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Haddad vai expandir projeto anticrack para quatro bairros

Prefeito quer criar vagas em hotéis para viciados nos distritos de Vila Mariana, Vila Leopoldina, M'Boi Mirim e Cidade Tiradentes

Por: Mariana Zylberkan

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Quarto da Pensão Azul, na Alameda Barão de Piracicaba: risco de interdição por problemas de segurança (Foto: Mário Rodrigues)

A gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) vai expandir o projeto De Braços Abertos para mais quatro bairros da capital até o fim do ano. Além da Luz, na região central, e da Freguesia do Ó, na Zona Norte, que já dispõem de estrutura para atender os viciados em crack, a prefeitura quer ampliar as ações para os distritos de Vila Mariana, na Zona Sul, Vila Leopoldina, na Zona Oeste, e M'Boi Mirim e Cidade Tiradentes, na Zona Leste.

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O projeto oferece vaga em hotéis, três refeições por dia e um salário semanal de 115 reais por serviços como varrição de ruas e praças. A administração planeja criar mais 150 acomodações em hospedagens na Consolação e no Parque Dom Pedro, além de 70 na Vila Leopoldina, 70 na Vila Mariana, 70 em M'Boi Mirim e 60 em Cidade Tiradentes. Segundo a prefeitura, atualmente 500 pessoas integram o programa, e a meta é chegar até o fim do ano com o dobro de beneficiários.

Inspirado em iniciativas semelhantes adotadas em outros países, como os Estados Unidos, De Braços Abertos foi lançado em janeiro de 2014 e teve investimentos de 10 milhões de reais, mas sua eficiência tem sido colocada em xeque. Da turma de dezesseis beneficiários que conquistaram independência e seguiram para o mercado formal de trabalho, em agosto de 2014, apenas sete continuam firmes no serviço. A grande diferença, em relação aos países que também adotaram essa medida, é que, ao contrário do que acontece em São Paulo, neles só recebe o bônus financeiro quem consegue ficar abstinente. 

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O uso de hotéis para abrigar os viciados foi questionado em inquérito civil aberto em julho do ano passado pelo Ministério Público. Relatório técnico do caso, conduzido pelo promotor de Habitação e Urbanismo Mário Augusto Vicente Malaquias, constatou que os imóveis são insalubres e inseguros. Os donos das hospedagens recebem repasse mensal de 500 reais por beneficiário da prefeitura. 

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Fonte: VEJA SÃO PAULO