Televisão

Globo faz réplica da Mooca para o remake de "Guerra dos Sexos"

Emissora recrutou um time de cenógrafos para recriar o bairro paulistano no Projac

Por: Felipe Caruso

Mooca cenográfica criada pela Globo - ed. 2286
A vila do Projac: dez sobrados geminados (Foto: Felipe Fittipaldi)

Exibida em 1983, “Guerra dos Sexos” foi um dos grandes sucessos na história da Rede Globo na faixa das 19 horas. Com Fernanda Montenegro e Paulo Autran encabeçando o elenco, a novela trazia um forte sotaque paulistano e várias de suas cenas externas eram ambientadas numa vila da Mooca, na Zona Leste. “Depois que a novela virou sucesso, tínhamos de fazer um cordão de isolamento para impedir a aproximação dos curiosos durante os trabalhos”, lembra Silvio de Abreu, autor do folhetim e também o responsável pelo remake, que está sendo gravado no Rio de Janeiro e irá ao ar a partir do próximo mês, no mesmo horário anterior.

Gravações da novela guerra dos sexos - Ed. 2286
O diretor Jorge Fernando (à esq.) nas gravações: aulas de sotaque paulistano (Foto: Felipe Fittipaldi)

Desta vez, com o objetivo de agilizar e simplificar as gravações, a emissora resolveu recriar o ambiente dentro do seu complexo de estúdios, o Projac. Durante quatro meses, um grupo de mais de uma dezena de profissionais construiu dez sobrados geminados em estilo eclético, com características do barroco, neoclássico e do colonial brasileiro. Todos no entorno de uma praça. “Difícil encontrar na Mooca de hoje um edifício que esteja conforme a planta original, pois sempre há uma interferência moderna”, explica Eliane Heringer, da equipe de quatro cenógrafos que assina o projeto. “Tentamos recriar por aqui essa miscelânea arquitetônica.” As residências são muito parecidas, exceto pelas fachadas.

O autor Silvio de Abreu no cenário de gravação da novela "Guerra dos Sexos" - Ed. 2286
O autor Silvio de Abreu: sugestões para o acabamento da ambientação (Foto: Felipe Fittipaldi)

A do personagem Ulisses, um lutador de MMA (interpretado por Eriberto Leão), recebeu pintura azul e a de uma vizinha levou um acabamento de ladrilhos. Pedido específico de Silvio de Abreu, as calçadas também sofreram intervenções dos moradores fictícios, com emprego de materiais como cerâmica e pedra portuguesa, entre outros.

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Uma bandeira do Brasil pintada no chão, com aspecto desgastado de reminiscência de uma Copa do Mundo, cartazes e pichações com a tipografia típica encontrada nas ruas de São Paulo completam a ambientação.

Gravações da novela guerra dos sexos: a cenógrafa Eliane Heringer - Ed. 2286
A cenógrafa Eliane Heringer: miscelânea arquitetônica (Foto: Felipe Fittipaldi)

Assim como na primeira edição do folhetim, o núcleo mooquense concentra personagens como a feirante Nieta e o motorista Nando, interpretados por Drica Moraes e Reynaldo Gianecchini, ambos em sua primeira novela depois da recuperação de tratamentos de câncer (ela enfrentou uma leucemia, enquanto ele sofreu com um tumor no sistema linfático). “Quem já ralou muito na vida está escalado no elenco dos pobres da vila”, brinca Drica.

Nascida no Rio, ela vem se encontrando com uma fonoaudióloga para treinar o desprezo aos plurais e a fala cantada. O objetivo é recriar o sotaque típico do bairro, o “mooquês”. Mas sem exageros. “Queremos fazer uma coisa mais sutil, que não soe muito forçada”, diz Silvio de Abreu.

Fonte: VEJA SÃO PAULO