Consumo

Galeria no Centro é um paraíso para os fãs de vinis

Lojas vendem bolachões que podem custar até 3 mil reais

Por: Marcos Sergio Silva - Atualizado em

A fotógrafa Sabrina Prado-2247
A fotógrafa Sabrina Prado: coleção de rock e jazz (Foto: Mario Rodrigues)

Dona de uma respeitável coleção com cerca de 500 bolachões, como são chamados carinhosamente os antigos discos de vinil, a fotógrafa e designer Sabrina Prado, de 31 anos, costuma procurar peças de rock e de jazz para aumentar seu acervo na meca paulistana dos adoradores de LPs: a galeria Nova Barão, no centro, na passagem entre as ruas Barão de Itapetininga e Sete de Abril. “Fiquei sabendo do lugar nas redes sociais da internet e me interessei em conhecê-lo, pois quase todos os itens vendidos são originais”, conta ela, que se tornou habituée de lá desde 2009. Vários endereços da metrópole têm boas ofertas do gênero, mas nenhum concentra tantas lojas.

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Espalhados pelos dois andares do prédio, em corredores a céu aberto, existem hoje por ali catorze estabelecimentos comercializando raridades que podem alcançar preços de até 3.000 reais. A galeria nasceu na década de 50. Inicialmente, era especializada na venda de pedras preciosas e nos serviços de salões de beleza, entre outros. Alguns deles ainda sobrevivem. A turma da música começou a chegar muito tempo depois, no fim dos anos 90, quando vários comerciantes foram despejados de uma galeria vizinha. Parte do grupo migrou para a Nova Barão, dando início à atual vocação do lugar. Embora estejam na moda lançamentos em vinil de bandas do momento, os lojistas se concentram mesmo nas raridades, faturando com títulos prensados há mais de quatro décadas. “Aqui, um álbum vira raro quando começam a comentar muito, principalmente em sites estrangeiros”, afirma Carlos Galdy Silveira, proprietário da Disco Sete, que reúne uma das melhores coleções. Seus cerca de 1.500 discos estão divididos entre música brasileira, soul e funk.

 

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Silveira, da Disco Sete: 1.500 discos entre música brasileira, soul e funk (Foto: Mario Rodrigues)

Ali por perto funciona a Big Papa Records, um dos points mais frequentados, graças em grande parte à simpatia dos donos, o cubano Carlos Suárez de La Fuente e sua mulher, Katia Maria Pimentel, e também a uma heterodoxa política de descontos. Mulheres, por exemplo, pagam 25% a menos. Artistas têm um alívio de 30%. E qualquer boa compra ganha sempre um abatimento generoso no fim. O ambiente é decorado com um painel pintado da dupla de proprietários ao lado do multi-instrumentista Hermeto Pascoal. Desde o ano passado os lojistas patrocinam uma happy hour com som ao vivo na galeria, estrelada pelo guitarrista de blues André Christovam. “Eles me tratam bem como cliente e eu retribuo a atenção dando uma canja”, conta o músico.

 

Big Papa Records
Katia e La Fuente, da Big Papa Records: uma das catorze lojas do gêneroque dividem o espaço, que tem até uma happy hour com música ao vivo às sextas (Foto: Mario Rodrigues)

Os estabelecimentos deram origem também a duas feiras de LPs que atualmente se revezam na cidade, sem periodicidade definida. Uma delas é tocada pela turma da Locomotiva Discos. Funciona desde o fim do ano passado e tem um perfil mais moderno — vende camisetas e álbuns de bandas recentes. A outra acontece no Paribar, o clássico boteco na Praça Dom José Gaspar reaberto em 2010. O evento surgiu pelas mãos do casal Big Papa.

As pérolas da Barão

Algumas das preciosidades encontradas na galeria

Mario Rodrigues
'Coisas' de Moacir Santos-2247
Coisas, de Moacir Santos, lançado em 1965, sai em torno de 2 000 reais (Foto: Mario Rodrigues)
"Coisas", de Moacir Santos, lançado em 1965, sai em torno de 2.000 reais

 

Mario Rodrigues
'A Máquina', do grupo Rai-2247
''A Máquina'', do grupo Rai, raridade dos anos 70, custa 1000 reais (Foto: Mario Rodrigues)
"A Máquina", do grupo Rai, raridade dos anos 70, custa 1.000 reais

 

Mario Rodrigues
Obra do Módulo 1000-2247
Obra do Módulo 1000, gravada em 1971, pode atingir cotação de 3.000 reais (Foto: Mario Rodrigues)
Obra do Módulo 1000, gravada em 1971, pode atingir 3.000 reais

 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO