Moda

Grifes que surgiram de feiras de rua como a da Benedito Calixto

Estilistas que tinham pequenos estandes agora abrem lojas próprias

Por: Lívia Roncolato

Paloma de Moraes estilista  feiras para loja ed. 2347
Paloma de Moraes, da Minha Mãe que Fez: quatro unidades na capital (Foto: Lucas Lima)

A empresária Eunice de Menezes Navarro, de 53 anos, entrou no mundo da moda de forma modesta em 2006, vendendo vestidos com ar retrô na feira do Shopping Center 3, na Avenida Paulista. Eles eram inspirados nas peças que costumava fazer para suas duas filhas. Depois de um tempo, com o sucesso das vendas, a família toda, incluindo o marido, Gilberto Navarro Modesto, um ex-assistente de laboratório de usina de açúcar, começou a trabalhar no negócio. Alguns meses depois do início, o estande deu origem à grife Minha Mãe que Fez. “O nosso nicho trabalha com peças de toque artesanal”, afirma Eunice.

Essa marca oferece atualmente cinquenta itens, a exemplo de vestidos, saias e camisas, todos com estilo vintage. A primeira loja foi inaugurada no bairro da Vila Mariana, onde também estão localizados a fábrica e o escritório. Hoje, existem três filiais. A mais recente delas surgiu no mês passado, também no mesmo bairro da Zona Sul. Trata-se de um ponto com 20 metros quadrados, resultado de um investimento inicial de 82 000 reais. “Nos primeiros dias, o movimento esteve acima do esperado”, comemora Paloma de Moraes, vendedora do estabelecimento, que tem recebido cerca de 1 000 pessoas por dia.

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Assim como ocorreu com a Minha Mãe que Fez, outros pequenos estandes de mercados de rua estão se transformando em pontos próprios de venda na cidade (confira na próxima página algumas ofertas desses estabelecimentos). Feirinhas de moda são conhecidas por dar aquele empurrão inicial. As empresas que administram os espaços de até 12 metros quadrados em tais lugares cobram em média 1 500 reais pelo aluguel mensal. O investimento compensa pelo volume de público. A Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, onde brechós convivem com a oferta de antiguidades como brinquedos e móveis, recebe cerca de 2 000 pessoas por sábado. “Quem está ali ganha visibilidade”, diz Valdir Cardozo Lima, dono da Thádiva, que conta, desde 2005, com uma loja na Vila Mariana.

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A Benedito Calixto: cerca de 2 000 pessoas por sábado (Foto: Divulgação)

“Cultivei nas feiras fregueses que me procuram hoje no endereço fixo.” Sua especialidade são os calçados femininos feitos de couro. As peças custam, em média, 300 reais. Alguns dos empreendedores, mesmo depois que abrem suas lojas, continuam atuando nos mercados de rua. “Meu estande na Benedito Calixto representa ainda 70% do faturamento da marca”, justifica Paulo Roberto dos Santos, da Kosmik, que oferece artigos como camisas e bermudas. Desde 2009, ele dispõe também de um endereço na Bela Vista.“Funciona como um local onde as pessoas podem me encontrar”, explica Santos.

A empresária Kelly Cristina Teixeira, proprietária da Bendita Maria, focadaem peças femininas, segue estratégia semelhante. Há dois endereços de sua grife na Rua Augusta, abertos há cerca de um ano. Apesar disso, ela continua dandoexpediente aos sábados na Benedito Calixto em uma banca de 6 metros quadrados.“Chego a faturar 3 000 reais por dia em Pinheiros”, conta Kelly. “Muita gente sai de lá louca para conhecer as novidades da loja.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO