Negócios

A chegada da HBR Aviação causa turbulência no setor de helicópteros

Empresa tem obras paralisadas por problemas ambientais, brigas na Justiça contra o vizinho SBT e pechinchas para roubar clientes da concorrência

Por: João Batista Jr.

Geral HBR
Pista da HBR: obras paralizadas por questões ambientais e brigas na Justiça contra o vizinho SBT, de Silvio Santos (Foto: Antonio Milena)

Em 2013, ao contabilizar aproximadamente 2 000 pousos e decolagens por dia, São Paulo ultrapassou Nova York no posto de cidade do mundo com maior trânsito de helicópteros, segundo levantamento da associação brasileira de pilotos do setor, a Abraphe. Há hoje por aqui cerca de 500 aeronaves (o equivalente a 20% da frota nacional), desde os pequenos Robinson R44, com capacidade para três passageiros e preços a partir de 670 000 dólares, até máquinas como o Eurocopter EC 145.

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Cotado a 13 milhões de dólares, é um dos meios de transporte preferidos de gente como o empresário Anderson Birman, dono da Arezzo. A aeronave carrega dez pessoas, além de dois pilotos, e possui autonomia de 680 quilômetros, o suficiente para viajar, sem parada, até capitais como o Rio de Janeiro.

HBR - Aérea
HBR, em Osasco, com capacidade para 200 helicópteros: cobra de 3 500 a 11 000 reais para hangarar helicópteros de clientes como Alexandra da Costa (Cacau Show) e Anderson Birman (Arezzo) (Foto: Antonio Milena)

Esses aparelhos sofisticados exigem manutenção cara, geralmente deixada aos cuidados das administradoras de hangares. Além de funcionarem como garagem, essas empresas oferecem vários serviços, como oficina mecânica, limpeza, segurança e apoio para embarque e desembarque de passageiros. Três companhias dominavam o setor até janeiro de 2015, quando ocorreu a inauguração da HBR Aviação, em Osasco. Da decolagem das obras à tomada e sustentação da liderança, a HBR vem percorrendo uma trajetória turbulenta.

Respondeu a processo por problema ambiental durante a construção, irritou um vizinho poderoso, o SBT, de Silvio Santos, tem entre seus principais colaboradores um executivo com uma ficha enrolada na Justiça e atraiu a ira da concorrência ao oferecer taxas até pela metade do preço. A política da pechincha provocou estragos na fuselagem financeira das concorrentes. Só de uma delas, a Helicidade, no Jaguaré, a HBR roubou mais de dez clientes, o que resultou em um prejuízo estimado em 2 milhões de reais ao ano. Os empresários Anderson Birman e João Alves de Queiroz Filho, o Júnior, da Hypermarcas, fazem parte da lista dos que voaram para Osasco.

Oficina HBR
Oficina dentro da HBR: 200 funcionários (Foto: Antonio Milena)

Construída no quilômetro 15 da Rodovia Anhanguera com um investimento de 70 milhões de reais, a HBR é o maior negócio do gênero na América Latina. Com terreno de 50 000 metros quadrados, tem 20 000 de área construída. Pode abrigar simultaneamente 200 helicópteros, entre garagem e manutenção, capacidade superior à das concorrentes somadas. A estrutura inclui uma academia de ginástica e salas de descanso para os pilotos. Na rotina do local, cujos clientes são extremamente ricos, inúmeros caprichos são presenciados. Certa vez, Maythe Birman, mulher de Anderson, pediu para o piloto voar de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, até São Paulo para pegar um novo pneu para a sua bicicleta.

“Uma outra pessoa quis comer o pudim de sua mãe, então o comandante saiu de Angra dos Reis para buscar o doce aqui em São Paulo para ser a sobremesa do almoço”, conta uma das pessoas que acompanharam de perto a operação de “emergência”. A HBR quer se colocar no setor como o lugar ideal para o cliente resolver todos os problemas e ter qualquer tipo de desejo atendido. “Não entrei nessa área para brincar”, afirma o proprietário Cesar Parizotto, de 49 anos. Depois de vender a construtora Inpar, em 2010, ao fundo americano Paladin por estimados 180 milhões de reais, sua família resolveu investir em outros ramos. A HBR nasceu como fruto de uma paixão antiga de Parizotto. “Tirei o brevê aos 18 anos e passei a voar como hobby”, conta.

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As polêmicas que envolvem o empreendimento começaram pouco depois que 12 500 caminhões iniciaram o trabalho de aplainamento do terreno em Osasco, localizado ao lado do SBT, com a remoção de 100 000 metros cúbicos de terra. Nos corredores do canal de Silvio Santos espalhou-se na época o temor de que os ruídos causados pelos pousos e decolagens atrapalhassem a gravação de novelas e dos programas de auditório. Entre outubro de 2012 e maio de 2014, os telejornais da emissora dedicaram reportagens à construção, abordando sempre em tom de denúncia problemas que iam de supostas irregularidades no licenciamento da empresa a greves de funcionários no canteiro de obras.

Helipark - Aérea
Sede da Helipark, em Carapicuíba: preços que vão até 22 000 reais mensais (Foto: Antonio Milena)

Para os responsáveis pela HBR, a campanha levou alguns órgãos de fiscalização a analisar o caso com excesso de rigor. A Cetesb, por exemplo, interditou os trabalhos dos operários em dezembro de 2013 por falta de licenciamento ambiental. Parizotto conseguiu retomar a construção com uma liminar e, em janeiro de 2014, obteve a licença definitiva. Mas as pendengas nos tribunais ainda não acabaram.

Neste momento, encontra-se em fase final um processo movido pelo Ministério Público Estadual, que iniciou em 2013 uma investigação sobre supostas irregularidades da obra e seus impactos ambientais e urbanísticos. A promotoria aguarda alguns dados para terminar seu parecer. “A única coisa que falta é um laudo da Cetesb sobre estudo de impacto de vizinhança”, diz a promotora Fernanda Karan Franco, responsável pelo caso. Se o relatório final apontar problemas, o MPE pode pedir às autoridades competentes determinadas adequações ou, em caso mais drástico, o embargo de suas atividades.

Helicidade
Sede do Helicidade, no Jaguaré: capacidade para setenta helicópteros e clientes como Abílio Diniz, Leonardo Senna e David Feffer (Foto: Antonio Milena)

O time encarregado da defesa da HBR está otimista com o desfecho do caso e acha que esse será o último capítulo de questionamentos legais que a empresa vai enfrentar. Ricardo Col lucci, advogado da companhia, considera que o imbróglio com o SBT acabou sendo resolvido graças à vitória de uma ação de tutela antecipada, em 2014, segundo a qual a emissora corre o risco de pagar uma multa de 100 000 reais se veicular alguma matéria tendenciosa.

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Procurado por VEJA SÃO PAULO, o SBT não quis comentar. “O complexo de TV tem quatro helipontos e fica ao lado da Rodovia Anhanguera, um corredor aéreo. Não faz sentido dizer que nós faríamos barulho”, afirma Collucci. Helicidade, Helipark e Helicentro Morumbi têm autorização da Anac para fazer 7 000 pousos e decolagens por ano, ao passo que a HBR tem limite superior: 36 500 movimentos anuais. Em uma quinta-feira de dezembro, por volta das 17 horas, a reportagem de VEJA SÃO PAULO, junto da consultoria de engenharia Ieme Brasil, constatou 65 decibéis de ruído na região — o equivalente ao barulho de um bar quando movimentado.

Joao Doria
João Doria Jr., dono de um helicóptero Bell 429: um dos novos clientes da HBR (Foto: Raphael Castello)

Se as questões com Silvio Santos parecem resolvidas, o mesmo não se pode dizer da guerra contra a concorrência. O negócio segue quente nos bastidores. Os competidores acusam Parizotto de fazer jogo sujo para conquistar a freguesia. “Eu não ofereço serviço de graça a ninguém”, afirma João Velloso, dono do Helipark, em Carapicuíba, citando a prática de uma espécie de “bolsa hangaragem”. O comentário no mercado é que a HBR concede seis meses de isenção de cobrança aos novos clientes. “Não sei como ele consegue se manter”, diz Edson Pedroso, diretor do Helicidade.

Helicentro Morumbi
Sede da Helicentro Morumbi, no Butantã: capacidade para 23 aeronaves, preços que vão de 6 000 a 22 000 reais e clientes como Walter Torre, da WTorre (Foto: Antonio Milena)

Em seu primeiro ano de operação, a HBR conquistou 100 donos de aeronaves e faturou pelo menos 1 milhão de reais por mês. “Em seis meses, já estava funcionando com 50% de minha capacidade”, comemora Parizotto. Em dezembro, porém, o empresário demitiu dez funcionários de seu quadro (200 pessoas trabalham no lugar). “Tivemos de fazer um ajuste para enfrentar o período de crise.” Sobre as queixas de competição desleal, o novato acha que há uma choradeira excessiva de quem sempre ditou os preços do setor. “Eles enfiavam a faca porque os clientes são ricos e a economia estava em alta”, rebate.

Até a sua chegada, as taxas praticadas eram de 22 000 reais mensais para cuidar de um helicóptero de grande porte (a HBR pede 11 000 reais). A respeito do bolsa hangaragem, Parizotto admite a prática, mas por um período menor. “Dou três meses de isenção.” Para o dono da HBR, a política de preços não é a única explicação para o sucesso da empreitada.

“Ofereço a manutenção mais segura, com os melhores profissionais”, acredita. “O Thomaz sofreu um acidente aéreo saindo do Helipark”, cita, referindo-se ao filho do governador Geraldo Alckmin que morreu em um desastre ocorrido em abril do ano passado, junto com os outros quatro ocupantes de um Eurocopter EC 155. O caso está sendo investigado pela Força Aérea Brasileira. Sobre o assunto, o discreto João Velloso, do Helipark, limitasse a dizer: “Ninguém pode tratar do caso sem o parecer final da FAB”.

Fábio Tinelli
Fábio Tinelli, dono do Helicidade: empresários do setor acusam a HBR de fazer concorrência desleal (Foto: Silvana Garzaro / Estadão Conteúdo)

A decolagem meteórica de Parizotto fez circular na rádio piloto que ele não estaria sozinho na empreitada. O empresário Marco Antônio Audi, dono da Tucson Aviação, especializada em hangaragem de jatos particulares e na venda de helicópteros Robinson, localizada no Campo de Marte, seria um sócio oculto. Oficial mente, ele trabalha apenas como consultor da HBR. “Audi entende como poucos desse segmento. Como entrei nesse mercado para ser líder, contratei os melhores profissionais”, justifica Parizotto.

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João Velloso
João Velloso, do Helipark: empresa criada há mais de dez anos tem clientes como Comandante Hamilton (Foto: Divulgação)

O executivo tem conta eletrônica da empresa e dispara e-mails em busca de clientes, sempre espezinhando os adversários. “Somente para se ter uma ideia, nosso pátio de estacionamento de aeronaves é maior que todo o terreno do Helicidade”, escreveu recentemente para o dono de um helicóptero. Audi foi o responsável pela revoada dos donos de helicópteros para Osasco. Entre eles, Amilcare Dallevo Jr., da RedeTV! (dono de um Bell 206, um Agusta A109 e um Robinson R44), e João Alves de Queiroz Filho (Bell 429). Ao lado de dois sócios brasileiros e do fundo americano Matlin Patterson, Audi comprou, em janeiro de 2006, a VarigLog e, depois, a Varig, operações que envolveram 500 milhões de dólares.

Em 2007 ele foi afastado da VarigLog pela Justiça, acusado de má gestão e desvio de recursos. “O Parizotto é um homem extremamente rico, não precisaria de um laranja para entrar no mercado de hangaragem”, diz Audi. “Na verdade, o que existe é uma guerra de comadres. As companhias, que tinham vida fácil, estão bravas porque perderam clientes.” O horizonte previsto para 2016 continua de nuvens carregadas. Enquanto Helipark, Helicidade e Helicentro Morumbi torcem para o novato Parizotto se esborrachar no chão, a HBR promete continuar acelerando fundo na sua política de baixo custo. A batalha dos helicópteros na cidade está apenas começando.

Anderson Birman
Anderson Birman, da Arezzo: migrou da Helicidade para a HBR (Foto: Neil Rasmus)
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  • Cozinha variada

    A Figueira Rubaiyat

    Rua Haddock Lobo, 1738, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3087 1399

    VejaSP
    12 avaliações

    Restaurante-cartão-postal, atrai clientes e mais clientes que querem se sentar sob a sombra de uma gigantesca e centenária fgueira no salão da entrada. No cardápio estão receitas executadas pelo chef potiguar Francisco Gameleira. Logo que se consegue um lugar, chega à mesa o farto couvert (R$ 29,00), que inclui um dos melhores pães de queijo da cidade, além de itens variáveis como salmão ao vinagrete e franguinho morno com cebola assada. Do forno, sai o robalo na companhia de batata ao murro e aspargo (R$ 134,00). Nesta casa, também se provam boas carnes na grelha, entre elas o baby beef marmorizado com fritas sufê (R$ 141,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Cozinha contemporânea

    Marakuthai for TOG

    Rua Iguatemi, 236, Itaim Bibi

    Sem avaliação
  • Cozinha variada

    Ruaa

    Rua Mourato Coelho, 1168, Vila Madalena

    Tel: (11) 3097 0123

    VejaSP
    7 avaliações

    Paredes de tijolos brancos e quadros em exposição dão atmosfera cool ao pequeno espaço. Esse ar descontraído, porém, não explica o serviço lento. Grandalhão, o bolinho de pernil com geleia de pimenta ganha pontos pela cremosidade (R$ 21,00, meia dúzia). A tenra bochecha suína ao molho teriyaki com purê de mandioquinha vem nos tamanhos pequeno (R$ 23,00) e grande (R$ 38,00). Dispense a torta de chocolate branco e frutas vermelhas (R$ 20,00), de massa bem grossa.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Chope e cerveja

    Frangó

    Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó, 168, Freguesia Do Ó

    Tel: (11) 3932 4818

    VejaSP
    21 avaliações

    Lá no alto da Freguesia do Ó, este bar de quase trinta anos foi um dos primeiros da cidade a se dedicar às cervejas especiais. Pesada e cheia de páginas, a carta traz 430 rótulos catalogados, como o alcoólico St. Feuillien Grand Cru (R$ 42,00, 330 mililitros), da Bélgica. Gelada da casa, a american pale ale produzida pela Colorado sai a R$ 22,00 (600 mililitros). O menu, célebre pela coxinha (R$ 5,00), ganhou um sopro de renovação com receitas do chef Marcelo Corrêa Bastos (Jiquitaia), entre elas o beirute de cupim (R$ 28,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bares variados

    Sóshots & Petiscos

    Rua Pedroso Alvarenga, 974, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3078 3774

    VejaSP
    Sem avaliação

    O ambiente, inspirado em bares de Amsterdã, é dos mais bacanas. Paredes de tijolinho e iluminação meio difusa atraem o pessoal arrumadinho na faixa dos 30 anos. Se no outro bar do grupo, o Vaca- Véia, reina a cervejinha, aqui o foco são os shots, aqueles drinques de 50 mililitros tomados de uma vez só. Há opções como o bola gato (R$ 12,00), de vodca e licor Frangelico, acompanhado de uma fatia de maçã com geleia de pimenta, e o atitude (R$ 15,00), que na verdade são dois copinhos: um de suco de tomate temperado e o outro de cachaça. O sanduichinho de carne moída dentro do pão sírio com queijo mussarela (R$ 35,00), apelidado de arais, vem no capricho.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Parques temáticos

