Medicina

Milagres: as histórias de pacientes que ficaram a um passo da morte

Desenganados, eles acabaram se recuperando a ponto de surpreender os especialistas e virar tema em congressos científicos

Por: Fernanda Bassette

Sobreviventes - Bruno
O garoto Bruno, que só viveria trinta dias de acordo com os médicos (Foto: Leo Drumond)

Atropelada em rua da Bela Vista em 2013, a paulistana Sarah Rampazzo ficou em estado tão grave que a notícia de sua “morte” correu e os amigos discutiram a compra de coroa de flores. Tratada no Hospital Beneficência Portuguesa, ela acabou contrariando todos os prognósticos. Hoje, aos 28 anos, encontra‑se totalmente recuperada do acidente, sem nenhuma sequela física.

+ As adequações da capital para as Olimpíadas

Episódios do tipo intrigam os especialistas e, não raro, viram objeto de estudo na comunidade científica. “É algo fundamental para aprimorar as terapias, mudando protocolos estabelecidos”, diz o professor Milton de Arruda Martins, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Mas que fatores podem influenciar esses finais felizes improváveis? “A experiência dos médicos conta muito, pois as urgências demandam decisões precisas, tomadas em momentos de muita tensão”, afirma Silvia Lage, diretora da Unidade de Terapia Intensiva Clínica do Instituto do Coração (Incor).

O cardiologista Sergio Timerman, diretor do Centro de Treinamento do Incor, cita outros elementos importantes. “O apoio familiar e a fé atuam na parte psicológica e são pontos em comum de boa parte dos casos que conheci em 33 anos de carreira.” Antônio Carlos Lopes, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), observa que o princípio de preservação da espécie é tão inato que aparece mesmo nos momentos de inconsciência dos pacientes. “Enquanto houver vida, sempre existe esperança”, acredita. Na reportagem a seguir, conheça alguns desses “milagres” — é assim que os protagonistas se referem ao desfecho surpreendente de seus dramas.

foto capa 2489
Bruno Fernandes, que passou três anos em tratamento para curar a leucemia (Foto: Leo Drumond)

APENAS UM MÊS DE VIDA

Em julho de 2015, a psicóloga Aline Fernandes, de 37 anos, ouviu de uma médica que seu filho Bruno só viveria “no máximo mais trinta dias”. O garoto batalhava havia três anos contra a leucemia. Moradores de Belo Horizonte, em Minas Gerais, os pais procuraram ajuda médica quando o menino começou a apresentar cansaço extremo e dores nas pernas. Ele foi submetido a 28 sessões de quimioterapia depois da descoberta do câncer. Mesmo assim, a doença não regredia. Chegou a debilitar 69% das células da medula óssea.

Ao saber da sentença de morte dada ao filho, a mãe questionou a especialista sobre alternativas fora do país. “Ouvi que eu poderia procurar um curandeiro”, lembra. Inconformados, ela e o marido resolveram continuar lutando. Recorreram na época ao hematologista Vanderson Rocha, responsável pelo setor de Transplante de Medula Óssea do Hospital Sírio-Libanês, na Bela Vista. Transferiram Bruno para São Paulo e iniciou-se outro protocolo de tratamento.

+ O anticoncepcional oferece riscos de saúde para quais mulheres?

A doença retrocedeu para 13%, depois 5%, até se estabilizar nesse patamar. O médico decidiu usar um anticorpo monoclonal, droga alemã ainda não disponível no mercado, em fase de aprovação. O laboratório Amgen a forneceu graças a uma autorização especial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pacientes sem outra saída. O porcentual da doença despencou o suficiente para tentarem o transplante de medula.

Porém, um novo susto: o único doador 100% compatível registrado desapareceu. A alternativa foi um procedimento com células de um cordão umbilical de Málaga, na Espanha, com 80% de paridade. O transplante ocorreu em dezembro do ano passado. O organismo de Bruno começou a reagir e, em janeiro, ficou constatado não haver vestígios do câncer. Desde então, as emoções diárias do menino, hoje com 5 anos, têm sido mais agradáveis — ele aproveita o tempo jogando futebol no videogame e andando de skate com os amigos. “A vida ficou bem melhor”, comemora. O relato sobre o caso acabou incluído no processo de autorização de medicamento pela Anvisa, reforçando a esperança de novas vitórias assim.

Sobreviventes - Milena Barbosa de Souza
Milena Barbosa de Souza: gravidez de risco (Foto: Antonio Milena)

GRAVIDEZ ARRISCADA

Um tratamento dentário realizado aos 11 anos deixou Milena Barbosa de Souza duas vezes entre a vida e a morte. Na época em que o canal no dente foi feito, bactérias da boca migraram pela corrente sanguínea até atingir o coração, o que causou uma infecção do órgão e, depois, uma parada cardíaca. Em setenta dias de internação, ela passou por duas cirurgias. Recuperada aos poucos, viu-se de novo em situação gravíssima ao engravidar, aos 16, em 2015. Ao procurar um médico a fim de realizar o pré-natal, ouviu que era necessário abortar devido à sobrecarga ao coração, que teria de bombear mais sangue para suprir a placenta, mas, devido ao histórico de saúde, não aguentaria.

Milena assumiu o risco. Moradora do Guarujá, precisava subir a serra mensalmente para o acompanhamento no Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas. Com 28 semanas de gestação, acabou internada para monitoramento intensivo. O cuidado revelou-se fundamental. Depois de duas semanas, a pressão, a frequência cardíaca e a oxigenação caíram muito e a paciente entrou em choque. Era preciso operar, algo evitado ao extremo em mulheres prestes a dar à luz — de 4 800 grávidas cardiopatas que já passaram pelo Instituto do Coração, apenas 44 foram submetidas a uma cirurgia antes do parto e, destas, três morreram. “São números que mostram a excepcionalidade da intervenção”, explica a cardiologista Silvia Lage, diretora da Unidade de Terapia Intensiva Clínica do hospital.

+ Doar sangue faz bem à saúde?

As duas válvulas do coração estavam comprometidas e a adolescente, muito debilitada. Por isso, os especialistas optaram por intervir apenas na válvula mitral, em pior estado. Durante quatro horas, o órgão foi operado de peito aberto, com uma máquina assumindo a função cardiopulmonar. A chance de o bebê sobreviver era quase nula. Luis Felipe, porém, deu um chute nas estatísticas. Em 14 de julho, nasceu saudável, com 2,8 quilos e 46 centímetros. "Quando o peguei no colo, eu tremia”, lembra a mãe, que está hoje com 17 anos. Ela toma medicamentos para contornar o problema da válvula aórtica e, assim que estiver apta, passará por outra cirurgia.

sobreviventes - Carlos Alberto Gomes da Silva
Carlos Alberto Gomes da Silva: rompimento entre as paredes da aorta (Foto: Fabrizio Zini)

FÉ NO SANTO

Uma dor forte do lado direito do corpo chamou a atenção do auxiliar de serviços Carlos Alberto Gomes da Silva, de 49 anos, em agosto de 2014. Com histórico de pedra na vesícula, tomou analgésicos, mas o desconforto persistiu. No pronto socorro de Ourinhos, a 378 quilômetros da capital, exames não apontaram anomalias e ele recebeu alta. O incômodo, porém, não desapareceu.

De volta ao centro médico, acabou colocado em uma ambulância rumo ao Hospital das Clínicas de São Paulo em plena madrugada. Precisou viajar a maior parte do tempo com a cabeça para fora do veículo, devido à falta de ar. Na porta do HC, Carlos desmaiou. “Ali eu morri e nasci de novo.” Ele havia tido um rompimento tão grande entre as paredes da aorta, quase na totalidade da extensão da artéria, que não existia prótese para estabilizar o sangramento. A equipe de cirurgiões se recusou a operá-lo sob a justificativa de que o paciente, de tão frágil, morreria na mesa cirúrgica. Ele ficou medicado, sob observação. Seu caso parecia irreversível. As más notícias vinham em série. Depois de alguns dias, ele teve uma infecção pulmonar e choque séptico.

Entrou num quadro de insuficiência renal, cardíaca, pulmonar e neurológica. Precisou ser traqueostomizado, e alimentos eram injetados direto no estômago. Além disso, houve trombose na perna. Sua mãe, de 69 anos, recebeu o aviso de que o filho entraria em cuidados paliativos, quando a morte é apenas questão de tempo mas pretende-se evitar o sofrimento. “Mantivemos Carlos Alberto vivo com desesperança”, relata Cláudia Bernoche, médica intensivista da UTI Clínica do Incor.

+ "Uber dos médicos" chega a São Paulo

De forma inesperada para a equipe, a bexiga do paciente retomou seu funcionamento espontâneo semanas após a internação. “Foi esse o primeiro sinal que nos fez insistir em trazê-lo de volta”, diz a especialista. Aos poucos, o sangramento da artéria aorta estancou espontaneamente e provocou um hematoma no local, evitando novos vazamentos. A sedação diminuiu dia após dia.

Carlos Alberto acordou e, depois de dois meses de internação, recebeu alta. Atualmente, leva uma vida normal. Para ele, sua fé no Menino da Tábua, milagreiro famoso de sua região, não reconhecido como santo pela Igreja Católica, deu-lhe forças. Como agradecimento, Carlos reza diariamente diante do pequeno oratório com a imagem, que tem o tamanho da palma da sua mão. “Os médicos fizeram a parte deles, mas não tenho dúvida de que recebi uma graça.”

Sobreviventes - Érico Theodorovitz
Érico Theodorovitz: dois minutos despencando em queda livre (Foto: Antonio Milena)

DRAMA EM QUEDA LIVRE

No próximo dia 18, o empresário Érico Theodorovitz, de 47 anos, saltará de paraquedas em Boituva, a uma e meia hora da capital. Na época, terão se passado quatro anos desde que sofreu um grave acidente no mesmo local. Na ocasião, ele saltou de 3 650 metros de altura. O equipamento principal abriu, mas logo seus fios se emaranharam. A solução era desconectar o item e acionar o reserva. Apesar do currículo de 700 saltos, Érico teve um “branco”. “Meu braço não respondia ao comando.” Os dois aparelhos ficaram abertos sem qualquer efeito.

Foram dois minutos girando em parafuso até despencar no chão, em pé, a 80 quilômetros por hora. Médicos avaliam que o fato de ele ter se esforçado para rolar no asfalto após a queda, lição do serviço militar na Aeronáutica, fez a diferença entre a vida e a morte. Ainda assim, o resultado foi devastador: 72 fraturas, algumas expostas nos braços, no fêmur e nos pés. A órbita ocular se deslocou e ele perdeu praticamente todos os dentes, tamanho o impacto. Socorrido por um bombeiro de folga, que o avistou ao passar de moto pela rodovia próxima, Theodorovitz foi levado consciente a um pronto-socorro, onde entrou em coma, e depois transferido para o Hospital Israelita Albert Einstein.

+ Com investimento milionário, Beneficência Portuguesa inaugura nova torre

Somou doze dias em sono profundo, cinquenta imobilizado “só olhando para o teto”, dezesseis cirurgias (duas de reconstrução de rosto), 2 000 horas de fisioterapia e 150 de fonoaudiologia. “Voltei a ser uma criança de 2 anos, dependente dos familiares”, relembra. “Mas me deixei amar e cuidar.” A cadeira de rodas acabou aposentada três meses após a alta. Das muletas, ele se livrou em dezembro. “Com dezoito anos de experiência em UTIs, nunca vi alguém com trauma dessa magnitude voltar a ter uma vida absolutamente normal”, conta o cardiologista Claudio Cirenza, que participou de sua recuperação.

Para opróximo salto, o empresário convocou quinze amigos. “Quando chegar ao solo, vou sentar num canto sozinho, abrir uma garrafa de vinho e chorar”, vislumbra. “Meu coração vai dizer se continuo no esporte ou não.”

Sobreviventes - Sarah Rampazzo
Sarah Rampazzo: atropelada e desenganada (Foto: Antonio Milena)

COTAÇÃO DE COROA DE FLORES

Em 8 de abril de 2013, a biomédica Sarah Rampazzo, então com 25 anos, foi atropelada por um Chevrolet Agile ao atravessar a Rua 13 de Maio falando ao celular. Chegou ao hospital com um quadro gravíssimo de traumatismo craniano. “Havia grande risco de a paciente viver em coma vegetativo pelo resto da vida”, afirma o médico intensivista Salomón Soriano Rojas, coordenador da UTI Neurológica do Hospital Beneficência Portuguesa.

Em 16 de abril, foi feita uma cirurgia para tentar salvá-la. Apesar de o procedimento ter sido considerado bem-sucedido pela equipe, o clima de tensão e desesperança permaneceu. Passados dois dias sem reação alguma, a equipe médica repassou aos pais a informação de que o tronco cerebral havia parado. A notícia do falecimento iminente começou a correr. “Me contaram depois que alguns amigos chegaram a se organizar para comprar uma coroa de flores”, afirma Sarah.

No dia seguinte, porém, houve um primeiro reflexo de pupila. Novas intervenções foram feitas e, em menos de uma semana, ela acordou. Hoje, Sarah leva uma vida sem sequelas e acaba de se tornar mestra graças a uma dissertação sobre morte encefálica, motivada pela própria experiência. “É um dos casos mais graves que já tivemos no hospital, e isso nos ensina que a ciência sempre tem uma resposta”, afirma a médica Viviane de Veiga, que também participou do tratamento.

Sobreviventes - Carlos Alberto Nunes
Carlos Alberto Nunes sofreu um infarto no trânsito (Foto: Antonio Milena)

CONFUNDIDO COM UM BÊBADO AO VOLANTE

Por vinte minutos, o coração do engenheiro civil e corretor de imóveis Carlos Alberto Nunes, de 60 anos, parou e seu corpo ficou totalmente sem sinais vitais. Ele voltava da vistoria de uma obra, dirigindo pela Avenida Vital Brasil, na região do Butantã, quando sofreu um infarto, perdeu os sentidos, atravessou o sinal vermelho e bateu em uma mureta de contenção. Policiais desconfiaram que ele estivesse bêbado. O que se viu em seguida foi uma série de paradas e ressuscitações no caminho para o pronto-socorro no Instituto do Coração(Incor).

Em casos assim ocorridos fora do ambiente hospitalar, até 95% das pessoas morrem antes de chegar ao atendimento e, das que sobrevivem, 80% correm o risco de ficar com sequelas neurológicas permanentes em razão da falta de oxigenação do cérebro. Nunes se submeteu à hipotermia terapêutica, uma técnica ainda pouco difundida no país, que reduz a temperatura do organismo em até 2,5 graus, com a aplicação de soro gelado na veia. O paciente fica na UTI, envolvido em roupas térmicas.

+ Por que algumas dietas favorecem o ‘efeito sanfona’?

Nunes, porém, não reagiu, e sua família foi informada de que poderia voltar para casa, pois ele provavelmente não sobreviveria — se conseguisse, ficaria em estado vegetativo. “Praticamente disseram para minha esposa preparar o funeral”, diz. Ele acordou após onze dias em coma natural e, com 29 dias de internação, conseguiu citar os números do CPF e do RG. Sobre o acidente, Nunes não se recorda de nada. Lembra que nos dois meses anteriores estava com muita azia e havia procurado um gastroenterologista porque pensou se tratar de uma crise de refluxo e gastrite.

Evangélico, repete que tudo na vida acontece com um propósito e o dele era se tornar uma pessoa menos estressada e mais próxima da mulher, dos três filhos e da neta. “Passei a ter outros valores.”

Sobreviventes - Arlindo de Souza Trindade
O padre Arlindo de Souza Trindade: tema de Congresso (Foto: Antonio Milena)

TRANSPLANTADO DUAS VEZES

O padre Arlindo de Souza Trindade, de 63 anos, não ficou entre a vida e a morte devido a acidente nem a doença repentina, mas a um mal que o acompanhava por mais de duas décadas. Três meses atrás, havia pouca luz no fim do túnel para seu quadro de insuficiências renal e cardíaca. Pároco na igreja Santo Agnelo, na Zona Sul, passou a rezar missas quinzenais, em vez das quatro semanais que fazia regularmente. “A doença foi tirando a minha autonomia.”

Os rins chegaram a parar, o que obrigou o padre a fazer diálise diariamente, e o músculo cardíaco operava com 18% da capacidade. Ele teria então um semestre de vida, mas foi salvo por um último recurso: tornou-se o primeiro brasileiro já com histórico de transplante (de rim, no começo dos anos 90) a passar por outra cirurgia do tipo. No caso, uma operação dupla para receber outro rim e o coração.

Vinte médicos participaram do procedimento, concluído doze horas depois da coleta dos órgãos. A operação é delicadíssima devido aos riscos de infecção, de rejeição dos órgãos ou até mesmo de o coração ou o rim transplantados não funcionarem em um corpo já bastante debilitado. “Não havia na literatura médica registros assim, mas era a única chance de sobrevivência”, diz o nefrologista Américo Cuvelo Neto, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. O padre Arlindo retomou sua rotina normal. “Quero voltar a me aproximar dos fiéis.”

Dado seu ineditismo, o episódio, que encoraja especialistas a usar a técnica mais vezes, terá seu passo a passo dissecado diante de especialistas — no mês que vem, no 15º Congresso Brasileiro de Insuficiência Cardíaca, em Campos do Jordão, e, em setembro, no 28º Congresso Brasileiro de Nefrologia, em Maceió.

  • Veja São Paulo Recomenda

    Atualizado em: 29.Jul.2016

    As indicações certeiras de programas culturais e gastronômicos da cidade nesta semana
    Saiba mais
  • Cartas da edição 2488

    Atualizado em: 29.Jul.2016

  • Um exemplo é o Restaurante Nuevo Mexico, em Santana; esse tipo de proteção é legado da guerra
    Saiba mais
  • Um dos rostos mais conhecidos da publicidade nacional é da polonesa Zofia Burk
    Saiba mais
  • Ao todo, são 52 centros de compras na cidade
    Saiba mais
  • Um litro da substância gordurosa contamina, em média, 25 000 litros de água; conheça a Ecóleo
    Saiba mais
  • Instant Article

    Confira as novidades da semana do Terraço Paulistano

    Atualizado em: 1.Dez.2016

    Notas exclusivas sobre artistas, políticos, atletas, modelos e empresários que são destaque na cidade
    Saiba mais
  • Funcionários de empresas de seguros são suspeitos de usar carros com perda total em esquema para alimentar quadrilhas de roubo e furto de veículos
    Saiba mais
  • Confira os detalhes do divórcio do empresário Tutinha Carvalho e da joalheira Flávia Eluf
    Saiba mais
  • Aos 68 anos, ele volta a ser criança com a aparição de jubartes entre Ilhabela e São Sebastião
    Saiba mais
  • Com dois anos de carreira, vídeos do funkeiro chegam a atingir mais de 80 milhões de visualizações
    Saiba mais
  • Com a marca Dog Beer, Lucas Marques fatura 80 000 reais por mês
    Saiba mais
  • Iniciativa chega após intervenções isoladas de moradores e da iniciativa privada
    Saiba mais
  • Cozinha contemporânea

    Ser Cozinha Contemporânea

    Rua João Lourenço, 367, Vila Nova Conceição

    Tel: (11) 3044 1420

    VejaSP
    1 avaliação

    Nascido em Mato Grosso, o chef Caio Gavioli não usa a culinária do Centro-Oeste como fonte de inspiração. No menu criado por ele, a Itália e a França são as referências. Um delicado molho de limão com camarões médios banha o agnellotti de burrata (R$ 63,00), e um saboroso nhoque de semolina com cogumelos acompanha oconfit de pato (R$ 78,00). Com uma pitada de atrevimento, o leitão romeu e julieta leva a carne desossada, pele crocante, aligot e molho cremoso de goiabada (R$ 72,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • Chope e cerveja

    Ambar

    Rua Cunha Gago, 129, Pinheiros

    Tel: (11) 3031 1274

    VejaSP
    2 avaliações

    Escondido do visitante, um espaço a 1 grau negativo conserva os barris. Pelas mangueiras ligadas a eles passam os chopes até as quinze torneiras, desmontadas duas vezes por mês para a higienização. Uma mistura de gases turbinada com nitrogênio ajuda na extração de algumas das bebidas, deixando-as mais cremosas. É desses bastidores que provém um chope de qualidade — não importa o tipo. A postos, os donos do bar, Fabio Comolatti e Julia Fraga, desdobram-se para mudar sempre as opções da lousa e equilibrar novidades com queridinhos do público. O casal elaborou até uma planilha com o que entra e sai. “Mas, na correria, anotamos em todo lugar: no celular, em papelzinho na bolsa...”, diverte-se a proprietária.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • Sanduíches

    Tigre Cego

    Rua Girassol, 654, Vila Madalena

    Tel: (11) 3586 8370

    VejaSP
    3 avaliações

    Responsável pelos sanduíches — e também pela ótima porção mista de batatas inglesa e doce e mandioquinha fritas (R$ 22,00) —, Pablo Muniz reformulou o cardápio. Entre as estreias estão quatro opções de hambúrguer, três delas com um belo disco de carne de 180 gramas e a última, vegetariana. Outra novidade, o bul go gui (R$ 30,00), que no passado vinha numa massa de arroz, é apresentado na forma de três pequenos tacos de milho: dentro de cada um deles vem fraldinha marinada no óleo de gergelim com gengibre, shoyu e alho. Um mix de pimenta dedo-de-moça, cebolinha, picles de moyashi e maionese de conserva picante de acelga completa a sugestão.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • O primeiro texto para o teatro de Antonio Calmon, autor de novelas como Vamp e Top Model, guarda semelhanças óbvias com o universo de Harry Potter, entre elas os elementos de bruxaria e a caracterização dos personagens (o protagonista usa óculos de aros redondos, por exemplo). Inspirada pelo poema homônimo de Goethe, datado de 1797, a peça O Aprendiz de Feiticeiro conta a história de Arthur (Ghilherme Lobo). O aluno nota 10 sofre bullying por ter uma imaginação bastante fértil. O menino é salvo de uma agressão por Jane (a atriz global Klara Castanho), de quem ganha um celular. Ao bisbilhotar os aplicativos do aparelho, ele é transportado para tempos medievais. Nessa terra fantástica, encontra o feiticeiro Ambrósio (Maurício Machado), com quem começa a treinar magia. O garoto descobre, então, que a princesa Jane procura um pretendente e se candidata para um desafio de força e inteligência. No espetáculo, chama atenção o uso do teatro de sombras e o revezamento dos sete atores, entre eles Victor Garbossa e Julio Oliveira, para interpretar onze personagens. Na plateia, os mais novinhos se encantam com os truques de mágica, enquanto os jovens curtem as cenas de ação e o clima de romance entre Arthur e Jane. Recomendado a partir de 5 anos. Estreou 15/7/2016. Até 12/11/2016.
    Saiba mais
  • Parceria de americanos, franceses e brasileiros, A Melancolia de Pandora é um daqueles espetáculos que ganham força na lembrança do espectador com o correr dos dias. O drama escrito e dirigido por Steven Wasson, do Theatre de l’Ange Fou, grupo criado em Paris e sediado em Londres, privilegia o teatro físico para abordar um tema difícil de ser levado ao palco sem um peso excessivo: a depressão. Para alcançar sucesso em tal objetivo, a composição impactante de Bete Coelho é fundamental. Como em um balé, a atriz domina os movimentos de corpo e modula a voz na interpretação de uma mulher sob os cuidados de um médico (o ator André Guerreiro Lopes) e seu assistente (Ricardo Bittencourt). Sua identidade é indefinida, e ela luta para organizar seus fragmentos de memória em busca de uma nova vida. Cabe a um anjo (representado por Djin Sganzerla) ajudá-la na reconstituição do passado com base nos rastros deixados por um rapaz por quem teria se apaixonado na juventude. As muitas simbologias aliadas a um forte subjetivismo imprimem uma força poética que, primeiro, seduz o público com as belas imagens para, depois, enredá-lo no problema discutido. Estreou em 15/7/2016. Até 7/8/2016.
    Saiba mais
  • O drama O Teste de Turing, de Paulo Santoro, ferta com um gênero raro no teatro, a ficção científca. Em uma empresa, três profissionais (interpretados por Rodrigo Fregnan, Jorge Emil e Felipe Ramos) são chamados para avaliar uma máquina capaz de simular o comportamento humano. Supervisionados por uma executiva (representada por Maria Manoella), eles são desafiados a apontar falhas que entreguem as fragilidades da invenção tecnológica. O diretor Eric Lenate constrói uma encenação que, na primeira metade, instiga o espectador. A trama, no entanto, sofre uma virada que diminui drasticamente o impacto e resta um morno desfeicho para a história. Quem segura o interesse é Maria Manoella, em performance que vai da frieza à dissimulação, passando pelo descaso. Estreou em 15/7/2016. Até 7/8/2016.
    Saiba mais
  • A última vez que a banda americana Megadeth, uma das principais representantes do thrash metal, se apresentou na capital foi em 2014. Comemorava os vinte anos do disco Youthanasia, ícone da carreira do conjunto. Os integrantes vinham de uma má fase: Super Collider (2013) não havia sido bem recebido pelo público e o vocalista Dave Mustaine andava insatisfeito com os colegas de palco. O grupo, entretanto, passou por uma virada. Lançado em janeiro, Dystopia, o 15º álbum, veio como um alívio para os fãs. A qualidade musical ganhou elogios, especialmente por causa dos riffs pesados e criativos. Na semana de estreia, o trabalho abocanhou o terceiro lugar no top 200 da Billboard. Outra novidade se deu na inclusão no elenco do brasileiro Kiko Loureiro, ex-guitarrista do Angra, em abril do ano passado, quando a produção do disco começou. “Queríamos trazer novamente o espírito do Megadeth”, diz ele, que divide os holofotes com Mustaine, David Ellefson (baixo) e Dirk Verbeuren (bateria). No 14º show da turma por aqui, prepare-se para bater cabelo ao som de Peace Sells, de Holy Wars... The Punishment Due e da ótima The Treat Is Real, do novo CD. Dia 7/8/2016. Os ingressos serão vendidos em breve no site  Ticket360.
    Saiba mais
  • Em 2007, três caixas de papelão foram deixadas no International Center of Photography, em Nova York, enviadas por um remetente misterioso da Cidade do México. Quando abertas, revelaram um conteúdo de valor artístico imensurável: 126 rolos de filme com 4 500 negativos clicados por ninguém menos que o húngaro Robert Capa (1913-1954), um dos mais célebres fotógrafos de guerra de todos os tempos, além de registros de cenas feitos por seus companheiros Gerda Taro e David “Chim” Seymour. Os rumores sobre a existência das lendárias imagens da Guerra Civil Espanhola finalmente se confirmavam. Tiradas entre 1936 e 1939 em trincheiras e acampamentos, as fotografias foram entregues por Capa a um amigo antes de sua fuga das tropas alemãs, que estavam prestes a entrar em Paris. Não se sabia o paradeiro do precioso material desde então. A mostra A Valise Mexicana reúne centenas desses registros impressionantes, a exemplo do retrato realizado por Capa mostrando a fuga de um grupo de combatentes republicanos para um campo de refugiados na França. Textos explicativos e reproduções de jornais da época trazem informações históricas e fazem valer o passeio até o não tão agradável prédio da Caixa Cultural, na Praça da Sé. De 23/7/2016. Até 2/10/2016. + Leia a matéria completa da mostra
    Saiba mais
  • O caos do trânsito paulistano não é novidade. Desde a década de 40, algumas vias não dão conta da grande quantidade de veículos que circulam por aí. Hoje, o problema mostra-se ainda pior: a frota da cidade soma quase 8 milhões de automóveis. Entre as décadas de 60 e 80, por causa do movimento intenso, construíram-se 35 edifícios de estacionamento mecanizado no centro da capital. Os espigões chegam a alcançar 38 pisos, com capacidade para até 600 carros. Esses prédios, alguns ainda em funcionamento, são os protagonistas da mostra individual do paulistano Felipe Russo, em cartaz na Casa da Imagem. Ele registrou fachadas e detalhes internos das construções. Por isso, parte dos 21 cliques da coleção empresta ares artísticos e misteriosos a roldanas, correntes e cabos. Até 16/10/2016. Na programação paralela, acontecem dois bate-papos sobre a mostra: Dia 1/10, às 11h: os fotógrafos Cristiano Mascaro, Felipe Russo e Tuca Vieira conversam sobre a experiência de fotografar São Paulo Dia 6/10, às 15h: o arquiteto Abílio Guerra e Felipe Russo conversam sobre o projeto Garagem Automática e questões ligadas fotografia e arquitetura.
    Saiba mais
  • Depois de estrelar três filmes da cinessérie Bourne, entre 2002 e 2007, Matt Damon decidiu dar um longo tempo do personagem. Agora retoma o papel em Jason Bourne, também na função de produtor. Como transcorreram nove anos desde o terceiro longa-metragem, dá-se uma pincelada (de leve) em acontecimentos do passado. Dica esperta: o espectador de primeira viagem vai boiar até com os flashbacks. Arrastada e complexa, a primeira hora mostra como o ex-agente Jason Bourne (Damon) sobrevive ganhando dinheiro em lutas clandestinas. Um diretor da CIA (papel de Tommy Lee Jones), porém, está tentando localizar o “traidor” e, para isso, conta com uma experiente técnica em cibernética (Alicia Vikander) e com um matador de elite (Vincent Cassel). Atenas, Londres e Berlim servem de locação para cenas de tensão, correria e perseguição de carros. Na montagem frenética e na direção agitada de Paul Greengrass, há uma sensação de déjà vu e um jeito de driblar um roteiro confuso com sequências de ação. Quando a trama se instala em Las Vegas e as peças da história começam a se encaixar, Jason Bourne, mesmo no tranco, deslancha. Estreou em 28/7/2016.
    Saiba mais
  • Numa competição com diretores pesos-pesados como Charlie Kaufman (Anomalisa) e Aleksandr Sokurov (Francofonia), o venezuelano Lorenzo Vigas surpreendeu e sagrou-se o grande vencedor do Festival de Veneza 2015. Foi uma ótima ousadia do júri premiar o drama De Longe Te Observo com o Leão de Ouro, sobretudo por tratar-se do filme de estreia do realizador. Em uma trama basicamente com dois personagens principais, o diretor faz uma radiografia social de seu país, além de tecer um envolvente perfil psicológico do estranho Armando (Alfredo Castro). Esse senhor solteiro trabalha em um laboratório de próteses dentárias em Caracas e, em busca de prazer, pega e paga garotos na rua e os leva a sua casa para observá-los seminus. Em uma investida, Armando insiste na companhia do trombadinha Elder (Luis Silva), que, heterossexual violento e homofóbico, o agride e foge do apartamento levando dinheiro e objetos. A partir daí, a história toma rumos inesperados, num arrasador misto de suspense e erotismo. Estreou em 28/7/2016.
    Saiba mais
  • Nós e o pódio

    Atualizado em: 29.Jul.2016

Fonte: VEJA SÃO PAULO