Segurança

Prefeitura do Guarujá investe na tecnologia contra o crime

Para frear o aumento de roubos e furtos na região, devem ser instaladas em janeiro novas câmeras em praias e ruas

Por: Daniel Salles - Atualizado em

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Trecho de Pitangueiras, a praia com o maior índice de assaltos do município (Foto: Mario Rodrigues)

No último dia 9, o filho do cantor Roberto Carlos, Dudu Braga, passou por momentos de tensão na casa de sua família na Praia de Pernambuco, no Guarujá. Acompanhado da mulher, Valeska da Silva, ele se preparava para dormir, por volta das 23 horas, quando se viu surpreendido por dois homens armados. Minutos antes, os criminosos haviam rendido os dois funcionários da propriedade. “Foi uma situação terrível, mas pelo menos eles não tocaram em ninguém”, disse Braga, dias depois. Os bandidos levaram documentos, cartões bancários, talões de cheque, celulares, roupas e aproximadamente 150 reais em dinheiro. Ninguém foi preso. O assalto ganhou o noticiário televisivo e as páginas policiais dos jornais. Mas não é o único episódio que abalou a autoestima da cidade neste ano.

Em agosto, sete jovens, quatro deles armados, assaltaram a ex-jogadora de basquete Hortência Marcari. Tinham cerca de 15 anos. Ela estava presa no trânsito em frente a um dos principais túneis da região. Foram surrupiados documentos, cartões de banco, máquina fotográfica e celular. “Fiquei escandalizada com a pouca idade dos ladrões”, lembra Hortência.

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Dudu Braga, filho de Roberto Carlos, e sua mulher, Valeska da Silva, assaltados no dia 9 na Praia de Pernambuco, uma das mais valorizadas do município (Foto: Wilton Junior/ Agência Estado/AE)

Em abril, uma série de doze assassinatos, quase todos cometidos no distrito de Vicente de Carvalho, na periferia do Guarujá, deixou a população apreensiva. Seis mortes, entre elas a de um policial militar, foram registradas em apenas três dias. A polícia acredita que a razão da matança seja uma disputa entre facções criminosas. Após o ocorrido, o Consulado dos Estados Unidos em São Paulo divulgou um comunicado no qual orientava os americanos a evitar viagens para Guarujá, Praia Grande, São Vicente e Santos. “Recebemos, em média, 300 000 turistas a cada fim de semana”, conta Ricardo Joaquim de Oliveira, secretário de Governo e da Defesa Social do Guarujá. “No mês seguinte, o número de visitantes diminuiu 30%.” Quase 100 policiais militares se instalaram em Vicente de Carvalho durante dois meses e ajudaram a debelar a onda de violência. Em maio, o consulado americano suspendeu a recomendação.

No primeiro semestre de 2010, a Secretaria de Estado da Segurança Pública computou o assassinato de 24 pessoas na cidade, além de 3 253 furtos e roubos — a maior parte deles ao redor de semáforos e na orla. No ano passado, foram cometidos 53 homicídios e 5 461 roubos e furtos, o que representa um crescimento de cerca de 20% em relação a 2008. A situação, no entanto, já esteve bem pior: nos primeiros três anos da década, 443 pessoas foram mortas no Guarujá. “Praticamente todos os nossos índices atuais de criminalidade são melhores que os das cidades vizinhas”, afirma Joaquim de Oliveira. “A diferença é que nossas vítimas muitas vezes possuem sobrenome famoso.” No caso de assaltos, as taxas por    100 000 habitantes realmente ficam atrás das de cidades como Santos e Peruíbe e mesmo da capital paulista. Mas, ao levar em conta os homicídios, o índice é bastante similar ao de São Paulo.

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Distrito de Vicente de Carvalho, onde ocorreram seis mortes em três dias no mês de abril (Foto: Mario Rodrigues)

Para combater a bandidagem, a cidade instalou há três anos 33 câmeras, apontadas para ruas e praias dia e noite. Diante da recente leva de crimes, o processo de compra de outras 22 foi iniciado — os equipamentos deverão ser instalados em janeiro. Embora nenhuma pesquisa sobre os resultados da novidade tenha sido feita, é consenso que se trata de uma ferramenta eficaz.

Que o diga o produtor paulistano Eduardo Sallouti. Dois meses atrás, ele estacionou em frente à Praia das Astúrias para surfar. Como de hábito, escondeu a chave do carro sobre uma das rodas. Minutos depois, uma quadrilha furtou o veículo, recuperado logo em seguida. A ação dos bandidos estava sendo acompanhada pela polícia. “Sabendo da existência das câmeras, eu me sinto protegido para voltar a surfar no mesmo trecho”, diz Sallouti. A estratégia para debelar a criminalidade no verão, quando 1,5 milhão de pessoas costumam aportar nas praias do Guarujá, já está traçada: nesse período, o número de policiais militares na cidade deverá saltar de 350 para 750. A presença das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e o uso de helicópteros também estão prometidos.

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Centro de observação da guarda municipal: big brother (Foto: Mario Rodrigues)

Bandidagem à beira-mar

A taxa de ocorrências policiais por 100 000 habitantes registradas no Litoral Sul em 2009, em comparação com os índices da capital

 FIQUE ESPERTO!

Algumas dicas de segurança recomendadas a quem planeja descer a serra

Boa parte dos surfistas costuma esconder a chave do veículo sobre uma das rodas para não molhá-la. Mas o esconderijo não é segredo para ninguém. Muito menos para os bandidos

■ Antes de entrar no carro, principalmente à noite, observe se alguém está de olho em você. Na dúvida, aguarde o suspeito ir embora ou chame a polícia

■ Muitos assaltos no Guarujá são cometidos perto de semáforos. Em caso de congestionamento, tranque as portas, feche os vidros e evite parar o carro muito colado ao da frente — ao perceberem que você não está encurralado no trânsito, os criminosos podem desistir da ação

■ Evite ir à praia com bolsas e mochilas, pois podem aguçar a curiosidade de ladrões mesmo estando quase va zias. Recomenda-se deixar joias e celulares em casa

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO