Ação Social

Heliópollis terá escola de música

Estabelecimento ficará em prédio de 4,5 milhões de reais

Por: Filipe Vilicic - Atualizado em

Desde 1996, o maestro Silvio Baccarelli ensina música erudita a crianças da favela de Heliópolis, a maior da cidade, com cerca de 120 000 habitantes. A idéia surgiu após ele ter se emocionado com a luta das famílias de moradores para recuperar objetos perdidos num incêndio na região, na Zona Sul. "Pensei que precisava ajudar aquelas pessoas de alguma maneira", lembra. O meio escolhido foi o dos acordes e melodias. No início, 36 crianças iam duas vezes por semana ao Auditório Baccarelli, na Vila Mariana, tomar lições de instrumentos como viola, contrabaixo e violoncelo. A iniciativa deu origem ao Instituto Baccarelli, atual endereço de trabalho de 37 professores com salário médio de 70 reais por hora. O local abrigava uma antiga fábrica de sucos. "Como o espaço não é propriamente adaptado, vira uma barulheira só", conta a violista Graziela Teixeira, de 24 anos, que estuda lá desde os 12. "Os sons se misturam e nem dá para ouvir direito."

A cacofonia tem data para desaparecer. Está prevista para este sábado (29) a inauguração de um prédio de cinco andares para onde as aulas devem ser transferidas em fevereiro de 2009. Fica na própria Estrada das Lágrimas e seu desenho foi inspirado no da Juilliard School, de Nova York. Seus 2 800 metros quadrados comportam salas com isolamento acústico, refeitório e área de convivência. As instalações permitirão atender quase 3 000 alunos – hoje são 500, com idade a partir de 7 anos. A obra custou 4,5 milhões de reais, obtidos com um patrocinador. "Montamos uma estrutura condizente com a alta qualidade de ensino do instituto", afirma o arquiteto Frank Siciliano, criador do projeto. Ele ambiciona erguer também, numa segunda etapa, uma sala de concertos que custará 12 milhões de reais, ainda não arrecadados. "Estou emocionado por dar função social à minha paixão, que é a música", diz Baccarelli. "A arte ensina respeito e cultura geral, além de tirar os jovens do mau caminho."

Fonte: VEJA SÃO PAULO