POLÍTICA

Fraude na merenda: preso ex-presidente da Assembleia Legislativa

Leonel Julio e outros seis investigados foram detidos na manhã desta terça (29)

Por: Veja São Paulo

Assembleia Legislativa de São Paulo
Assembleia Legislativa de São Paulo (Foto: Divulgação)

O ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) Leonel Julio foi detido na manhã desta terça (29) sob suspeita de participar do esquema de fraude na merenda das escolas públicas estaduais. Além dele, também foram detidos outros seis investigados, entre eles o presidente da União dos Vereadores do Estado, Sebastião Miziara. Os suspeitos foram alvo da Operação Alba Branca. O deputado Fernando Capez (PSDB), atual presidente da Alesp, também é investigado.

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De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, Leonel Julio, que foi quadro do antigo MDB, presidiu a Casa e foi cassado em 1976 pelo regime militar. Investigadores envolvidos na Alba Branca afirmam que o filho de Julio, Marcel Julio, é um dos mentores da organização. Ele está foragido.

Ainda de acordo com o jornal, os mandados de prisão contra Leonel Julio e os outros seis investigados foram expedidos pela Justiça de Bebedouro. Eles não têm foro privilegiado, como o deputado Fernando Capez. Além de Leonel Julio e Sebastião Miziara, a Justiça mandou prender também Carlos Eduardo da Silva, Aluísio Girardia, Emerson Girardi, Luiz Carlos da Silva Santos e Joaquim Geraldo Pereira da Silva

As investigações também apontam para o envolvimento de Luiz Roberto dos Santos, o Moita, ex-chefe de gabinete da Casa Civil do Governo Geraldo Alckmin.

Entenda o caso

No começo deste ano, uma força-tarefa do Ministério Público e da Polícia Civil revelou que uma máfia da merenda atuaria no governo estadual. No centro das apurações está a Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), com sede em Bebedouro, a 380 quilômetros da capital.

A tese é que a empresa pagou propina a agentes públicos para subfaturar livremente os contratos para a entrega da merenda a escolas de 22 cidades do estado. As investigações mostraram que, em apenas um contrato de 13 milhões de reais, entre 10% e 20% do valor seria destinado a subornos.

Em depoimento à Polícia Civil, Cássio Izique Chebabi, ex-presidente da entidade, disse que o deputado Fernando Capez (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa, era o destinatário de parte do dinheiro. “Segundo ele, outros cinco dirigentes da cooperativa também disseram à polícia que assessores de Capez eram citados em conversas intermediadas por um lobista. “Estou sendo alvo de uma armadilha”, defende-se Capez, que se antecipou à quebra de sigilo bancário e fiscal ao oferecer seus dados à Procuradoria-Geral de Justiça. “Alguém se apresentava como meu intermediário sem que eu tivesse conhecimento disso.”

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO