ESPORTE

"É a minha torcida", diz torcedor que assumiu culpa por Oruro

Integrante da Gaviões da Fiel, Helder Alves Martins foi preso na manhã desta sexta durante a Operação Cartão Vermelho 

Por: Adriana Farias - Atualizado em

Helder Martins
Helder Alves Martins: novos problemas com a polícia (Foto: Reprodução/TV Globo)

Preso durante a Operação Cartão Vermelho nesta sexta (15), Helder Alves Martins, de 20 anos, afirmou que ficou visado após o episódio de Oruro, na Bolívia, quando o disparo de um sinalizador feito por torcedores da Gaviões da Fiel matou o garoto Kevin Spada.

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Helder, que na época era menor de idade, assumiu a autoria do tiro. Por causa do episódio, doze torcedores corintianos ficaram presos na Bolívia (Helder não estava entre eles e chegou a ser apontado como "laranja" por assumir a culpa e salvar os colegas). 

A VEJA SÃO PAULO reafirmou que manuseava o artefato no momento da comemoração do gol na partida entre Corinthians e San José, em jogo válido pela Taça Libertadores. “Foi um acidente. Aquilo ainda me persegue, pois mudou a minha vida”, disse na tarde desta sexta, quando estava detido no Delegacia Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Em 2013, em entrevista ao Fantástico, deu detalhes de como fez o disparo: “Coloquei o sinalizador na mochila, dentro de uma sacola, e fui acender. Pra mim, era igual aos outros. Tirei a tampinha,  puxei a cordinha e não aconteceu nada. Puxei pela segunda vez e disparou na torcida boliviana. Não fiz mira, não sabia que sairia voando. No intervalo, perguntei aos policias se tinha machucado alguém, disseram que não. Pra mim, depois daquele momento, falei: “Nossa minha vida acabou. O que vou fazer? Matei uma criança, 14 anos de idade.”  

No último dia 3, Helder foi detido com um grupo de 29 torcedores após uma confusão nas proximidades da Estação Clínicas do Metrô. Foi liberado após prestar depoimento. Ele contou à reportagem que a briga entre integrantes de torcidas organizadas aconteceu três horas após a disputa entre Corinthians e Palmeiras, no Pacaembu. “Estávamos conversando quando torcedores do Palmeiras passaram a atirar pedras na nossa direção. Apenas nos defendemos.”

O rapaz, que hoje trabalha em uma estamparia e já comandou o Departamento de Bandeiras da Gaviões, afirma que a organizada é a sua vida. “É a minha torcida, meus amigos, meu time. Quero estar com eles onde for”, ressaltou.

Cartão Vermelho

Na manhã desta sexta, a Polícia Civil de São Paulo prendeu 26 torcedores envolvidos com brigas e confusões no Estado. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, foram expedidos 69 mandados (32 de busca e apreensão e 37 de prisão) em nove cidades – além da capital, também ocorreram ações em Guarulhos, Campinas e Praia Grande.

A ação faz parte de uma força tarefa entre os delegados Osvaldo Nico Gonçalves, do Departamento de Captura e Delegacias Especializadas (Decade), e Elisabete Sato, do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). “Começamos a operação às 5 horas da manhã e não temos hora para terminar”, afirmou Nico. “É preciso acabar com esse tipo de conduta no futebol.”

Polícia faz força tarefa para coibir torcidas organizadas

Ainda nesta manhã, a sede da Pavilhão Nove teve a entrada lacrada com blocos de concreto. A Mancha Alvi Verde também também foi trancada e o presidente da agremiação foi detido por desacato. Após depoimento, ele foi liberado. À tarde, a polícia seguiu para a sede da Gaviões da Fiel, na Zona Leste, lacrou parcialmente a entrada.

Além da detenção de torcedores, a polícia também aprendeu diversos objetos, como rojões, bomba caseira, armas brancas e 60 000 reais em dinheiro. O montante estava com torcedores da Gaviões da Fiel. Eles afirmaram que o dinheiro seria usado para comprar ingressos para jogos.

Fonte: VEJA SÃO PAULO