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3 perguntas para...German Lorca

Um dos mais influentes nomes da fotografia brasileira do século XX fala sobre sua carreira

Por: Jonas Lopes - Atualizado em

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(Foto: Mario Rodrigues)

Ao lado de Thomaz Farkas e Geraldo de Barros, de quem foi grande amigo, o paulistano German Lorca é o mais influente nome da fotografia brasileira no século XX. Fotógrafo das comemorações do quarto centenário de São Paulo, em 1954, Lorca segue na ativa aos 87 anos. Ele conversa com animação sobre a carreira e explica em detalhes, enquanto manipula um moderno notebook, a origem de cada uma de suas imagens mais famosas. Ligado à evolução da técnica fotográfica (hoje usa uma câmera digital), Lorca tem sua produção relacionada à de jovens como Cris Bierrenbach e Tuca Vieira na mostra ‘Do Espaço Estilhaçado’, em cartaz na loja Micasa.

Qual é a principal qualidade de um bom fotógrafo?

A capacidade de perceber e capturar a imagem no ar, pois as fotos acontecem aos nossos olhos o tempo todo. Mas é preciso estar atento, senão elas se perdem. O fotógrafo faz a cena existir ao registrá-la e imortalizá-la. Algumas das minhas melhores imagens surgiram sem querer, enquanto eu realizava algum trabalho jornalístico ou publicitário.

Tem boas lembranças do início do Foto Cine Clube Bandeirantes, um dos clubes de fotografia pioneiros e mais importantes da cidade?

Muitas. Devido aos concursos mensais que eram organizados, havia uma competição muito saudável entre nós. Saíamos juntos para as excursões do clube, em uma atmosfera criativa. Fotografia ainda era algo pouco praticado, os museus raramente faziam exposições. Só fomos conhecer Cartier-Bresson mais tarde, em revistas e livros estrangeiros. E quebrávamos barreiras aos poucos: a primeira foto tremida que o Geraldo de Barros apresentou foi recusada no concurso. Apenas mais tarde a falta de foco passou a ser compreendida e aceita no meio artístico.

O que acha das câmeras digitais?

Hoje minhas Leicas estão guardadas, tenho usado apenas uma digital para fazer fotos coloridas de Moema, onde moro. Elas representam o avanço da fotografia, e não um retrocesso, como algumas pessoas reclamam.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO