Administração

Subprefeitos usam helicóptero para fazer rondas aéreas

Alugado por 200 000 reais por mês, modelo Esquilo pode ser usado por até 120 horas nesse período

Por: Marcelo Moura - Atualizado em

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Favela Real Parque, no Morumbi: moradias removidas após incêndio (Foto: Mario Rodrigues)

São Paulo tem 1 523 quilômetros quadrados de área, 17 000 quilômetros de vias e 3 milhões de imóveis residenciais. Para zelar pela ordem em meio a essa imensidão, a prefeitura conta com apenas 700 fiscais, responsáveis por vistoriar calçadas esburacadas, acompanhar corte e poda de árvores, multar bares barulhentos, verificar a documentação de estabelecimentos comerciais, detectar fachadas e anúncios em desacordo com a Lei Cidade Limpa... Com tantas atribuições, eles não conseguem esquadrinhar a cidade inteira. Para saber se há uma reforma irregular nos fundos de um imóvel, por exemplo, só quando é feita alguma denúncia. Isso sem falar que a complexidade do processo cria brechas para propinas e favorecimentos. Sem enxergar uma maneira de mudar esse panorama, a administração municipal apelou aos céus. Desde o mês passado, a Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras aluga um helicóptero para fazer rondas aéreas.

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O secretário Ronaldo Camargo: pelo menos três viagens por semana (Foto: Mario Rodrigues)

O aparelho, um Esquilo com capacidade para cinco pessoas, sai do Campo de Marte, na Zona Norte. A ideia é que seja feito ao menos um voo diário. Para isso, a prefeitura contratou um pacote de 120 horas mensais (média de quatro horas por dia, incluídos os fins de semana) da em presa Helimarte Táxi Aéreo, por aproximadamente 200 000 reais. “Para quem usa a partir de 25 horas por mês, vale mais a pena comprar o helicóptero do que alugar”, diz Artur Reno, gerente de vendas da Helibras, fabricante do Esquilo. “Apenas órgãos de polícia e empresas que trabalham com plataformas de petróleo conseguem voar tanto.” Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, alugar um táxi aéreo é a única opção do ponto de vista prático. O município chegou a comprar um helicóptero, durante a administração Jânio Quadros (1986-1989), mas depois o doou à Polícia Militar por falta de estrutura para operá-lo.

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Entulho onde ficava a favela Funchal, na Vila Olímpia: ronda mais fácil (Foto: Mario Rodrigues)

Dos 31 subprefeitos, trinta decolam. “Um deles manda um assessor no lugar, porque sente fobia de altura”, revela o secretário Ronaldo Camargo. Subprefeito de São Miguel Paulista, Milton Persoli diz fazer duas vistorias por semana, com técnicos das secretarias de Habitação, Saúde e Assistência Social, para tratar da desocupação de moradias em áreas irregulares, e com a Guarda Civil, para combater a reocupação. “Outro dia, flagramos a construção do 2º andar de uma casa no fim de uma vila”, conta. “A obra era irregular e foi demolida.”

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Rua 25 de Março, no centro, com seus camelôs regularizados: fiscalização mais ágil (Foto: Mario Rodrigues)

O próprio secretário Camargo garante que viaja pelo menos três vezes por semana, em voos de trinta a 120 minutos cada um. Ele diz que, graças ao helicóptero, foram descobertas infrações à Lei Cidade Limpa que renderam a um banco duas multas, no total de 204 000 reais. A secretaria está aproveitando também para fotografar a cidade. Já foram registradas cerca de 3 000 imagens do alto. Dessas, 200 ajudarão a prevenir e combater incêndios em favelas. Em um voo acompanhado por VEJA SÃO PAULO, no fim do mês passado, o secretário Camargo passou sobre a favela Real Parque, na região do Morumbi. “A remoção de barracos que pegaram fogo começou na data programada”, disse, apontando para o local. “E os moradores estão respeitando o cinturão de isolamento que impede novas ocupações. Disso a gente só poderia ter certeza aqui de cima.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO