Relojoaria

Horas rosas

Sofisticado e discreto, o ouro rosa é a cor da hora nos pulsos finos e nos firmes

Por: Rosane Queiroz - Atualizado em

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Sucesso nos anos 40, o ouro rosa é o tom do momento na alta relojoaria. O revival do rosé tem a ver também com a volta dos relógios de desenho mais clássico e fino, do conceito “menos é mais” que tem guiado as manufaturas ao menos nos últimos três anos. A aparência de ouro antigo seduz aqueles que desejam um relógio em metal precioso, mas sem ostentação. “Atualmente, o ouro rosa é mais discreto, tem uma liga diferente da do passado, com menos cobre”, afirma Elisabeth Reis, diretora da butique Cartier em São Paulo.

A “liga” que dá o tom ao metal é uma mistura de ouro amarelo com outros componentes como níquel, prata e cobre. “No caso do ouro rosa ou vermelho, há uma presença maior de cobre na liga, para fornecer a coloração avermelhada ao ouro”, diz o consultor César Rovel, do site Relógios & Relógios. Um exemplo de liga de ouro rosa típico, segundo Rovel, utiliza 75% de ouro, 13% de prata e 12% de cobre. Quanto maior a quantidade de cobre, o rosa vai do clarinho ao rouge. “A tecnologia tem ajudado a produzir tons mais uniformes e variações de cores sutis.”

Engana-se quem pensa que os relógios rosé encantam apenas as mulheres. Nos masculinos, o rosa é mais comum na caixa, criando o contraste elegante com as pulseiras escuras. Modelos clássicos, como o lendário IWC Portuguese, criado em 1839, tem caixa em ouro rosa 18 quilates de 45 milímetros de diâmetro e pulseira em couro de crocodilo marrom. A coleção Vintage, que ressuscita seis ícone da IWC, entre eles o o Aquatimer (de 1967) e o Portofino (1984) foi lançada em 2008 e no final de 2009 ganhou uma versão em ouro rosa. Usando a modelagem vintage, os novos materiais da caixa e dos mostradores deram nova estampa aos relógios, apesar de o design ser idêntico ao dos originais.

Fundada em 1830 pelos irmãos relojoeiros Pierre e Louis-Victor Baume, Baume & Mercier também apostou no ouro rosa para celebrar seus 180 anos. Os designers da marca redesenharam modelos célebres como o esportivo Capeland, com cronógrafo e estética cinquentinha. O Capeland suporta até 50 metros de profundidade e tem mecanismo de corda automática. Uma das versões vem em caixa ouro rosa de 18 quilates, com nuances de cor de cobre antigo, montado com pulseiras de couro de jacaré castanho escuro ou preto. Para os mais extravagantes, há modelos de marcas como a Hublot, totalmente em rosa, como o Hublot Big Bang, com aro e pulseira de ouro 18 quilates, com 212 diamantes de 1,08 quilates cravados da caixa ao fecho.

Símbolo de elegância discreta, a manufatura Cartier, por sua vez, apresenta o clássico modelo Calibre 1904 MC, o primeiro movimento mecânico de corda automática 100% da marca. A caixa em ouro rosa tem o verso transparente em cristal de safira, deixando a preciosa engrenagem à mostra. “O ouro rosa é tão versátil que pode compor qualquer modelo, dos clássicos aos esportivos, tanto masculinos como femininos”, ressalta a diretora da butique Cartier em São Paulo.

É na coleção feminina, contudo, que o rosa surge em sua totalidade, em uma releitura ainda mais atraente. O Délices de Cartier, em ouro rosa 18 quilates da caixa ao fecho, é mesmo de dar água na boca. Acaixa glacê alongada, oval e levemente retorcida é enlaçada por um fio de diamantes e tem o mostrador permeado de brilhantes.

A Patek Philippe traz dois lançamentos femininos absolutamente rosé: o relógio Nautilus, com caixa de 32 milímetros, mostrador branco, movimento quartzo e resistência a água de até 60 metros, e o Tewenty -4, com 34 diamantes cravados na caixa e mostrador chocolate, cor que destaca ainda mais o tom rosado da pulseira.

Precioso e discreto, o ouro rosé combina com o dia e a noite, e é garantia de sucesso em looks sofisticados e modernos. Mas cada modelo segue seu estilo: para os esportivos, detalhes em lona ou aço; para os formais, pulseiras de couro. “Com trajes habillé, relógios somente em ouro ou com brilhantes”, sublinha Elisabeth Reis.

Já o preço desses objetos de desejo não é tão cor-de-rosa. “Embora a presença do cobre torne a liga do ouro rosa mais ‘barata’ ao ser fabricada, em geral os relógios de ouro amarelo e rosa têm o mesmo valor”, avalia o consultor César Rovel.

 

Rosa à vontade

Para quem criar seu próprio relógio, o site da Jaeger-LeCoutre permite escolher a coleção, o modelos, o material da caixa, a pulseira e outros detalhes. Você pode customizar, por exemplo, o Reverso, um dos mais populares e conhecidos modelos da marca. Originalmente desenhado para jogadores de pólo, possui caixa rotativa que permite esconder o cristal do relógio (com o mostrador virado para o pulso), evitando que ele se quebre. A recente versão Reverso Squadra Palermo com caixa e fecho em ouro rosa e pulseira preta é uma das combinações imbatíveis.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO