Negócio

Hooters volta com nova unidade na Vila Olímpia

Meses após fechar sua única loja na cidade, rede de lanchonetes reabre em novo endereço e planeja expansão

Por: Daniel Salles - Atualizado em

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A fórmula para as garçonetes: sorriso no rosto e traje exíguo (Foto: Fernando Moraes)

Famosa pelas garçonetes com decote provocante e shortinho laranja, a cadeia de lanchonetes Hooters, criada nos Estados Unidos em 1983, abriu sua primeira unidade no Brasil há oito anos, em Santo Amaro. Comandado pelo empresário Antonio Carlos Guimarães, o braço local da rede ganhou uma filial em Brasília em 2007. Em seguida, caiu no esquecimento. O motivo: um ano após assumir o negócio, Guimarães sofreu um grave acidente de carro, ficou hospitalizado por nove meses e praticamente cego. O destino das duas casas passou para as mãos dos funcionários, que não souberam frear a gradual diminuição da clientela. Nesse meio-tempo, a participação de Applebee’s e Outback, as principais concorrentes da Hooters nos EUA, foi ampliada no Brasil — a primeira soma hoje dez unidades no país; a segunda, 26. Impossibilitado de fazer o mesmo com a marca que representa, Guimarães se aliou no começo deste ano ao empresário Marcel Gholmieh, seu amigo de longa data. À frente da empreitada desde então, Gholmieh decidiu, de imediato, fechar a lanchonete em Santo Amaro. “Queremos passar uma borracha no passado e inaugurar vinte unidades no país até 2014”, afirma.   

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Hooters: Na nova unidade, as chopeiras têm formato sugestivo (Foto: Fernando Moraes)

O primeiro passo dessa estratégia poderá ser conferido a partir do dia 26, data prevista para a inauguração da nova Hooters na capital. Construída em um terreno de 400 metros quadrados na Vila Olímpia, em frente ao shopping do bairro, a casa custou 2 milhões de reais. É um prato cheio para quem gosta de esportes. Vinte TVs de 42 polegadas estão sendo instaladas para transmitir partidas de futebol, inclusive a versão americana. “A programação também atenderá fãs de golfe”, promete Gholmieh. Uma mesa de shuffleboard, jogo semelhante à bocha e ao curling, no qual os jogadores devem deslizar pequenos discos até o lado do adversário, atrai os olhares de quem sobe ao mezanino. Para reverter a ideia de que se trata de um ambiente exclusivamente masculino — em geral, 68% dos clientes da Hooters são homens —, os proprietários criaram uma área envidraçada dedicada às crianças, equipada com DVD e videogame. Os destaques do cardápio são os mesmos das demais lanchonetes da rede, como as asas de frango com molho apimentado (25 reais a porção de dez unidades) e o hooters burger, um hambúrguer de 220 gramas que leva alface, tomate, picles, cebola roxa e pode ser acrescido de cogumelos, pimentão, bacon ou queijo cheddar (29 reais).  

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Mesa de shuffleboard, jogo em que é preciso deslizar discos: 68% dos frequentadores da rede são homens (Foto: Fernando Moraes)

As garçonetes, claro, são outro atrativo da casa. Aliás, garotas Hooters (a alcunha garçonete é execrada pelos proprietários). “Mais do que anotar pedidos, elas devem cativar os clientes”, explica a gerente, Tatiana Zaninello. O salário é de 1 000 reais, mas essa quantia pode até ser multiplicada por quatro, pois cada uma recebe 5% do valor da conta. Cerca de 1 000 garotas se candidataram às 36 vagas. Os atributos necessários? “Um corpo malhado, beleza e desenvoltura para escapar das cantadas”, enumera Tatiana. Quase todas as contratadas estão na faixa dos 20 anos e afirmam já ter trabalhado como modelo, em eventos. Sem sorte na carreira, Talita Lima, 23, está animada com o novo trabalho. “Ao que tudo indica, o salário vai compensar a troca de profissão”, diz ela. Formada em enfermagem, mas servindo mesas desde 2006, a paulistana Ligia Arraes, 24, adota o mesmo discurso: “É meu melhor emprego até agora”. Para driblar o assédio masculino, já tem resposta na ponta da língua. “Quem me chamar de gostosa vai ouvir que nosso cardápio é ainda melhor.”

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO