadrados cada uma (as chamadas penthouses), o andar oferece privacidade total, já que um mesmo grupo pode reservá-lo por inteiro.

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Foi ali que os Rolling Stones ficaram hospedados quando fizeram o show histórico da turnê A Bigger Bang, em fevereiro de 2006, que reuniuum público recorde de mais de 1 milhão de pessoas na Praia de Copacabana. Mick Jagger, Keith Richards, Ronnie Wood e Charlie Watts ocuparam o lugar todo para que pudessem circular à vontade na semana em que estiveram na cidade. “Procuramos dar um ar de casa ao espaço, oferecendo privacidade e aconchego, com livros, obras de arte e objetos que tenham a ver com o universo do hóspede”, diz Andréa Natal, diretora-geral do Copa.“Nosso maior desafio é estudar o perfil de cada um e tentar atender às suas particularidades.”

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Suítes: diárias a partir de 6 400 reais (Foto: Selmy Yassuda)

Ao chegarem ao quarto, com pé-direito alto, de até 3,23 metros, os hóspedes são recebidos, a priori, com chapéus-panamá, frutas, champanhe e brigadeiro só a não ser que o briefing sugira o contrário. O chapéu é um clássico, remete ao Rio, à bossa nova e ao maestro Tom Jobim, ilustre cliente do Copa.

Sandálias Havaianas personalizadas com o logo do hotel e amenities da marca Bulgari (com o nécessaire para levar para casa) estão entre os mimos dados aos clientes. Para as reservas feitas com antecedência, a equipe do estabelecimento manda bordar nas toalhas de linho e nos roupões as iniciais dos hóspedes. Na saída, as toalhas são embaladas para presente, como suvenir (o preço das diárias no 6º andar começa em 6 400 reais, sem contar as taxas, e varia de acordo com a temporada).

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Inaugurado em 13 de agosto de 1923, o Copa foi construído por sugestão do então presidente da República, Epitácio Pessoa. O arquiteto responsável, o francês Joseph Gire, inspirou-se em endereços da Riviera Francesa, como o Carlton, em Cannes, e o Negresco, em Nice, para fazer a obra. Como foi o primeiro hotel de luxo do Rio, ele tem a tradição de receber hóspedes célebres. Passaram por ali Santos Dumont, Nelson Mandela, a princesa Diana, Orson Welles. O Golden Room, o salão nobre, foi a primeira casa de espetáculos da América Latina com apresentações de Nat King Cole, Ella Fitzgerald, Marlene Dietrich, Ray Charles, Edith Piaf, Sammy Davis Jr., entre muitos outros.

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Amenities da Bulgari: disponíveis nas suítes (Foto: Selmy Yassuda)

Em 1989, o negócio foi adquirido da família Guinle pelo grupo Belmond e tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional. Desde a compra, a empresa investiu cerca de 150 milhões de dólares em reformas para manter o estabelecimento no topo. Em uma das obras mais recentes, realizada em 2012, a administração mexeu no prédio principal e no lobby, com a assinatura do designer francês Michael Jouannet.

Com paredes de mármore travertino e escadaria de mármore de Carrara, originais da época de sua abertura, esse ambiente ganhou amplitude. O hotel completa 92 anos em 2015 com um novo chef à frente do Cipriani, Luca Orini, o restaurante asiático Mee, que conquistou recentemente uma estrela no Guia Michelin Brasil,e novidades para seus hóspedes, como um passeio para ver o amanhecer no Cristo Redentor, antes de o ponto turístico ser aberto ao público.

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O 6º andar só ganhou a cara atual em 1996. Até então, o pavimento era composto de duas suítes presidenciais. Em uma delas morou dona Mariazinha, mulher do fundador do hotel, Octávio Guinle, até sua morte, em abril de 1993. Cada um dos aposentos tinha quatro quartos, três salas e uma varanda enorme. Privacidade e essa lista de detalhes que trazem ao canto da boca um sorrizinho são regra na hotelaria estrelada e por si sós não justificam a magia do topo do edifício.

Uma combinação única de fatores explica a posição privilegiada.“Trata-se do único hotel-palácio do Brasil, um prédio que faz parte dos anos áureos do Rio e da história do país. Para completar, até de dentro da banheira se tem uma vista estonteante”, diz o empresário Jayme Drummond, autor do blog Carioca no Mundo. Ele faz doze viagens internacionais por ano e só se hospeda em endereços de primeira. Nada, no entanto, supera o entardecer apreciado de uma varanda das penthouses. É o prêmio principal para quem chega ao topo do Rio de Janeiro, via cobertura do Copa.

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Princesa Diana: carta de agradecimento (Foto: Selmy Yassuda)

IMPRESSÕES CÉLEBRES

Mantido num cofre, o Livro de Ouro guarda o autógrafo de hóspedes ilustres

Com nove décadas de história manuscrita, o livro de assinaturas do Copa tem couro marrom, cerca de 10 centímetros de espessura e traz mensagens dos hóspedes. Gene Kelly, ator, bailarino e diretor americano, protagonista do musical Cantando na Chuva, relatou ter tido momentos muito felizes com seus filhos no local em novembro de 1974. No mesmo ano, o diretor de cinema francês Roman Polanski, de O Pianista, agradeceu a estada maravilhosa e prometeu voltar em breve.

A princesa Diana deixou sua assinatura e uma história curiosa: resolveu nadar às 2 da manhã na piscina do térreo do hotel e foi flagrada por paparazzi trajando um discreto maiô azul. O maestro Tom Jobim fez uma declaração de amor ao lugar, que acabou sendo retribuída. Os chapéus-panamá (dados de presente aos hóspedes do 6º andar) remetem ao seu estilo bossa-novista. A obra com esses e outros tesouros fIca guardada em um cofre no estabelecimento, mas o público pode conferir imagens das personalidades que passaram por ali numa galeria de fotos do 2º andar.

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Gene Kelly: carta de agradecimento (Foto: Selmy Yassuda)

Fonte: VEJA SÃO PAULO