Sem folia

Para fugir do samba na terça (21): cinema

Quatro filmes para você sair do clima de Carnaval

Por: Redação VEJINHA.COM

O Homem que Mudou o Jogo
'O Homem que Mudou o Jogo': drama estrelado por Brad Pitt e Jonah Hill (Foto: Divulgação)

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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: Quando foi anunciado que Clint Eastwood faria uma biografia de J. Edgar Hoover (1895-1972), especulou-se que o diretor traria à tona o até então obscuro lado homossexual do chefão do FBI. Discreto na abordagem, Eastwood não se furta a tocar no delicado assunto neste drama. Em muitos momentos, é possível enxergar no belo roteiro de Dustin Lance Black (vencedor do Oscar por “Milk”) uma velada e comovente história de amor entre Hoover e seu fiel parceiro de investigações, Clyde Tolson (vivido pelo bonitão Armie Hammer, intérprete dos gêmeos de “A Rede Social”). O máximo da ousadia, no entanto, é beijo na boca à força entre os personagens. Na melhor atuação de sua carreira, que a Academia de Hollywood absurdamente ignorou no Oscar, Leonardo DiCaprio faz o protagonista da juventude até a morte, aos 77 anos — fruto de um espetacular trabalho de maquiagem. A trama tem início com Hoover ainda rapazinho e empenhado no trabalho — ele começou como bibliotecário do Congresso Americano. Em sua primeira conquista amorosa, levou um fora de Helen (Naomi Watts), mas transformou-a em sua secretária ao ser nomeado assistente do diretor do FBI. Nas décadas de 20 e 30, já no posto principal, havia comprado briga com imigrantes comunistas e dado início a uma caça a lendários bandidos, como Dillinger e Baby Face. Reprimido por uma mãe dominadora (Judi Dench), Hoover mantinha a pose de líder e homem forte da lei. Eastwood expõe não só essa imagem de durão, mas também a de uma pessoa solitária, frágil e indisposta com seus reprimidos desejos. Estreou em 27/01/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: A dupla de diretores dos dois "Adrenalina" (2006 e 2009) e de "Gamer" (2009) está por trás da segunda aventura do personagem dos quadrinhos criado pela Marvel. Isso quer dizer que há mais ação e menos humor se comparado ao episódio original. A plateia anda correspondendo à altura da barulheira: mais de 2 milhões de espectadores bateram ponto nos cinemas, número muuuito superior aos de "O Artista" e "A Invenção de Hugo Cabret", os grandes vencedores do Oscar 2012. Ainda mais canastrão, Nicolas Cage retorna à pele de Johnny Blaze, agora refugiado no Leste Europeu. Para se livrar da maldição que o torna o incendiário Motoqueiro Fantasma, aceita buscar um menino (Fergus Riordan), filho de uma cigana (Violante Placido), para uma seita secreta de monges, liderada pelo sumido ator Christopher Lambert ("Highlander"). Embora o filme seja mais do mesmo, há competentes e aceleradas cenas de perseguição e um bom uso das esplêndidas locações na Capadócia (Turquia). Estreou em 17/02/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: Arrastado drama esportivo que disputou cinco prêmios no Oscar e, sensatamente, saiu de mãos vazias. Trata-se aqui de um assunto real e restrito aos americanos: a volta por cima dada por um time de beisebol em 2002. Brad Pitt atua no piloto automático e, sem brilho nem convicção, interpreta Billy Beane, dirigente do Oakland Athletics, uma equipe que amarga sucessivos fracassos na temporada. Depois de perder três atletas para times mais ricos, Beane contrata o jovem Peter Brand (Hill). Esse nerd formado em Yale possui uma teoria para fazer o Oakland subir no placar. Polêmica, sua fórmula, baseada em números, escolhe principalmente jogadores baratos ou encostados. Ou seja: a relação custo-benefício deverá render bons resultados. Mesmo à revelia do treinador e dos sócios, Beane aceita o desafio proposto por Brand. Estreou em 17/02/2012;
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  • A comédia não chega a ser um desastre completo, mas é muito frustrante, sobretudo pelos nomes envolvidos. No elenco, estão três dos mais ativos e melhores atores jovens do cinema: Selton Mello, Rodrigo Santoro e Cauã Reymond. A direção é de Mauro Lima, do ótimo “Meu Nome Não É Johnny” (2008). Em requintada produção de época, a história ambienta-se em 1963, às vésperas do golpe militar no Brasil. A trama, emoldurada em fotografia ora em preto e branco, ora colorida, acompanha uma série de personagens. Em resumo, trata-se de uma conspiração que o agente da CIA Troy Somerset (Selton Mello), americano radicado em Copacabana, quer desvendar com a ajuda de um major da Aeronáutica (Otávio Müller). Faz parte da jogada uma cantora gaúcha (Rafaela Mandelli), influenciada a participar de um atentado contra o fictício presidente brasileiro. Embora numa caracterização impressionante, deixando-o seboso e feio, Rodrigo Santoro tem um papel dispensável. Cauã, pouco à vontade, surge como um radialista afetado que, a cada transe inexplicável, recebe mensagens em russo. Quem mais entendeu o espírito debochado da coisa foi Selton Mello, radicalizando na atuação caricata. Embora a pretensão seja a do humor popular, o filme abusa do enredo complexo. As piadinhas intelectualizadas também não ajudam na empatia com o espectador. Estreou em 17/02/2012.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO