Crime

Torcedor que assumiu a culpa na morte de boliviano ganha cargo na Gaviões

O corintiano Helder Alves Martins está desde agosto de 2014 no departamento de bandeiras, segundo integrantes da torcida organizada ouvidos por VEJA SÃO PAULO

Por: Adriana Farias - Atualizado em

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Helder Alves Martins deixa o Fórum de Guarulhos, após prestar depoimento em 2013: rapaz ocupa cargo no departamento de bandeiras da Gaviões, segundo associados (Foto: Jorge Araújo/Folhapress)

O jovem paulistano que assumiu a culpa pelo disparo do sinalizador que matou um torcedor do time boliviano San Jose em Oruro, em uma partida contra o Corinthians na Bolívia pela Copa Libertadores 2013, assumiu o comando do departamento de bandeiras da Gaviões da Fiel. A notícia foi divulgada pelo Blog do Curioso, do jornalista Marcelo Duarte. Anonimamente, um repórter da página passou a tarde da última quinta-feira (22) na sede da torcida organizada. Ele constatou que o rapaz lidera um grupo de oito garotos, de 14 a 18 anos. A informação foi confirmada a VEJA SÃO PAULO por integrantes da entidade. A diretoria, porém, nega.

Helder Alves Martins, que tem atualmente 19 anos, era menor na época. Ele não sofreu punição judicial e o processo foi arquivado em agosto de 2013 pela Justiça brasileira. A versão sempre foi cercada de polêmica, pois outros dois corintianos haviam sido apontados pela polícia boliviana como autores do disparo. A vítima foi o garoto Kevin Spada, de 14 anos.

Martins chegou a ficar afastado por mais de um ano da Gaviões. De acordo com os associados da torcida, o rapaz retornou em agosto do último ano no comando do departamento de bandeiras, posição de muito destaque conferida a membros importantes da torcida. Nessa função, é responsável por organizar, preservar e fazer a segurança das faixas e flâmulas.

Procurada, a assessoria de imprensa da Gaviões negou que ele ocupe o cargo, mas não forneceu o nome do atual responsável pelo departamento de bandeiras. Confirma apenas que o rapaz participa normalmente das atividades da agremiação. Advogado da entidade e responsável por defender Martins na época, Ricardo Cabral informou que não se manifestará sobre o assunto.

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Martins, que atuou até há pouco tempo como atendente em uma rede de cinemas de São Paulo, não foi localizado. 

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Corintianos libertados na Bolivia
O momento da libertação de sete corintianos em Oruro, na Bolívia, em junho de 2013 (Foto: Divulgação)

O caso

Em fevereiro de 2013, o boliviano Kevin Spada morreu ao ser atingido por um tiro de sinalizador disparado pela torcida do Corinthians em partida contra o San Jose. Doze torcedores ficaram detidos na Bolívia.

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Após uma longa negociação envolvendo dirigentes do clube, políticos e integrantes da embaixada brasileira, os corintianos foram liberados. Sete deixaram a Bolívia em junho de 2013. Os outros cinco permaneceram detidos por mais dois meses antes de voltarem para o Brasil.

À época, Helder estava com 17 anos e assumiu a autoria do disparo quando desembarcou em São Paulo.

Fonte: VEJA SÃO PAULO