Noite

Funk invade casas de sertanejo universitário e baladas de classe média

Gênero musical também ganha liga de empresários, liderada por Marcelo Galático

Por: Jussara Soares - Atualizado em

Pancadão de botas
Bloco Carrossel de Emoções, na Outlaws: funk e marchinha de Carnaval (Foto: Ricardo D'angelo)

Um dos templos do sertanejo universitário na capital, o Brook’s Bar, em Santo Amaro, costuma receber jovens paulistanos de classe média alta adeptos da moda de viola moderninha. Nos últimos três meses, no entanto, a casa vem destinando espaço em sua agenda para alguns dos expoentes do funk, depois de o ritmo se tornar uma febre entre seus frequentadores. Em junho, MC Koringa e MC Bola se apresentaram ali diante de 1 100 pessoas, com bilheteria 40% maior que a média dos demais shows. “Além do sucesso entre nosso público tradicional, estamos atraindo os garotos do funk ostentação, que usam correntes de ouro e gastam bem além da consumação mínima”, comemora o empresário Gustavo Medlan, dono do estabelecimento. “Esse estilo se tornará mais frequente por aqui.” 

O Brook’s não é o único point dos adeptos das botas e dos chapéus que adere ao pancadão. O Villa Mix, na Vila Olímpia, passou a apostar no filão em janeiro, quando o show do carioca Naldo Benny, cujo cachê ultrapassa os 100 000 reais, teve lotação esgotada com 1 500 ingressos vendidos — outras 1 000 pessoas ficaram do lado de fora. O sucesso é comparável apenas às apresentações da dupla sertaneja Jorge & Mateus, a dona da balada. “As pessoas estão mais ecléticas; não têm preconceito musical”, acredita o sócio André Rubini, proprietário também da Royal Club, na Vila Olímpia, outra que abriu seus microfones para o funk. Lá, após a temporada do Baile da Anitta nas terças de julho, o gênero passará a ter espaço cativo aos domingos, com shows já confirmados de Naldo (18) e Buchecha (25). Esse último, aliás, é presença constante na Outlaws, nos Jardins, desde dezembro do ano passado, ao receber convidados às quintas para o Baile do Buchecha, por onde circulam 1 200 pessoas, quase o dobro do habitual. Neste mês, o local, que dedica o sábado ao sertanejo, recebe o bloco Carrossel de Emoções, que mistura funk dos anos 90 com marchinha de Carnaval.

Buchecha
O cantor Buchecha: show na Royal no domingo (25) (Foto: Divulgação)

O recente interesse dos donos das baladas pelo ritmo não é apenas paraatender ao desejo da turma que quer dançar até o chão. Trata-se de um negócio mais lucrativo. “As bilheterias são semelhantes, mas apresentações de funk são mais baratas, pois exigem apenas quatro pessoas: o cantor, o DJ e dois produtores”, explica o empresário Marcelo Rocha Anastácio, que produz cerca de trinta shows do estilo por mês na capital e gerencia a carreira de Valesca Popozuda. “No caso do sertanejo, em geral há uma banda, e a equipe de apoio é bem maior.” Conhecido no meio como Marcelo Galático, ele realizou alguns dos primeiros bailes na cidade, há mais de dez anos, e é um exemplo da ascensão que o gênero proporcionou a vários de seus profissionais.

Nascido em São Miguel Paulista, na Zona Leste, hoje mora em um condomínio em Arujá, na Grande São Paulo, e gaba-se de ter viajado recentemente para os Estados Unidos e a Europa. Em novembro, Anastácio criou a Liga do Funk, uma associação de empresários, produtores, DJs e MCs cujo objetivo é melhorar a imagem do ritmo, ainda associado à violência, e profissionalizar quem trabalha na área. Uma das primeiras ações da entidade foi uma parceria com a prefeitura no projeto Território Funk, que leva artistas famosos para apresentações na periferia. As primeiras foram realizadas em julho no Grajaú e no Capão Redondo, ambos na Zona Sul.

Marcelo Galático Liga do Funk
O empresário Marcelo Galático, no Club A: o criador e presidente da Liga do Funk (Foto: Ricardo D’angelo)

Black Bom Bom. Rua Luís Murat, 370, Jardim das Bandeiras, ☎ 3813-3365. Quinta e sábado, 23h30. R$ 10,00 a R$ 80,00.

Cabaret. Rua Quintana, 765, Cidade Monções, ☎ 5505-6886. Quarta, 23h30. R$ 40,00 a R$ 80,00.

Club A – Trance Club. Alameda dos Aicás, 1642, Moema, ☎ 5561-6155. Sábado, 23h. R$ 20,00 a R$ 60,00.

Eazy. Avenida Marquês de São Vicente, 1767, Barra Funda, ☎ 3611-3121. Segunda, 23h30. R$ 20,00 a R$ 100,00.

Outlaws. Rua Augusta, 2805, Jardins, ☎ 3062-8575. Quinta, 23h. R$ 40,00 a R$ 60,00.

Royal Club. Rua Quatá, 460, Vila Olímpia, ☎ 3044-5969. Domingo, 22h. R$ 50,00 a R$ 100,00.

Fonte: VEJA SÃO PAULO