Especial

Personalidades escolhem a foto mais importante de sua vida

Conheça as histórias que estão por trás de dezesseis cliques memoráveis

Por: Claudia Jordão

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Recordações: momentos que marcaram a vida de dezesseis personalidades (Foto: Veja São Paulo)

Qual é a foto da sua vida? Melhor: se você pudesse congelar um momento e voltar até ele sempre que a saudade batesse, qual seria a sua escolha? Esse foi o desafio proposto por VEJA SÃO PAULO a personalidades de diversas áreas: de ex-presidente da República a jogador de futebol, de arquiteto a coreógrafo, de publicitário a apresentador de TV.

Alguns tinham a resposta na ponta da língua. Outros levaram semanas para eleger a sua imagem do coração. Os momentos da infância aparecem em boa parte dos registros escolhidos, caso do flagrante do atacante Neymar, do Santos, agarrado às costas do pai, e do publicitário Washington Olivetto vestido de pirata.

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Cenas marcantes da carreira profissional também são comuns, como a do dia em que o professor Fernando Henrique Cardoso deu, em 1972, uma palestra para cerca de 1.000 pessoas na Universidade de São Paulo, da qual havia sido aposentado compulsoriamente por perseguição política. “Foi quando comecei a me tornar um líder da oposição”, diz ele.

Conheça abaixo os detalhes dessas e de outras histórias saborosas narradas por seus protagonistas:

Capa 2278 - Neymar
Neymar: jogador de futebol, 20 anos (Foto: Arquivo pessoal / Francisco Cepeda)

“Minha mãe conta que eu passava boa parte do tempo com o meu pai. Ele era jogador de futebol e, quando ia para a concentração, eu ficava olhando pela janela de casa e chorando. Essa foto foi tirada no estádio de Mogi das Cruzes. Eu tinha uns 2 anos de idade e meu pai estava dando uma entrevista. Na época, ele atuava pelo União Mogi. Hoje em dia, acontece o contrário: é ele quem me acompanha nos meus compromissos profissionais.”

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Washington Olivetto: publicitário, 60 anos (Foto: Arquivo pessoal / Gustavo Scatena)

“Eu sou filho de um casal de classe média, do Alto da Lapa, onde na época só havia um matagal. No Carnaval de 1953, minha mãe, Antonia, e minha tia Lígia, irmã do meu pai, Wilson, me vestiram de pirata. Como primeiro neto da família, vocês podem imaginar: virei um brinquedão na mão delas. Apesar de estar apenas com 1 ano e pouco, eu já falava e cantava ‘Eu sou o pirata da perna de pau...’. Frequentava bailinhos infantis vestido com roupas como essa. A passagem marcou a minha vida e o trabalho que faria depois, muito ligado à cultura popular brasileira.”

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Fernando Henrique Cardoso: sociólogo e ex-presidente, 81 anos (Foto: Arquivo pessoal / André Porto)

“Embora eu tenha dedicado muito de minha vida à política — desde a inesquecível cruzada pelas eleições diretas até a Presidência da República —, nunca deixei de lado meus compromissos com o ensino e a cultura. Nessa imagem, feita em julho de 1972 por um fotógrafo desconhecido, eu dava uma palestra na 24ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Universidade de São Paulo. Em plena ditadura militar, o evento atraiu 1.000 pessoas em um espaço ao ar livre. Foi aí que comecei a me tornar um líder da oposição.”

 

Capa 2278 - Ivaldo Bertazzo
Ivaldo Bertazzo: coreógrafo, 63 anos (Foto: Arquivo pessoal / Fernando Moraes)

“Em 1975, desembarquei na Ilha de Bali à procura de I Made Djmat, um mestre de teatro e dança. O impacto das cores, dos cheiros e dos sons se revelava em todas as coisas. Essas impressões modelaram meu modo de viver. Diariamente, eu me exercitava acompanhado de jovens aprendizes às 6 da manhã, o único horário possível para não morrermos de calor. No período da tarde, visitava os artesãos das máscaras balinesas. À noite, percorria os templos e contemplava os artistas que ofertavam sua música e sua dança aos deuses. Desde então, realizei 27 viagens à Indonésia. Os conhecimentos absorvidos por meio dos hábitos culturais desse povo e de outras regiões do Sudeste Asiático norteiam a construção do Método de Reeducação do Movimento, que desenvolvo em minha escola em São Paulo, e meu entendimento de civilidade e de amor ao ser humano.”

 

Capa 2278 - José Silvério
José Silvério: locutor de rádio, 66 anos (Foto: Arquivo pessoal / Deco Rodrigues)

“Esta foto foi tirada durante um jogo-treino da seleção brasileira no México, dias antes da estreia na Copa do Mundo de 1986. A expectativa era grande, pois a partida definiria o time titular. Acontece que o técnico Telê Santana proibiu a transmissão. Tive a ideia de alugar o telhado da casa de uma senhora e consegui narrar o encontro para a rádio Jovem Pan. Foi complicado, porque eu não conseguia ver o campo todo. Quando a bola ia para determinado canto, eu enrolava no ar e perguntava ao repórter que estava lá se havia saído algum gol. O episódio repercutiu bastante e marcou a minha vida.”

 

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Sabrina Sato: apresentadora de TV, 31 anos (Foto: Arquivo pessoal / Orlando Oliveira)

“Estávamos no último, ou num dos últimos aniversários da minha avó Luiza, minha segunda mãe. Foi ela quem plantou a união na nossa família e me ensinou os melhores valores. Ao seu lado, todos os dias eram de alegria. No retrato, estou no centro, acompanhada da minha irmã mais velha, Karina, e do meu irmão mais novo, Karin, em nossa casa em Penápolis, minha cidade natal, no interior do estado. Morávamos todos em um sobrado.”

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Ana Hickmann: apresentadora de TV, 31 anos (Foto: Arquivo pessoal / Milene Cardoso)

“Eu estava numa festa com amigos no réveillon de 2003, no Guarujá. Foi tudo muito simples, mas de uma maneira ímpar, especial. Na época, eu tinha muitas dúvidas. Era uma importante fase de transição da minha carreira. Cogitava deixar Nova York, onde atuava como modelo, e voltar ao Brasil para trabalhar na televisão. Fazia muito tempo que eu não tinha um momento a sós com o meu marido, Alexandre Correa. Estávamos felizes e abrimos a garrafa de champanhe Dom Pérignon que eu guardava havia dois anos.”

 

Capa 2278 - José Simão
José Simão: colunista, 68 anos (Foto: Arquivo pessoal / Lailson Santos)

“Arembepe, no litoral norte da Bahia, mudou minha vida duas vezes. Primeiro, como hippie. E, recentemente, como vip. No fim dos anos 70, passei meses por lá, morando com a artista plástica Pinky Wainer e a ex-modelo Vera Barreto Leite. Foi o meu primeiro contato com a contracultura. O lugar era um point internacional, por onde passaram Janis Joplin e Mick Jagger. Todo mundo enxergava disco voador, e um dia veio um de verdade: Gal Costa num vestido transparente! Bem mais tarde, nos anos 2000, eu compraria uma casa de praia por lá. Mudou minha vida, porque no meio do stress de São Paulo sei que, na sexta-feira, estarei descalço. Ando na praia, mergulho e vou à praça dar risada. Ainda tem cavalo, roda de capoeira e as tartarugas desovam na areia. Minha casa fica de frente para o mar num condomínio com vizinhos como o Paulo Borges, o criador da São Paulo Fashion Week, e a empresária Patrícia Casé. É por isso que digo que troquei os hippies pelos vips.”

 

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Ana Maria Braga: apresentadora de TV, 63 anos (Foto: Arquivo pessoal / Tomas Arthuzzi)

“Quando meus filhos nasceram, eu pensei: ‘Daqui para a frente posso fazer qualquer coisa, doutorado, virar Ph.D., ganhar a vida, que nada será mais importante do que este momento’. A foto foi tirada em junho de 1984. Eu era então diretora-geral da Feira Nacional de Tecidos. Nela, apareço ao lado da Mariana, hoje com 29 anos, e do recém-nascido Pedro, que já tem 28.”

 

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Marcelo Tas: apresentador de TV, 52 anos (Foto: Arquivo pessoal / Marco Pinto)

“Foi no dia em que derrotei o prefeito Gilberto Kassab! A eleição era para o centro acadêmico da Faculdade de Engenharia Civil, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, em 1980. Eu e minha turma hippie — olha o nome da chapa nas camisetas: ‘Beleza Pura’ — estávamos radiantes porque havíamos derrotado o pessoal da ‘direita’. Com a vitória, fui alçado ao imponente cargo de secretário de imprensa e me tornei editor do ‘Cê-Viu?’, um jornalzinho anarquista da faculdade que misturava humor e jornalismo, assim como o programa que apresento na Band, o ‘CQC’. Foi um momento crucial na minha vida. Paradoxalmente, cursando engenharia, descobri minha vocação: naquele mesmo ano prestei vestibular para a Escola de Comunicações e Artes, também na USP, e passei. Mas a população de São Paulo pode dormir sossegada. Apesar de ter me formado engenheiro politécnico, nunca projetei avenidas, pontes nem mesmo uma mísera casinha de cachorro na cidade.”

 

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Celso Kamura: cabeleireiro e maquiador, 51 anos (Foto: Arquivo pessoal / Mario Rodrigues)

“Dois anos atrás, eu pensava já ter feito tudo o que era possível na minha profissão: noiva, celebridade, desfile, moda, além de haver inaugurado meus próprios salões, obtido sucesso e conquistado reconhecimento profissional. Foi quando a vida me deu de presente a oportunidade quase inacreditável de cuidar de uma presidente da República. Juro que eu me beliscava após receber o convite, ainda durante as eleições de 2010. Ri sozinho por um tempão, de nervoso. Eu achava ela brava, nada fotogênica, com aparência cansada. Quando a conheci, tremi e pensei que não conseguiria traçar o delineador. Minhas mãos estavam frias, e o coração, acelerado. Fico lisonjeado quando dizem que eu ajudei a melhorar sua imagem. Realmente, ela precisava de uma assessoria e acredito que meu trabalho foi relevante. Essa foto foi tirada no primeiro dia de gravação do programa de TV, durante a campanha. Dilma estava tranquila, um pouco ansiosa, mas serena.”

 

Capa 2278 - Paulo Mendes da Rocha
Paulo Mendes da Rocha: arquiteto, 83 anos (Foto: Arquivo pessoal / Renata Ursaia)

“Encontrei a foto entre uns papéis velhos guardados em casa. Sou eu, nos primeiros anos da década de 30, em frente à casa do meu avô Francisco Mendes da Rocha na Ilha de Paquetá, na Baía de Guanabara, Rio de Janeiro. Trata-se de um momento que cultivo entre as minhas memórias de infância. Lembro-me dos trabalhos no mar, da canoa, das armadilhas para apanhar os peixes. O esplendor da natureza e os engenhos humanos. Uma lição para sempre.”

 

Capa 2278 - Claudia Raia
Claudia Raia: atriz, 45 anos (Foto: Arquivo pessoal / Sergio Berezovsky)

“Aos 15 anos, eu era bailarina na Argentina. No início da década de 80, vim passar férias no Brasil e soube das inscrições para a peça ‘A Chorus Line’. Adorava o espetáculo, que já tinha visto sete vezes no exterior, e resolvi tentar a sorte. Fiz os testes e acabei sendo selecionada para o elenco. A peça estreou em 1984 no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Quando me movimentava no palco, chamava atenção. Mesmo sendo uma bailarina, sem ter estudado interpretação, agia como uma atriz. Aquele ali foi o meu começo.”

 

Capa 2278 - Roberto Kalil Filho
Roberto Kalil Filho: cardiologista, 53 anos (Foto: Arquivo pessoal / Alexandre Schneider)

“Quando criança, eu adorava mexer com microscópios de brinquedo. A medicina já era a minha vida. Lutei muito para passar no vestibular. Foram uns dois anos tentando, até entrar na Universidade de Santo Amaro (Unisa). Durante o curso, eu me esforcei demais: estudava de madrugada e jamais ia a festas. Em 1985, quando chegou o momento da colação de grau, sabia que aquele era o primeiro dia de um sonho que começava a viver. Para completar a emoção, naquela noite tive a honra de receber o ex-presidente do país João Figueiredo, amigo dos meus pais. A minha cara na foto, olhando para o horizonte, deixa clara a emoção.”

 

Capa 2278 - Sandy
Sandy: cantora, 29 anos (Foto: Arquivo pessoal / Orlando Oliveira)

“A foto foi feita pela minha mãe, Noely, em 1987, quando eu tinha 4 anos e meu irmão, 3. É um registro muito especial porque nos mostra num momento descontraído, mas que já anunciava o que viria pela frente: eu e Júnior juntos, realizando o sonho de cantar profissionalmente, numa parceria que duraria dezessete anos e marcaria — e definiria — nossa vida para sempre. Aliás, a foto já revela as nossas preferências: eu pelo microfone, ele pela guitarra.”

 

Capa 2278 - Ricardo Almeida
Ricardo Almeida: estilista, 57 anos (Foto: Arquivo pessoal / Leo Feltran)

“É um flagrante de uma fase de conquistas e realizações. Mostra meu primeiro desfile, no Morumbi Fashion, em 1996. Com intuição e trabalho, cheguei a uma coleção incrível, principalmente na linha de smokings. Resolvi, então, homenagear uma pessoa muito especial, que sempre me incentivou: Fernando de Barros (1915- 2002). Ele foi editor da revista ‘PLAYBOY’ por mais de duas décadas, em uma época em que o jornalismo ligado à moda masculina ainda era muito restrito no Brasil. Sempre elegante, descolado e com uma atitude avant-garde, foi para mim uma espécie de padrinho na cena fashion e entrou comigo na passarela aos 81 anos de idade.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO