Futebol

Grêmio Osasco compra clube e leva vaga na primeira divisão

Ao comprar o Audax, que pertencia ao Grupo Pão de Açúcar, a diretoria conquistou o direito de subir à primeira divisão

Por: Breiller Pires

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A modelo Nayara Perassoli: chance de participar do Gatas do Paulistão (Foto: Lucas Lima)

Fundado em dezembro de 2007, o Grêmio Osasco experimentou uma ascensão meteórica no início de sua trajetória, conquistando dois acessos seguidos no Campeonato Paulista de futebol: da quarta divisão para a terceira, em 2008, e da terceira para a segunda, em 2009. O promissor time do município de 670 000 habitantes da Grande São Paulo, no entanto, empacou nos últimos anos. Em maio, ao terminar a competição em um modesto 11º lugar, perdeu mais uma vez a chance de subir e chegar ao principal campeonato do futebol do estado em 2014, ao lado de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos, entre outros. Mas o desânimo pelo resultado logo deu lugar a um clima de euforia. Ao comprar por um valor estimado em 30 milhões de reais um clube da capital, o Audax, que pertencia ao Grupo Pão de Açúcar, a diretoria da equipe levou, de brinde, o prêmio que não conquistou dentro do campo: o direito de subir à primeira divisão.

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O time (de vermelho): folha salarial de 50 000 reais (Foto: Luís Pires)

Na noite do último dia 20, o presidente Lindenberg Pessoa ganhava tapinhas nas costas e não desgrudava do celular após anunciar a aquisição do Audax, que conquistou o acesso à série A1 neste ano. “Só falta receber ligação do Obama, hein?”, brincou um assessor, a respeito do assédio ao dirigente. O evento na prefeitura do município teve até uma cerimônia de “casamento” entre o ex-jogador corintiano Vampeta, vice-presidente do clube, e uma modelo, para simbolizar a união futebolística. Com o acordo, o time passou a se chamar Grêmio Esportivo Osasco Audax. O investimento foi bancado pelo empresário Mário da Silveira Teixeira, membro do conselho administrativo do Bradesco e mecenas da agremiação. De seu bolso também sai o dinheiro para contratações e o pagamento da folha salarial dos jogadores, estimada em 50 000 reais. “Não compramos a vaga, fizemos uma aliança para formar atletas e cidadãos”, alega Pessoa. 

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O ex-jogador Vampeta, vice-presidente do clube: panos quentes nos ânimos exaltados (Foto: Luís Pires)

A torcida está vendo com desconfiança a manobra. A primeira partida após o anúncio do negócio, disputada no domingo (22) contra o São Bernardo, pela Copa Paulista, foi marcada por gritos de protesto nas arquibancadas do Rochdale, o estádio municipal de Osasco. “A gente queria subir no campo. Dinheiro não compra amor à camisa”, criticava Artur Silva, líder da organizada Osasquebra. “Ver o time na primeira divisão me pegou de surpresa”, confessou Wilson Gonçalves, torcedor folclórico que fica o jogo inteiro correndo de um lado para o outro à beira do alambrado. Os cartolas passaram os últimos dias tentando apaziguar os ânimos. “No futebol nada é unânime, o importante é que a cidade terá um clube na Série A1 pela primeira vez”, defende Vampeta.

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O folclórico torcedor Wilson Gonçalves: surpreso com o acesso (Foto: Lucas Lima)

Na fracassada campanha de 2013 na Série A2 (nome oficial da segunda divisão), a diretoria apostou em alguns veteranos: contratou os atacantes Dodô (39 anos) e Viola (44), além do técnico Baltemar Brito, ex-auxiliar do consagrado José Mourinho no Porto e no Chelsea, mas não chegou às finais. Hoje sua principal estrela é o goleiro Yamada, revelado pelo Corinthians no fim dos anos 90. O salário somado do elenco é dez vezes inferior ao de uma estrela como o meia Valdivia, do Palmeiras.

Mas a expectativa de enfrentar os grandes paulistas já mexe com o clube e a vizinha cidade. O novo projeto de iluminação do estádio vai custar 500 000 reais, bancados pela Eletropaulo. Em novembro, as luzes devem ser acesas. A prefeitura de Osasco promete pelo menos 1 milhão de reais até o fim do ano para fazer outras melhorias no Rochdale, com capacidade para 15 000 torcedores, e no centro de treinamento. “Só vamos melhorar o espaço público, e não contratar jogador”, afirma o prefeito Jorge Lapas. Mesmo modesto, o campo nunca ficou cheio. A média de público do Grêmio na Copa Paulista é de escassos 300 pagantes por partida. Até quem não está envolvido diretamente com a administração da equipe pretende colher vantagens. Miss Osasco, a modelo Nayara Perassoli, de 21 anos, espera alavancar a carreira. “Sou palmeirense, mas se o Verdão vier aqui vou torcer para a equipe da casa”, promete. No próximo ano, ela deseja envergar a camisa do Grêmio no Concurso Gatas do Paulistão, em que cada um dos vinte times da primeira divisão tem uma representante na disputa que elege a mais bela de todas por voto popular na internet.

> Vira-Casaca F.C.

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(Foto: Divulgação)

O futebol paulista presenciou outros casos recentes de troca do nome de times. Ao se mudar para Presidente Prudente em 2010, após acordo com a prefeitura local, o Grêmio Barueri foi rebatizado de Grêmio Prudente. Amargou dois rebaixamentos e voltou à cidade de origem, e à alcunha anterior, em 2011. Situação semelhante passou o Campinas, fundado pelos ex-jogadores Careca e Edmar. Em 2010, ele foi vendido e incorporado ao Sport Barueri, criado pela prefeitura do município para substituir o clube transferido para Presidente Prudente.

Fonte: VEJA SÃO PAULO