Gastronomia

Restaurantes aumentam a taxa de serviço para até 13% da conta

Novos porcentuais passam a ser adotados em locais de tíquete médio mais baixo e assustam clientes

Por: Fábio Galib - Atualizado em

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O Galeto’s, no Itaim: aumento a partir deste mês em toda a rede (Foto: Ricardo D'Angelo)

Era para ser apenas mais um jantar de domingo no restaurante Galeto’s do Shopping Pátio Higienópolis. Mas, ao pedir a conta, duas semanas atrás, o empresário Antonio Carlos Vendrame teve um pequeno susto. Em vez dos habituais 10% de taxa de serviço, foram cobrados 13%. “Acabei sendo pego de surpresa, pois não fui comunicado da mudança”, afirma.

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O aumento do porcentual ocorreu no início do mês de novembro nos dez endereços da rede na cidade. “Devido aos encargos gerados por um acordo recente entre os sindicatos do nosso setor, tivemos de reajustar o valor”, afirma Leonardo Paleari, gerente de marketing da cadeia. O executivo se refere à norma definida em julho por dois sindicatos de São Paulo, o dos funcionários e o dos donos de bares e resturantes, que regulamenta o negócio. Segundo ela, recomenda-se cobrar entre 10% e 15% de serviço, com um repasse de 65% a 80% do total recolhido aos empregados. Alguns proprietários cobravam a taxa e embolsavam o dinheiro, deixando garçons e maîtres a ver navios.

Com isso, a tendência é que valores acima de 10%, antes restritos a casas refinadas, como La Tambouille e Fasano, comecem a se propagar entre os locais de tíquete médio mais baixo. Além do Galeto’s, outro exemplo é o Jamie’s Italian, do chef celebridade inglês Jamie Oliver, aberto em março deste ano e que propõe 12%. Bares também vêm adotando a prática, caso do Bar da Dona Onça e do recém-inaugurado A Casa do Porco. “Pagamos todos os encargos trabalhistas”, justifica a chef Janaína Rueda, que, junto do marido, Jefferson, se reveza nas duas badaladas casas, nas quais atua uma brigada de 124 funcionários. “Isso nos possibilita ter pessoas melhores trabalhando ao nosso lado. E, se o cliente é bem atendido, ele não reclama.”

Apesar de não ser compulsória, a taxa de serviço é um assunto que sempre rendeu muito pano para mangas. Segundo Percival Maricato, presidente em São Paulo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), não se pode impor nada ao freguês. “A última palavra com relação ao valor da cobrança deve ser do cliente”, afirma.

 

Além dos 10%

Confra o porcentual sugerido em alguns endereços da cidade

› 11%: Badebec

› 12%: Cantaloup, D.O.M., Dalva e Dito, Emiliano, Empório Ravioli, Jamie’s Italian, La Madonnina Ravioli, Ristorantino e Shintori

› 13%: Alucci Alucci, Arola Vintetres, Bar da Dona Onça, A Casa do Porco, Era uma Vez um Chalezinho..., Fasano, Freddy, Galeto’s, La Tambouille e Parigi Bistrot

Fonte: VEJA SÃO PAULO