Saúde

Gildo Moreira Souto: perdeu os pulmões no trabalho

Pedreiro foi diagnosticado por médico que circulava por acaso em corredor de hospital

Por: Daniel Bergamasco - Atualizado em

Gildo Moreira Souto - edição 2239
Gildo Moreira Souto, 37 anos: “Se subisse uma escada, morreria” (Foto: Mario Rodrigues)

“Nasci em Planalto, no interior da Bahia, e vim para São Paulo aos 18 anos, pelo mesmo motivo que todo mundo vem: para ter uma vida melhor. Arrumei emprego de pedreiro e, embora morasse em São Miguel Paulista, na Zona Leste da cidade, trabalhava muito no Morumbi e em Alphaville. De vez em quando, a empresa para a qual eu trabalhava, que já fechou as portas, me mandava limpar tanques de enxofre na indústria. Eu usava aquela máscara de feltro, que não protege tanto. Segundo os médicos, foi isso que causou uma fibrose no meu pulmão. Quando me contaram sobre a doença, entendi por que eu vivia sem fôlego. Estava num estágio tamanho de fraqueza que, se subisse uma escada, morreria. Consultei vários especialistas de posto de saúde, tomei remédio contra tuberculose durante quatro meses. Um dia, num hospital, um médico que circulava ali por acaso ouviu minha tosse no corredor e me chamou. Mandou eu fazer exame e me diagnosticou corretamente. Foi um anjo. Passei a viver preso em tubos de oxigênio, daqueles grandões, de uns 40 litros. Ficava conectado a eles por uma mangueirinha que ia direto no meu nariz e, assim, podia andar pela casa inteira. Quando me ligaram anunciando que era minha vez de ser operado, foi uma maratona. Cheguei ao hospital praticamente sem fôlego. O funcionário da farmácia em frente de casa me deu carona até o ponto de ônibus. De lá, fui até a Estação Itaquera do metrô e depois ao Hospital das Clínicas. Tinha duas horas para chegar, caso contrário perderia a chance. Foi tudo corrido. Levei uma hora e quarenta minutos. Deu certo. Me aposentei e só viajo se avisar os médicos, porque, se passar mal, preciso do pessoal daqui. Moro sozinho e até gosto de São Paulo, mas tudo o que eu queria, hoje, era poder voltar a morar na Bahia.”

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Fonte: VEJA SÃO PAULO