Especial

Figura polêmica: Flávio de Carvalho

Em 1956, ele caminhou pela então elegante e badalada Rua Barão de Itapetininga trajado com roupas femininas

Por: Manuela Nogueira

Flávio de Carvalho - capa 2201
Performance na Barão de Itapetininga: muito arrojado para a época (Foto: Acervo FolhaPress)

A cena retratada na foto é uma das responsáveis por fazer do pintor Flávio de Carvalho uma figura polêmica da história de São Paulo. Em 1956, ele caminhou pela então elegante e badalada Rua Barão de Itapetininga trajado de saia, meia-calça e blusa feminina. O que o público interpretou como um vexame foi chamado pelo artista de Experiência nº 3. “Se as pessoas têm preconceito hoje, imagine naquela época”, diz o apresentador de televisão Amaury Jr. Pois é, o termo “happening” ainda nem existia e Flávio já o praticava no centro da cidade. A performance nº 2 havia ocorrido em 1931, quando ele interrompeu uma procissão de Corpus Christi na Rua São Bento. Só escapou de ser linchado porque achou abrigo numa leiteria e foi protegido pela polícia. Nascido no Rio de Janeiro, Flávio veio morar na capital após a Semana de Arte Moderna de 1922. Desenvolveu múltiplos talentos ao atuar também como arquiteto, escultor e dramaturgo. “Adoro o espírito rebelde do Flávio. Li que ele andava seminu pelo escritório de Ramos de Azevedo. Não é ótimo?”, afirma a jornalista Barbara Gancia. A partir da década de 50, Flávio passou a ganhar reconhecimento da crítica. Hoje, alguns de seus retratos e nus femininos são considerados trabalhos de referência.

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ELES TAMBÉM DERAM O QUE FALAR

José Carlos de Figueiredo Ferraz 

José Carlos de Figueiredo Ferraz - capa 2201
José Carlos de Figueiredo Ferraz: "São Paulo precisa parar" (Foto: João Carlos Alvarez)

Uma frase curta e certeira bastou para envolver o prefeito (1971-1973) numa confusão. O lema dos paulistanos eufóricos com o crescimento econômico era “São Paulo não pode parar”. Mas Ferraz disparou: “São Paulo precisa parar”. Era uma crítica à expansão caótica da cidade. “A frase teve repercussão enorme”, diz o jornalista Boris Casoy. “Hoje vemos que ele estava certo.”

Clodovil Hernandes 

Clodovil Hernandes - capa 2201
Clodovil: sempre envolvido em alguma confusão (Foto: Cida Souza)

O apresentador e estilista foi também o quarto deputado mais votado do Brasil nas eleições de 2006. Sempre envolvido em alguma confusão, Clodovil protagonizou cenas constrangedoras, como o episódio em que chamou uma deputada de “feia”, além de brigas com a equipe do “Pânico na TV”. “Clodovil era a polêmica em pessoa”, diz o jornalista José Simão. “Era gay, mas falava coisas homofóbicas. Era engraçado, mas não tinha senso de humor.”

VOTARAM

Amaury Jr., apresentador

Barbara Gancia, jornalista

Boris Casoy, jornalista

José Simão, jornalista

Raquel Glezer, historiadora

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO