Sem folia

Para fugir do samba na segunda (20): cinema

Quatro filmes para você sair do clima de Carnaval

Por: Redação VEJINHA.COM

Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres
'Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres': personagens de Rooney Mara e Daniel Craig tentam desvendar um crime (Foto: Divulgação)

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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: A princípio parece um drama, mas não demora para virar um enigmático thriller. Entre o presente e o passado recente, dá para adiantar: o personagem Nick Cassidy (Sam Worthington, o astro de “Avatar”) entra no Hotel Roosevelt, em Nova York, pede um quarto no último andar, uma refeição elegante, escreve um bilhete de despedida, abre a janela e ajeita-se no parapeito do edifício. Lá embaixo, os pedestres vibram diante da iminente queda do suicida. A história, então, retrocede e mostra como Nick chegou a tal ponto de desespero. Preso por ter roubado um diamante de um empresário bilionário (Ed Harris), esse ex-policial foi condenado a 25 anos de cadeia. Ele alega inocência, arranja um jeito de escapar das grades e, no coração de Manhattan, tenta chamar a atenção da mídia. Na chegada dos policiais, Nick faz uma exigência: só trata do assunto com a negociadora Lydia Mercer (Elizabeth Banks). É melhor parar a sinopse por aqui. Quanto menos se revela da trama, mais surpreendente ela fica. Mesmo com enredo improvável e um frouxo confronto final entre vilão e mocinho, proporciona à plateia entretenimento eletrizante em tempo integral. Estreou em 03/02/2012.
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  • Nas duas categorias em que concorria no Oscar 2012, este drama foi merecidamente premiado. Meryl Streep, em sua 17ª indicação (mais um recorde!), Finalmente conquistou sua terceira estatueta — a segunda de melhor atriz. E a maquiagem, tão importante na composição da personagem, foi igualmente laureada. Além da magnífica atuação da estrela na pele de Margaret Thatcher (1925-2013), se mostram surpreendentes a direção da inglesa Phyllida Lloyd (do decepcionante musical Mamma Mia!) e o roteiro de Abi Morgan (de Shame). Nele, Abi não se deteve numa biografia convencional: preferiu recorrer às lembranças da ex-primeira-ministra britânica sob o ponto de vista dela. A trama alterna passado e presente. Flagra Thatcher ainda na juventude (vivida por Alexandra Roach) como uma impulsiva estudante que, em 1959, se elege parlamentar. Em sua escalada política, vira líder do Partido Conservador em 1975 e, quatro anos depois, tornase primeira-ministra, a única mulher nesse cargo na Inglaterra. Suas polêmicas ações no poder também são rememoradas no vaivém da narrativa. No tempo atual, a protagonista, já envergada pela idade, é tomada por lapsos de memória. Tanto na maturidade quanto na velhice da personagem, Meryl mostra uma interpretação extraordinária. Estreou em 17/02/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: A trilogia de livros do escritor sueco Stieg Larsson (1954-2004) já havia sido adaptada pelo cinema de seu país. No Brasil, só foi lançado em 2010 o primeiro longa-metragem, que deu origem a esta refilmagem americana dirigida por David Fincher ("A Rede Social"). Quem viu o original vai notar pequenas alterações, sobretudo no desfecho. Contudo, a estrutura narrativa do drama policial está intacta. Embora o filme tenha um epílogo esticado e uma resolução mais morna do que a da fita sueca, Fincher tem timing e faro para envolver a plateia. Sabe-se lá o motivo, mas a história continua ambientada na Suécia e com atores falando inglês. Daniel Craig vive Mikael Blomkvist, um repórter que caiu em desgraça após ter sido processado por um empresário, difamado por ele na revista Millennium. A fim de sair de cena por um tempo, ele aceita uma missão investigativa: contratado pelo rico industrial Henrik Vanger (Christopher Plummer), o jornalista deverá descobrir o paradeiro de Harriet, uma sobrinha dele, desaparecida quando tinha 16 anos na década de 60. Tateando em terreno misterioso e inseguro, cercado por dissimulados familiares de Vanger, Blomkvist vai precisar de ajuda. Quem deve socorrê-lo é Lisbeth Salander (Rooney Mara), uma hacker tatuada, lésbica e de comportamento inconstante. Indicado a cinco prêmios no Oscar, ficou com o de melhor montagem. Estreou em 27/01/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: A trajetória de prêmios desta comédia dramática começou no Festival de Cannes em 2011, onde Jean Dujardin levou o troféu de melhor ator. As grandes consagrações ocorreram com o César (o principal prêmio francês) de melhor filme e melhor direção, a fita faturou as estatuetas nas mesmas categorias no Oscar, além de também ter sido laureada em melhor figurino, trilha sonora e, novamente, ator. O feito vai entrar para a história como o primeiro filme de língua não inglesa a ganhar os principais prêmios. Motivo: trata-se de uma produção franco-belga, sem diálogos e em preto e branco numa época em que a barulheira, a ação e o cinema 3D dominam o cenário. Mas o que pode parecer monótono ganha interesse a cada minuto. Um roteiro muito simples, com alguns intertítulos e conduzido apenas pela bela música de Ludovic Bource, é desfiado com delicadeza. Nele, enfoca-se a trajetória de George Valentin (Dujardin). Astro de filmes mudos na Hollywood de 1927, Valentin, embora casado, se vê atraído pela dançarina e aspirante a atriz Peppy Miller (a graciosa Bérénice Bejo). A chegada do cinema falado, porém, trará um revés ao destino dos dois. Sem grandes pretensões nem voos altos, o diretor e roteirista Hazanavicius faz uma encantadora homenagem ao cinema, usando referências (talvez a maior delas seja ao clássico “Cantando na Chuva”) e desprezando firulas visuais e artifícios narrativos. Estreou em 10/02/2012.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO