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Três tradicionais marcas de relojoaria abrem lojas próprias e trazem pela primeira vez suas linhas completas ao país

Por: Patricia Moterani - Atualizado em

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Panerai, no Shopping JK Iguatemi: primeira loja no país (Foto: Divulgação)

O mercado brasileiro de relógios, que movimentou cerca de 180 milhões de reais em 2011, tem tudo para manter os ponteiros em alta neste ano. Enquanto na China as vendas sofreram baixa inédita em três anos — em setembro, a exportação de relógios suíços, segundo dados da federação da indústria local, caiu para 1,9 bilhão de dólares, 2,7% a menos em relação ao mesmo período do ano passado —, aqui elas ganham potencial de crescimento com a abertura das lojas de três grifes centenárias. Pela primeira vez, o país contará com endereços do gênero. Até agora, as peças eram revendidas somente em joalherias. No fim do mês, a TAG Heuer passa a funcionar no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, e se junta às lojas da Officine Panerai e da IWC, recém-inauguradas no Shopping JK Iguatemi, também na capital paulista. No ano que vem, outra que deve chegar por aqui é a mais antiga relojoaria em funcionamento ininterrupto, a Vacheron Costantin, com sede em Genebra desde 1755.

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47 diamantes do Link Lady: novidade feminina da TAG Heuer (Foto: Divulgação)
“Os brasileiros estão entre os top 10 de compradores”, diz Jean-Christophe Babin, CEO da TAG Heuer, marca suíça de 1860 que arregimenta fãs como os rivais Barack Obama e Mitt Romney. Com 40 metros quadrados, o espaço oferecerá as linhas completas, inclusive jaquetas de couro, abotoaduras e acessórios para celular. Essa é a principal vantagem de um endereço próprio: as opções de compra aumentam e acompanham os lançamentos das relojoarias no exterior. Entre as novidades da TAG Heuer, estão o Link Lady Diamond Star, da linha Link, um modelo feminino com 47 diamantes na caixa, e o masculino Carrera Monaco Grand Prix, com pulseira de design inspirado nos pneus dos carros de Fórmula 1. A marca tem uma  ligação forte com o esporte, já que nasceu a partir de cronógrafos criados pelo fundador, Edouard Heuer, para corridas de automóvel.

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Loja da IWC: também no Shopping JK Iguatemi (Foto: Divulgação)
Além de trazer os relógios mais recentes, apostar no mercado local com modelos exclusivos é outra maneira de dar as boas-vindas. Fundada em 1868 na cidade de Schaffhausen, na Suíça, a IWC, cujos primeiros relógios foram feitos para pilotos de aviação, chegou ao Brasil em junho e agora lança um modelo especial, com o nome do país gravado no verso. São apenas 25 peças, exclusivas para a loja do JK Iguatemi. O relógio vem com caixa de ouro rosa, calendário perpétuo (a marcação do tempo independe de ele estar em uso) e reserva de marcha de 168 horas — tempo que leva até a próxima puxada de corda. Cada um vai custar 124 900 reais.

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IWC: modelo exclusivo para o Brasil (Foto: Divulgação)
De Florença, na Itália, a Officine Panerai lançará seu modelo exclusivo em breve. Por enquanto, a aposta é o Tuttonero Luminor, inteiro feito de cerâmica, nas 41 lojas da grife no mundo, inclusive aqui, em dezembro. Ele traz as principais características da marca: caixa grande, de 44 milímetros, ponteiros fluorescentes e protetor de coroa, para não permitir que possíveis atritos prejudiquem o trabalho dos indicadores de horas e minutos. A Panerai foi fundada também em 1860, depois de um pedido da Marinha italiana por relógios que funcionassem em grandes profundidades. Surgia aí o Luminor, com ponteiros luminosos. Por mais de um século, a produção foi restrita aos oficiais. Em 1993, abriu-se ao público, sem perder o caráter de exclusividade: são feitas menos de 100 000 peças ao ano, um décimo do que a TAG Heuer chega a fabricar no mesmo período. “Nossos modelos de caixa grande, inéditos na época, causaram alvoroço, mas hoje fazem sucesso até entre as mulheres”, afirma Julio Sato, diretor para a América Latina e o Caribe. Parte do grupo suíço Richemont, a Officine Panerai não revela números de faturamento, mas Sato diz que as vendas no Brasil estão 30% além do esperado. “Estava mais no que na hora de ancorar aqui.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO