Paulistano Nota Dez

Flávio Pimenta dá aulas de música para jovens carentes da Zona Sul

Ao criar a entidade Meninos do Morumbi, ele capacitou 14 000 pessoas e, alguns deles, se apresentaram para Madonna e Bill Clinton

Por: João Batista Jr. - Atualizado em

Flávio Pimenta da ONG Meninos do Morumbi
Flávio Pimenta, criador da Meninos do Morumbi: ONG se apresentou com John Mayer (Foto: Lucas Lima)

Com um currículo que incluía trabalhos na orquestra do Teatro Municipal e shows com a banda de Belchior, o paulistano Flávio Pimenta havia  decidido tentar a sorte como músico nos Estados Unidos. Não imaginou que o curso de seus planos mudaria ao convidar três crianças de rua para fazer aulas de bateria em sua casa enquanto não vendia o imóvel para sair do país. “Elas usavam um antigo lago sujo no meu bairro como piscina”, conta Pimenta, morador do Morumbi. O ano era 1996. Colecionador de instrumentos, o músico tinha um acervo com baterias, pandeiros, alfaias e baixos. Um aluno foi chamando outro, que chamou mais outro e, em pouco tempo, a residência tinha mais de cinquenta adolescentes-aprendizes. “Quando fazíamos apresentações no bairro, uns vizinhos atiravam tomate”, recorda. “Não queriam favelados por lá.”

Nascia ali a ONG Meninos do Morumbi. Hoje instalada em um imóvel de quatro andares na Vila Sônia, a entidade já atendeu 14 000 alunos em mais de trinta cursos, como dança, percussão e inglês. O negócio funciona na prática como uma grande escola de artes, formando talentos que se apresentam tanto em eventos corporativos quanto em festivais. “Sou dançarina e música profissional”, afirma Janaína de Souza, de 21anos. Ela fez shows com os colegas em Chicago, nos Estados Unidos, e, recentemente, com o cantor John Mayer, no Anhembi. Nos últimos anos, a sede da ONG paulistana foi visitada por celebridades como a cantora Madonna e o ex-presidente americano Bill Clinton.

Apesar do sucesso, a organização tem sofrido nos últimos anos a perda de vários patrocinadores. Com a verba reduzida, atende atualmente apenas 700 pessoas por ano — e não 3 000, como em 2005. Pimenta já penhorou sua casa três vezes para negociar dívidas. “Quero aumentar nossa agenda de shows e fazer novas parcerias com empresas”, planeja. Até o fim deste ano, tem autorização para captar 1,3 milhão de reais em projetos via Lei Rouanet. “Não me acho um assistencialista”, diz. “Quis montar uma banda com músicos que, sem ajuda, não poderiam tocar nenhum instrumento.”

Nome: Flávio Pimenta

Profissão: músico

Atitude transformadora: criou a entidade Meninos do Morumbi, que já ofereceu aulas gratuitas de música a 14 000 jovens

Fonte: VEJA SÃO PAULO