Gastronomia

Guia Michelin é tema da segunda edição do Gula & Design Boa Mesa Gourmet

Quatro chefs estrelados pelo Michelin vão dar aulas e preparar jantares para os visitantes

Por: Juliana de Faria - Atualizado em

Há quatro anos, ao ouvir rumores de que seu restaurante, o La Côte d'Or, na região da Borgonha, perderia uma das três estrelas que tinha no Guia Michelin, o chef francês Bernard Loiseau se matou com um tiro na cabeça. É um caso isolado, claro, mas exemplifica muitíssimo bem como a publicação, criada em 1900, consegue mexer com os ânimos de donos e funcionários dos estabelecimentos avaliados por seus críticos. Na próxima semana, o paulistano terá a chance de saber um pouco mais sobre o Michelin e suas valorizadas estrelas. O guia é o tema principal da segunda edição do Gula & Design Boa Mesa Gourmet, evento enogastronômico que será realizado entre terça (14) e sábado (18) no Jockey Club. "Todos os que se interessam por comida querem conhecer quais os critérios da avaliação e por que ela é tão temida", afirma um dos diretores do festival, Felipe Camargo.

Quem vai responder às questões do público será Derek Bulmer, editor-chefe do Michelin Reino Unido e Irlanda. Na quinta (16), às 15h, Bulmer ministrará palestra para 150 participantes. Na opinião de Camargo, a pergunta mais importante a ser feita – e que já causa ansiedade em nossos chefs – é: qual a possibilidade de o Brasil vir a ser avaliado? "São Paulo, com toda a sua variedade gastronômica, teria vários estabelecimentos capazes de receber estrelas", diz Camargo. O debate promete pegar fogo.

Quatro chefs estrelados pelo Michelin vão dar aulas e preparar jantares para os visitantes. Foram convidados os franceses Lionel Levy (uma estrela), Nicolas Le Bec e Jean Christophe, além do português Joachim Koerper (todos com duas estrelas). Entre os mestres-cucas daqui, apenas Salvatore Loi, do Fasano, marca presença com um jantar. Ele criou um banquete baseado na cozinha de sua terra natal, a Ilha da Sardenha, na Itália, com peixes e frutos do mar. Segundo Cidinha Cabral, que divide a direção do evento com Camargo, não foi fácil convencer os chefs europeus a vir para São Paulo. "Só de cachê, pagamos de 8.000 a 20.000 reais a cada um", conta. Entre as exigências dos cozinheiros estão passagens aéreas de primeira classe e a presença de um ou dois assistentes. Uma chef paulistana ficou encarregada de fazer as compras de todos os ingredientes que os estrelados vão utilizar no preparo dos pratos. Mesmo assim, Nicolas Le Bec insistiu em trazer alguns temperos, como o feito à base de cogumelo morille (500 gramas custam 970 reais). "No Brasil, temos o mesmo produto, importado da França, mas ele teimou em trazer de lá", diz Cidinha. Outro excesso de Le Bec teve de ser barrado pela organização. Ele queria embarcar 15 quilos de queijo.

O festival contará também com aulas e workshops ministrados por Carla Pernambuco, Alex Atala, Sergio Arno, Flávia Quaresma, Pier Paolo Picchi e outros onze chefs. Os assuntos são variados – de doces a carne de avestruz, passando por pizzas, risotos e hambúrgueres. Seguindo o estilo da Casa Cor, a mais conhecida mostra de decoração do país, o evento terá 55 ambientes assinados por arquitetos badalados como Ruy Ohtake e Brunete Fraccaroli. O público pode visitar os espaços para conhecer novos produtos, participar de degustações e comprar algumas das mercadorias expostas. Pensando nas crianças, foi montado um quartinho de brinquedos com decoração inspirada no filme Ratatouille – cujo personagem principal é um ratinho que sonha virar chef de cozinha.

• Gula & Design Boa Mesa Gourmet. Jockey Club. Avenida Lineu de Paula Machado, 1075, Cidade Jardim. Terça (14) a sábado (18), 12h às 22h. Entrada: R$ 35,00 (maiores de 60 anos e estudantes pagam meia). Estac. (R$ 15,00). Aulas R$ 130,00 (chefs nacionais) e R$ 180,00 (chefs internacionais). Jantares e almoços com chefs internacionais: R$ 220,00 (bebidas e serviço não incluídos). Workshops: R$ 240,00. Informações e inscrições, tel: 3819-7955.

Fonte: VEJA SÃO PAULO