Estilo

Clima havaiano vira moda com lojas, shows e documentário

Visual da Honolulu dos anos 40 pode ser encontrada em diversos estabelecimentos da cidade

Por: Carolina Giovanelli

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Isabela Casalino, dona da loja especializada Aloha Café, na Lapa: entre os produtos à venda se destacam camisas floridas e bonecas "hula" (Foto: Fernando Moraes)

Enquanto ocupavam a base de Pearl Harbor durante a II Guerra Mundial, os soldados americanos entraram em contato com uma cultura que a maioria não conhecia. Na volta para casa, quiseram reviver um pouco do clima de éden praiano em suas próprias cidades. Foi aí que o movimento tiki — palavra que remete aos totens sagrados, encontrados principalmente na região das ilhas polinésias — ganhou força pelo mundo. Explodiu nos anos 50 e 60, mesclando rockabilly, pin-ups e elementos tropicais, vários deles diretamente inspirados em filmes como os abacaxis musicais de Elvis Presley que viraram clássicos trash, como “No Paraíso do Havaí” (1966). A onda perdeu um pouco da força nas décadas seguintes, mas voltou à cena recentemente. Em São Paulo, os adeptos já contam com um circuito de atrações nas áreas de moda, cinema e música.

“Na esteira da valorização da cultura retrô, muita gente jovem está pegando carona no movimento”, afirma o cineasta Duda Leite, que virou um embaixador informal da história por aqui. O “título” lhe coube depois de assinar a direção do documentário “Tikimentary”, que foi exibido no último dia 5 no Museu da Imagem e do Som (MIS).

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O cineasta paulistano Duda Leite: flagrante da cultura americana (Foto: Fernando Moraes)

No longa de oitenta minutos, filmado em Miami, Nova York e Los Angeles, ele mostra um desfile de camisas de cores espalhafatosas e colares floridos pertencentes a orgulhosos seguidores dessa tendência. Para quem perdeu a oportunidade de conferir a fita, está programada uma outra sessão no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), no dia 1º de julho. “No segundo semestre, pretendemos também mostrá-lo em circuito comercial”, diz Leite.

A coisa chegou a tal ponto que até a Lapa ganhou ares de Honolulu. Isso ocorre graças ao Aloha Café, que funciona nos fundos de uma casa no bairro. Comandada por Isabela Casalino, a loja especializada investe em camisas e vestidos floridos de tecidos importados do Havaí, bonecas vestidas com saia de palha que mexem os quadris ao menor toque e artigos de inspiração rockabilly.

O negócio existe desde 2007, mas nunca foi tão procurado quanto agora. “Nos últimos dois anos, minhas vendas dobraram”, conta a proprietária, que tem dois filhos gêmeos, um chamado Elvis e o outro Johnny, em homenagem ao cantor americano Johnny Burnette, famoso nos anos 50. Para aproveitar o sucesso do tiki, Isabela arma um estande de seus produtos em eventos relacionados, como a feira de carros antigos que acontece todo primeiro domingo do mês, na Estação da Luz.

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The Dead Rocks: trio de São Carlos expert em tocar surf music instrumental (Foto: Divulgação)

Outro destaque desse circuito são as festas temáticas embaladas por surf music instrumental. Entre elas, destaca-se a Tiki Tiki no Fubá. “Como o Brasil também tem uma cultura praiana, misturamos músicas de Arthur Lyman e Martin Denny a ritmos latinos e nacionais”, explica Juliana Salty, umas das idealizadoras da balada.

Nesses eventos, costumam ocorrer apresentações de bandas que fazem covers de clássicos de The Ventures e de outros gigantes do naipe. Combos como a paulistana Gasolines e a interiorana The Dead Rocks, formada na cidade de São Carlos, mantêm acesa a velha chama nos palcos. No dia 29, a turma que curte o estilo deve participar do 7º Encontro de Surf Music Instrumental, em Pinheiros, mais um evento criado na esteira das surpreendentes conexões da cidade com o arquipélago americano.

Fonte: VEJA SÃO PAULO