    Speedland

    Rua Ulisses Cruz, 275, Tatuapé

    Tel: (11) 2159 3888 ou (11) 4063 1998

    VejaSP
    Sem avaliação

    Se os carrinhos bate-bate já são hit entre a garotada, imagine a emoção de percorrer (aqui sem bater, é claro) um trecho de 600 metros de comprimento num kart que chega a 20 quilômetros por hora. Inaugurado em setembro do ano passado, o Speedland, o maior kartódromo da cidade, começou em fevereiro a aceitar pilotos mirins, a partir dos 6 anos e com até 1,5 metro de altura. Antes da brincadeira, os instrutores oferecem uma aula com conceitos básicos de como controlar o carro. Um piloto adulto também faz uma volta-teste mostrando o caminho. Ele ensina a mandar bem nas curvas e aproveitar a pista larga, boa para dirigir. As baterias exclusivamente infantis são de segunda a sexta, às 17h, e nos fins de semana, às 12h e às 16h. Para os ainda menores, há simuladores e um autorama, além de um espaço decorado com o personagem Senninha. Todo o local impressiona pela decoração temática: um carro de Fórmula 1 de verdade e macacões originais combinam com os quadros e imagens de pilotos pelas paredes. O único motivo para pisar o pé no freio, talvez, seja o valor desembolsado no passeio. Cada bateria de quinze minutos (que voam, acredite) custa R$ 70,00. É recomendado realizar a reserva com antecedência pelo site www.speedland.com.br.

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  • Num dia de tormenta repentina, enquanto quase todos os visitantes de um parque em Londres empacotavam rapidamente suas coisas para sair e se abrigar, a paulistana Marina Saleme decidiu ficar — e fotografar. Ela sabia que a gigante nuvem cinzenta que se aproximava era a paisagem perfeita para uma futura intervenção. Anos depois, a imagem virou ponto de partida para uma das séries apresentadas na mostra O Céu que Nos Protege, com inauguração prometida para quinta (18), na Galeria Luisa Strina. Nas mãos da artista, o simples retrato do cenário virou uma pintura repleta de sentimentos e atmosferas. Montados num processo que dá um efeito reticulado, os trabalhos revelam duas faces de acordo com o ângulo de observação. De um lado, mostram só a paisagem fotografada; do outro, a mesma imagem sobreposta pela pintura. Técnica já amadurecida ao longo da carreira de Marina, o uso das várias demãos de tinta sobre uma mesma tela foi a maneira encontrada para abordar questões aflitivas como a passagem do tempo e a inconstância da vida. Não é incomum que a artista dê uma de suas peças por terminada ao fim de um dia e, logo na manhã seguinte, comece a criar tudo novamente. Em outra série, intitulada As Verdades, a imagem de duas traves de futebol presas à areia da praia ganha paredes prateadas, “construídas” pelos pincéis. Ali, ela também explora as possibilidades da pintura sobre a foto e brinca com a nossa percepção de realidade e ilusão.
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  • Poucos nomes da cena local surpreendem tanto quanto Zé Henrique de Paula. Desta vez, o diretor importou o original dos americanos Greg Kotis e Mark Hollmann para produzir um musical que, apesar do ambiente intimista do Núcleo Experimental, não deixa nada a desejar às superproduções do gênero. O tema da peça se faz tremendamente oportuno. Lançada na Broadway em 2001, a satírica história é centrada nos habitantes de uma cidade que enfrenta uma crise hídrica há duas décadas, resultado da escassez das chuvas. A população conta os tostões e paga banheiros coletivos controlados pela Companhia da Boa Urina (CBU). Quem desacata a lei é enviado para uma colônia penal. Inconformado com as abusivas taxas, o jovem Bonitão (interpretado por Caio Salay) lidera um movimento para enfrentar o poderoso Patrãozinho (papel de Roney Facchini), administrador da CBU, e ameaça uma perigosa rede de interesses. No elenco de treze atores ainda se destacam Nábia Vilella e Bruna Guerin, todos cantando muito bem acompanhados de oito músicos sob a regência de Fernanda Maia. Estreou em 3/4/2015. 
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  • Também diretora, Maria Alice Vergueiro estrela e justifica o drama Why the Horse?, que, em formato de happening, mostra o velório da própria atriz. Quem procura uma montagem convencional dificilmente se envolverá. Em cena, Maria Alice está cercada dos atores Alexandre Magno, Carolina Splendore, Luciano Chirolli e Robson Catalunha para celebrar sua vida. Um fiapo de dramaturgia criado por Fábio Furtado traz referências do autor irlandês Samuel Beckett e do roteirista chileno Alejandro Jodorowsky em uma costura com a biografia da artista, que convive com a doença de Parkinson desde 2000. Mas a encenação se apoia mesmo é na imagem de Maria Alice e em suas provocações sobre a morte e na corajosa exposição sem pudores das suas visíveis limitações físicas. Estreou em 10/4/2015. De 19 a 21/8/2016.
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  • Mesmo para artistas há décadas na estrada, entrar no palco sem a companhia de uma banda, apenas com o violão e o gogó como ferramentas, é desafiador. Nando Reis é franco sobre o nervosismo de estar pela primeira vez “praticamente nu” em frente à plateia logo na abertura do disco Voz e Violão — No Recreio — Volume 1. Gravado em abril do ano passado, o trabalho faz um apanhado das suas principais composições, desde Diariamente, famosa na voz de Marisa Monte, e Os Cegos do Castelo, ainda de sua época nos Titãs, até Lamento Realengo, inspirada na chacina em uma escola no Rio de Janeiro, em 2011. Com um roteiro romântico e mais informal (que permite alguns esquecimentos de letra, por exemplo), Nando pode aproveitar o momento para comentar a história por trás de algumas músicas. Estão garantidas Luz dos Olhos, All Star e Relicário, todas levadas ao público por uma das grandes parcerias musicais do cantor, Cássia Eller. Dias 14 e 15/10/2016.
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  • Esqueça qualquer filme de super-herói. De Homem-Aranha a Batman, de X -Men a Vingadores, nenhum deles tem a verve cômica nem o potencial de virar a franquia mais deliciosa da história do que Deadpool. Sim, ele é um personagem da Marvel que apareceu, bem discretamente, em X-Men Origens — Wolverine, de 2009. Aqui, a coisa muda de figura. No início arrebatador, temos uma perseguição implacável (e de fazer inveja à cinessérie Velozes & Furiosos), que culmina na fuga do vilão. Deadpool, então, começa a relembrar para o espectador como se transformou de mercenário apaixonado em mascarado desfigurado. Ir além pode estragar as surpresas de um caminho imprevisível. O roteiro não segue uma ordem cronológica: mistura passado e presente, dramas e romance (do protagonista com a personagem da brasileira Morena Baccarin), ação frenética e piadas espirituosas. Ryan Reynolds, um dos produtores, pegou o espírito do super-herói (ou anti-herói, dependendo da situação) desbocado, sexy, brincalhão e violento, muito violento. Deadpool bagunça a luta do bem contra o mal, uma constante nos filmes do gênero. Ele é o mal contra o mal, o bem contra o bem — e ri de si mesmo. Enfim, há humor original no mundo das HQs. Estreou em 11/2/2016.
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  • Na Copenhague de 1926, o pintor Einar Wegener (Eddie Redmayne) faz sucesso no mundo das artes no drama com formidável recriação de época. Sua esposa, a retratista Gerda (Alicia Vikander, vencedora do Oscar de melhor atriz), nem tanto. Ela, porém, será responsável por uma reviravolta na vida pessoal do marido ao convidá-lo para substituir uma modelo de seu próximo quadro. Após calçar sapatos de cetim e usar meias de seda, Einar sente mais do que uma vontade de travestir-se. Aos poucos, tem o desejo, quase irrefreável, de ser uma mulher. O livro (com lances ficcionais) de David Ebershoff foi inspirado num pioneiro caso de transgênero, e A Garota Dinamarquesa apresenta, justamente, o impasse psicológico que pegou de surpresa o protagonista, algo muito comum ainda hoje. A recatada Lili, alter ego de Einar, passa a dominar seu corpo enquanto o casamento naufraga. Além do fabuloso trabalho de Alicia, a companheira cuja dedicação emociona, Redmayne embarcou fundo na personagem feminina sem jamais escor regar na caricatura. Estreou em 11/2/2016.
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  • No início da década de 50, a jovem Ellis (Saoirse Ronan) deixa sua pequena cidade na Irlanda para tentar uma nova vida nos Estados Unidos. Em Nova York, no bairro do Brooklyn, é acolhida por uma senhora conterrânea (Julie Walters) e começa a trabalhar como balconista de uma loja de departamentos. A moça, infeliz por sentir saudade da irmã e da mãe, vai encontrar em Tony (Emory Cohen), rapaz de origem italiana, um motivo para permanecer em uma terra estranha. Foram três indicações ao Oscar e nenhum prêmio. A trama, que demora a decolar, tem um romance morno, drama pessoal da protagonista abordado superficialmente, desenrolar sem grandes novidades ao gênero e desfecho previsível. A recriação de época, ao menos, encanta. Estreou em 11/2/2016.
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  • Gummi (Sigurour Sigurjónsson) se dedica à criação de ovelhas e mora numa casa ao lado da propriedade de seu irmão, Kiddi (Theodór Júlíusson), em uma fazenda na Islândia. Já idosos, eles não constituíram família, vivem sozinhos e, detalhe, não se falam há quatro décadas. A Ovelha Negra, vencedor da mostra Un Certain Regard, no Festival de Cannes 2015, se encaminha para um desenrolar ainda mais triste. Uma doença, capaz de provocar danos ao cérebro dos animais, será determinante para o extermínio de todos os rebanhos da região. Em paisagens inóspitas e um inverno de gelar a alma, o filme estende a rusga familiar (jamais revelada) para um registro quase documental do microcosmo rural. A frieza na condução da trama, que por vezes alcança um humor amargo, encontra, ao menos, um caloroso desfecho. Estreou em 11/2/2016.
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  • Leandro Hassum que se cuide! Depois de se consagrar na TV como a Janete do programa Zorra Total, Rodrigo Sant’anna vem se embrenhando no cinema e, pela primeira vez, protagoniza um longa-metragem. Trata-se de Um Suburbano Sortudo, cujo desejo, praticamente explícito, é levar a classe C aos cinemas. Sant’anna interpreta Denílson, um simpático camelô de Madureira que vive na pindaíba. Mas algo vai mudar radicalmente o cotidiano do suburbano. Um empresário milionário (Stepan Nercessian) morre e deixa sua fortuna para Denílson, o filho que ele teve com a empregada doméstica. A família do ricaço, composta de duas ex-mulheres e um enteado interesseiro (Victor Leal), vai querer tirar a grana dele. Denílson, porém, ganha como aliada a doce Sofie (Carol Castro). Seguem-se, então, toscas piadas de duplo sentido, campeonatos de arroto, closes no bumbum da mulherada e demais apelos popularescos — tudo na intenção de fisgar uma plateia que, supõem os roteiristas, gosta de rir (só) de baixarias. Do mar de lama grossa, Rodrigo Sant’anna se salva com o talento do improviso e faz mais cinco personagens munido de caricaturas, mas despido de preconceitos. Estreou em 11/2/2016.
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  • Um pouco de gentileza

    Atualizado em: 12.Fev.2016

Fonte: VEJA SÃO PAULO