Noite

Novos camarotes: era das baladas ostentação chega ao fim na capital

Enquanto saem de cena as casas luxuosas com bebidas que piscam, ganham espaço as festas itinerantes promovidas em galpão, estádio e outros locais

Por: João Batista Jr. e Juliene Moretti

Promoter Val Drummond
A promoter Val Drummond: estrela do circuito com carro customizado para levar seus convidados (Foto: Reinaldo Canato)

Começo da madrugada de sábado, 6. Um Camaro cinza chega à porta da Provocateur, no Itaim. O motorista abaixa o vidro insulfilmado e acena com a cabeça para um sujeito na calçada. Como se fosse ensaiado, o rapaz entra em um Voyage prata que estava guardando vaga na porta da casa noturna, dá partida no automóvel e o coloca a 100 metros de distância, perto de uma van que vende hot-dog. O esportivo importado ocupa o espaço. Seu proprietário desce e entrega uma nota de 100 reais a quem lhe facilitou a vida. Logo depois, tira a camiseta, fica com o torso nu no meio da rua e veste outra peça do tipo, mais justa e com a estampa YES no peito. Dentro da boate, junta-se a um grupo de amigos e duas mulheres. “Sem entrevista, sou comprometido”, disse ao repórter de VEJA SÃO PAULO, apontando para a aliança no dedo.

+ Relembre: O rei do camarote

A balada só esquenta duas horas depois, com cerca de 400 pessoas. Mas o clima era de despedida. Sem discursos nem algo especial no roteiro, o negócio encerrou as portas para sempre às 6 horas. Filial de uma balada nova iorquina, em seus dias de glória reunia a moçada mais bonita da cidade. Jovens modelos tinham passe livre, DJs renomados não deixavam ninguém ficar parado e frequentadores como o empresário Alexander de Almeida, o rei do camarote, curtiam a valer. Depois de quatro anos de existência, no entanto, uma das casas noturnas mais luxuosas da cidade virou abóbora.

Alexander de Almeida - Rei do Camarote
Alexander de Almeida (de verde), em 2013: o fim da era da bebida que pisca (Foto: Mario Rodrigues)

Naquela mesma noite de sábado, a temperatura da boemia estava quente do outro lado da Marginal Pinheiros. “Cadêêêêê?”, perguntava a promoter Valentina Drummond, de 33 anos, dando, em seguida, uma sonora gargalhada dentro do bufê La Luna, no Butantã. Uma pessoa aflita havia discado para seu iPhone 6 querendo entrar na festança agendada no local. Batizada de Eden, ela reuniu um público cinco vezes maior que o da última noite da Provocateur. Os frequentadores pagaram até 180 reais por ingresso, sem direito a drinques nem a comida.

Em vez de camarotes, havia por lá um cercadinho vip, animadíssimo. Alguns dançavam em cima do sofá e muitos tiravam selfie, enquanto garçons traziam baldes cheios de vodca e energético. Entre os presentes estavam Tato Malzoni, sócio de uma fábrica de suco e água de coco, e Eduardo Scarpa Julião, piloto de moto. A decoração tinha tule branco no teto, folhagem verde no chão e lustres suspensos iluminados por velas brancas. Na pista, telões com projeções psicodélicas faziam cenário para a apresentação dos DJs Junior C. e The Juns.

A Eden é uma das mais de 100 baladas itinerantes que rolam por ano na capital. Algumas custam 1 milhão de reais aos seus organizadores, que recuperam o investimento com a venda de ingressos, de bebidas e com a verba de patrocínio. A diferença entre o apagar das luzes estroboscópicas do Itaim e a multidão reunida para uma noitada em um bufê do Butantã é reflexo de uma mudança importante no circuito boêmio da cidade. Uma a uma, todas as baladas chiques encerraram suas atividades.

Pista de dança Provocateur
Pista de dança da Provocateur (Foto: Paola Máximo)

Entre 2014 e 2015, as baixas mais importantes foram Pink Elephant, Ballroom e Disco. “As pessoas querem experiências diferentes, evitam visitar sempre um mesmo endereço”, diz Caio Jahara, um dos sócios da Provocateur. O aluguel mensal do ponto na Zona Sul era de 33 000 reais, e o empreendimento funcionava apenas às quintas e aos sábados. “Terminamos com a casa cheia, sem precisar tocar funk”, comemora Jahara. Antes de micar de vez, a Disco, por exemplo, tentou uma sobrevida trocando a música eletrônica pelos pancadões de funk.

Aos poucos, as agências de evento foram ocupando o espaço. Todas essas novas empresas têm nome estrangeiro, como a Keep Young, de Chico Barbuto e Guilherme Amora. Seus clientes já escutaram batidas eletrônicas na Hípica Paulista, apreciaram jazz na Praça do Patriarca e dançaram hip-hop em trilhos desativados na Mooca, entre outras experiências. Uma das maiores festas dos últimos anos, realizada em julho, reuniu mais de 15 000 pessoas no sambódromo para dançar sertanejo. Esse mercado começou a ser desbravado pela Multicase e pela Haute, em 2008. “Queríamos sair daqueles ambientes fechados”, diz Iquinho Facchini, um dos proprietários da Multicase, que no início fazia festas em mansões do Morumbi e do Jardim América.

Barbuto e Amora
Barbuto e Amora, da Keep Young: preferência por clubes e mansões (Foto: Karime Xavier)

Agora, ele atrai 100 000 pessoas por noite para locais como o Museu da Casa Brasileira e o Parque do Ibirapuera. Facchini espera faturar 15 milhões de reais em 2016, 40% mais do que no ano passado. “Fazemos visitas a diretórios acadêmicos de faculdades para saber o que os jovens querem”, conta. A Haute, de Bruno Dias e outros três sócios, encarrega-se de baladas também fora de São Paulo. Há oito anos comanda um dos réveillons mais quentes de Trancoso, com a presença de modelos como Alessandra Ambrosio e Ana Beatriz Barros.

Ex-frequentador e advogado da Pink Elephant, Omar Maluf criou a festa Clubinho dentro do lugar, em 2010. Sem que ele percebesse, iniciava-se uma nova carreira. Dois anos depois, Maluf abriu a Reunion. “Fizemos 107 edições do Clubinho desde então, cinquenta delas em São Paulo.” Os novos donos da noite têm um grupo de WhatsApp para discutir o nome de fornecedores e trocar informação sobre a data de eventos. Quando as baladas coincidem, todos perdem. Toca-se de tudo nesse mercado: eletrônico, samba, pagode, rock e funk.

+ Eataly vende sanduíches e chope na calçada

A promoter Val Drummond trabalha para todas as agências. Amiga de Neymar, Anitta e outras celebridades, ela tem a missão de fazer uma festa lotar de gente bonita. “Meus fins de semana já estão tomados até fevereiro de 2017”, conta, teclando no celular, com mais de 700 mensagens não lidas. “Ela consegue conectar pessoas diferentes”, diz o artista plástico Otávio Pandolfo, da dupla osgemeos, que, certa vez, terminou uma noitada grafitando um muro no Cambuci com o também artista francês JR.

Bruno Dias, Guga Guizelini, Dado Ribeiro e Felipe Aversa
Bruno Dias, Guga Guizelini, Dado Ribeiro e Felipe Aversa:, da Haute: até réveillon em Trancoso (Foto: Reinaldo Canato)

Há cinco meses, Val ganhou da montadora JAC Motors um modelo T8 com um adesivo rosa na lataria, em que se lê “Bonde da Val”. O brinde incluiu um motorista particular à sua disposição para circular. "Os convidados podem beber à vontade”, afirma a promoter, que fatura, em média, 8 000 reais por festa.

A escolha da locação é quase tão importante quanto uma boa trilha sonora. Juliano Libman e Luiz Restiffe, da InHaus, demoraram dois anos para conseguir locar por 180 000 reais uma parte da Arena Corinthians. “Em novembro, organizaremos um show do Criolo e do Emicida para 25 000 pessoas”, orgulha-se. Nem tudo sai como esperado. “Uma festa nossa foi encerrada pela prefeitura”, conta Iquinho Facchini, da Multicase. “Era o começo do negócio e nem sequer sabíamos que precisamos de autorização.” Com 1 500 entradas vendidas, ele remarcou o evento para dali a trinta dias. Os mais incomodados (apenas seis pessoas) pediram o dinheiro de volta. “Pegamos um lugar maior e vendemos ainda mais ingressos para cobrir o prejuízo”, lembra Facchini.

As festas começam com a luz do dia e se encerram por volta da 1 da manhã. Nas baladas tradicionais, o normal é acabar depois das 6 horas. “Ficou cafona ostentar e exagerar na dose”, entende Caio Jahara. Certa vez, um cliente indiano da Provocateur comprou 150 garrafas de champanhe Dom Pérignon e Cristal — esse último custava 4 000 reais a unidade. Nos tempos áureos, a casa vendia em média 200 garrafas de Veuve Clicquot em um sábado. Alexander de Almeida, o rei do camarote, comprava a bebida francesa para todos de seu cercadinho vip. “Fechou? Nossa, não sabia, estou fora do Brasil”, disse ele a VEJA SÃO PAULO, curtindo férias em Bariloche. É mesmo o fim de uma era.

Festa Farofada Clube Pinheiros
Festa Farofada, no Clube Pinheiros: shows e decoração lúdica (Foto: Divulgação)

A ascenção e a queda das pistas 

A cronologia das casas que marcaram época e fizeram história na boemia paulistana

Anos 70: inspiradas no Studio 54 de Nova York, as boates Gallery e Hippopotamus viviam lotadas de celebridades. O figurino era chique: as mulheres usavam longo e os homens, terno. Luiza Brunet, Pelé e Chiquinho Scarpa frequentavam as casas. Menos formal e mais jovem, a Toco, na Vila Matilde, atraía centenas de jovens de todas as regiões da cidade.

Anos 80: com pegada alternativa, a cena noturna dividia-se em duas vertentes. Em Pinheiros, o Aeroanta concentrava shows de rock de bandas então iniciantes, como Titãs e Ira!. Na região central, Nation e Madame Satã apostavam em hits pop e eletrônico e estiveram entre as primeiras a ter público heterossexual e GLS na pista de dança. Mauro Borges era o DJ favorito dessa turma.

Anos 90: com cerca de 200 metros de extensão, a Rua Franz Schubert, nos Jardins, virou o epicentro da badalação, com suas diversas casas noturnas. Limelight, Allure, Arcadia e Kremlin eram as mais famosas. Muitas casas faziam matinês para adolescentes. Perto dali, na Avenida Cidade Jardim, o Cabral atraía patricinhas e mauricinhos com sua decoração praiana.

Anos 2000: a cena clubber ganhou força e o circuito noturno se mudou para a Vila Olímpia com a instalação da balada eletrônica Lov. E.No fim da década, surgiu a franquia das casas internacionais Pacha, Pink Elephant, Mokaï e Kiss & Fly. Nenhuma teve o sucesso da Disco — que parecia uma sucursal da Daslu, devido à enorme quantidade de gente rica e de sobrenomes famosos.

Anos 2010: na busca por experiências em locais diversos, o público abandona as boates — e muitas fecham as portas. Consolidam-se as agências que organizam baladas em lugares como estádio de futebol, sambódromo e galpão desativado. Apenas as casas noturnas de nicho se mantêm em alta, caso do D-Edge (eletrônica), da Villa Mix e da Wood’s (sertanejo).

Calendário boêmio

Os principais eventos previstos para as próximas semanas

  • Lá Vou Eu. Quadra da Águia de Ouro. Sábado (20), 18h. R$ 80,00.
  • Tardezinha. Clube Hípico de Santo Amaro. Sábado (20), 15h. R$ 70,00 (mulheres) e R$ 90,00 (homens).
  • SOS Salve o Amor. Clube Pinheiros. Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2484, Jardim Europa. Sábado (27), 17h. R$ 90,00 (mulheres) e R$ 110,00 (homens).
  • Jungle Sunset. Arena Neymar. Sábado (27), 15h. R$ 60,00 (mulheres) e R$ 80,00 (homens).
  • Churrascada. Fabriketa. Rua do Bucolismo, 81, Brás, 3063-3242. Sábado (3/9), 12h. Esgotado.
  • Só Por Hoje. Clube Pinheiros. Rua Tucumã, 142, Jardim Europa, 2640-5335. Terça (6/9), 22h. R$ 80,00 (mulheres) e R$ 100,00 (homens).
  • Cartas da edição 2490

    Atualizado em: 12.Ago.2016

  • Entre os artistas estão nomes como Tarsila do Amaral e Aleijadinho; visitas são gratuitas 
    Saiba mais
  • Os três livros mais procurados são clássicos da nossa literatura
    Saiba mais
  • Ele morreu em 1938, intoxicado por pesticidas
    Saiba mais
  • Veja abaixo alguns dos personagens lembrados nesses espaços
    Saiba mais
  • Betth Ripolli sofria agressões do ex-marido, mas deu a volta por cima através da música 
    Saiba mais
  • Instant Article

    Confira as novidades da semana do Terraço Paulistano

    Atualizado em: 1.Dez.2016

    Notas exclusivas sobre artistas, políticos, atletas, modelos e empresários que são destaque na cidade
    Saiba mais
  • A alegação é de que pelo menos 437 milhões de reais teriam sido usados para pagar salários de funcionários da CET
    Saiba mais
  • Mostra, que teve investimento de 12 milhões de reais, conta com dez ambientes, 1 500 imagens e objetos autografos pelos músicos
    Saiba mais
  • Há opções nos arredores da capital e no interior 
    Saiba mais
  • Fabrizio Fasano Jr., o "menino-problema" da família, leva o SBT ao segundo lugar na audiência com o 'Bake Off Brasil'
    Saiba mais
  • Empreendimento teve investimento estimado em 5 milhões de reais; além da comida, conceito de dinner show terá direito a plumas, gaiolas e pernas à mostra
    Saiba mais
  • Selecionamos itens metálicos e estilosos 
    Saiba mais
  • Onde provar guloseimas com Nutella

    Atualizado em: 16.Ago.2016

    Creme de avelã com cacau é usado em milk-shakes, fondue e até em croissant 
    Saiba mais
  • Pizzarias

    Carlos Pizza

    Rua Harmonia, 501, Vila Madalena

    Tel: (11) 3813 2017

    VejaSP
    6 avaliações

    Há quase dois anos em atividade, a casa continua a ficar lotada como se fosse novidade fresquinha. O responsável pelas longas filas na calçada estreita é o chef argentino Luciano Nardelli, que cuida dos discos de fermentação natural assados no forno a lenha e das entradas irresistíveis. É o caso da porção de cogumelos chamada luigi (R$ 30,00), finalizada com queijo grana padano e raspas de limão-siciliano. Esse ingrediente cítrico também aparece para dar frescor a uma das pizzas mais saborosas, feita com escarola, nozes e parmesão (R$ 34,00). Sempre em tamanho individual, recebem uma única cobertura. Para experimentar a opção clássica de calabresa e cebola (R$ 38,00), divida você mesmo as fatias com os amigos à mesa. Sobremesa beeem doce, o creme de chocolate belga (R$ 18,00) leva ainda sorvete de nata.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • Instant Article

    Seis opções de fondue para o inverno

    Atualizado em: 24.Ago.2016

    Está é a temporada das fondues. Escolha a sua favorita entre seis versões oferecidas sempre para dois
    Saiba mais
  • Instant Article

    10 endereços para tomar chocolate quente

    Atualizado em: 16.Ago.2016

    Saiba onde provar diferentes versões da bebida
    Saiba mais
  • O Aragon, de cozinha ibérica, e o italiano Nino Cucina estão entre os endereços mais concorridos da cidade
    Saiba mais
  • Cantina / Trattoria / Italianos

    Zena Caffè

    Rua Peixoto Gomide, 1901, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3081 2158

    VejaSP
    11 avaliações

    Embora o chef Carlos Bertolazzi quase nunca esteja no salão desde que virou uma estrela dos realities do SBT, a equipe formada por ele manda bem. Logo que se chega à trattoria, cuja varanda é disputada, os garçons servem um pacote de grissini de cortesia. Em seguida, sugerem receitas como o coelho com azeitona preta (R$ 65,00) na companhia de batata. Quanto às focaccias, uma delas tem a forma de hambúrguer ao forno e vem com queijo stracchino e pancetta (R$ 39,00). Espécie de bolo leve, a sacripantina (R$ 20,00), feita de chocolate, põe o ponto final.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • Drinques

    Frank

    Alameda Campinas, 150, Bela Vista

    Tel: (11) 3145 8000

    VejaSP
    2 avaliações

    Para chegar à excelência do que mata a sede — etílica — da clientela, o barman Spencer Amereno Jr. trabalha como se fosse um chef de cozinha. Seleciona os melhores produtos e pensa com carinho na apresentação das criações e releituras de clássicos. À sua disposição, ele tem a estrutura da cozinha do Hotel Maksoud Plaza, onde fica o bar. Uma bartender-cozinheira o assiste no preparo de infusões, sucos e tinturas enquanto outro auxiliar o ajuda a esculpir o gelo, peça fundamental na coquetelaria. O resultado é encontrado no copo em delícias como o the crusher (R$ 33,00, o preço de todos os drinques), que junta brandye rum envelhecidos, vermute tinto e pimenta-da-jamaica. E esse é só um dos muitos componentes do banquete que se tem por lá. Líquido, no caso.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

     

    Saiba mais
  •  Em Meu Amigo Inventor, Luciana Castellano é Caterina, a garota de 10 anos que encontra Leonardo da Vinci (papel de Victor Merseguel) nos dias de hoje. E o que o mestre italiano pensa de a criançada conhecer o mundo só pela tela do computador? Mas por que não sair?, pergunta. Juntos, é isso que eles vão fazer, a fim de redescobrir o prazer de experimentar. Tudo acompanhado pelas ótimas canções de Dr. Morris interpretadas pela dupla da Companhia de Copas.  Recomendado a partir de 4 anos. De 6/8/2016. Até 27/11/2016. Curiosidades > Quem é a Dona Conda? Uma das personagens recebe o nome em homenagem ao quadro La Gioconda — sim, a MonaLisa. Na trama, Dona Conda é a esposa do mecenas que encomenda uma invenção a Leonardo. > Tentativas de voo. Os meninos e meninas conhecem os engenhosos esboços de máquinas voadoras que saíram da cabeça do italiano. Nenhuma delas sai do chão, é verdade, mas o protótipo de helicóptero conquista a plateia.
    Saiba mais
  • Com Abnegação 3 — Restos, o dramaturgo Alexandre Dal Farra e os atores do Tablado de Arruar encerram a trilogia iniciada em 2014 que se tornou a cada ano mais oportuna. As duas primeiras partes eram focadas nos conflitos éticos que se abateram sobre o PT rumo à tomada do poder. A atual montagem, no entanto, promove uma discussão mais social em torno da falta de perspectivas em diferentes setores. Cinco cenas mostram as angústias de um ex-guerrilheiro, um advogado do partido, uma empregada doméstica, a patroa e um sindicalista, entre outros. O fracasso da corrente ideológica se reflete na postura dos personagens, e os diálogos cortantes beiram o tragicômico para espelhar perplexidade, desassossego, inconformismo ou alienação. Dessa forma, os atores Alexandra Tavares, Amanda Lyra, André Capuano, Antonio Salvador, Ligia Oliveira e Vitor Vieira, com o figurino neutro e apoiados em cadeiras, reproduzem o negativismo vigente. A trilogia Abnegação firma-se como o documento inaugural de um período que ainda deverá ser bem explorado no teatro, e os diretores Dal Farra e Clayton Mariano provocam o espectador com uma crueza cênica que incomoda e, não por acaso, termina no breu. Estreou em 23/6/2016. Até 31/8/2016.
    Saiba mais
  • Se fossem personagens de Plínio Marcos (1935-1999), eles seriam mais feios, sujos e até malvados. Mas os tempos são outros e, mesmo diante da visível influência do dramaturgo santista, Cláudia Barral escreveu o drama Hotel Jasmim em um tom contemporâneo que faz falta na cena brasileira. O evangélico Jorge (papel de Daniel Farias) vem do Nordeste tentar a vida em São Paulo como garçom na vaga deixada pelo pai assassinado. No hotel que dá título à peça, ele divide um quarto com Fernando (interpretado por Eduardo Pelizzari), bonitão de caráter duvidoso, que paga as contas como michê. O estranhamento demora a ser desfeito, e a autora apresenta com eficiência os dois homens maltratrados pela vida. A direção de Denise Weinberg e Alexandre Tenório se concentra na dramaturgia e extrai resultado convincente dos atores. A atmosfera de Plínio, principalmente de Dois Perdidos numa Noite Suja (1966), vaga por ali, mas os rapazes de hoje entendem que, para segurar a onda, é preciso um pouco de ternura. Estreou em 17/6/2016. Até 28/8/2016.
    Saiba mais
  • É inevitável sentir-se atraído pelo ambiente de um bar como palco da história escrita por Caio Fernando Abreu (1948-1996). Jogados em sofás e cadeiras, os espectadores acompanham André Grecco interpretar o monólogo A Dama da Noite, extraído do conto publicado no livro Os Dragões Não Conhecem o Paraíso (1988). No balcão, o protagonista, originalmente uma mulher, faz um balanço da vida solitária, repleta de angústias e frustrações, entre um drinque e outro. Dirigida por Kiko Rieser, a peça tem o mérito de não limitar a sexualidade do personagem. Grecco investe na sobriedade, abre mão de trejeitos e reforça a identidade masculina, acentuada pelo figurino. O  solo, no entanto, limita-se a um válido exercício de atuação e direção, inegavelmente beneficiado pela atmosfera boêmia tão cara ao escritor. Estreou em 13/7/2016.
    Saiba mais
  • Quatro perguntas para Nicette Bruno

    Atualizado em: 12.Ago.2016

    A atriz divide o palco com Eva Wilma no espetáculo O que Terá Acontecido a Baby Jane?, que estreia no Teatro Porto Seguro.
    Saiba mais
  • Nesta noite, pela primeira vez, Max de Castro toca ao vivo seu novo single, batizado de Disposição. A inspiração para compor a melodia veio de uma zapeada na televisão, quando ele assistiu à entrevista de uma modelo que dizia que seu hobby era tocar violão. “Eu queria fazer algo simples, para todo mundo reproduzir”, diz. Depois, ele mirou na versão de Caetano Veloso para a roqueira Come As You Are, do Nirvana. O resultado da mistura de referências ficou surpreendente, com uma guinada para um som mais dançante. Além da novidade, o artista inclui no repertório as músicas Nego do Cabelo Bom e A História da Morena Nua. Para completar a noite, o cantor Ed Motta sobe ao palco para algumas parcerias. Dia 1º/12/2016.
    Saiba mais
  • Em Canções Eróticas de Ninar, o 28º disco de Tom Zé, o assunto principal é o sexo. Com o bom humor e o rock misturados a elementos nordestinos, ele canta sobre masturbação feminina em Dedo, trava um embate entre alunas da Universidade de São Paulo e da Fundação Getulio Vargas em USP x GV e, em Orgasmo Tercerizado, narra uma reportagem sobre massagem tântrica que chamou a sua atenção. Menos camufladas estão Descaração Familiar, sobre educação sexual, e Sobe ni Mim. Dias 8 e 9/10/2016.
    Saiba mais
  • Mostrar obras de maneira diferente é uma das prioridades do Masp em sua nova fase, marcada pela entrada do curador Adriano Pedrosa na equipe. Ao lado de Rodrigo Moura e Camila Bechelany, ele traz para o 2o subsolo do museu mais de cinquenta telas de Candido Portinari. Pinturas já conhecidas pelos visitantes, como Retirantes, de 1944, estão por lá numa apresentação estilizada, com trabalhos presos a estreitos pilares de madeira. Mas a melhor sacada do time foi garimpar em coleções particulares tesouros de fases pouco exploradas do artista. Tradições regionais e brincadeiras de criança são algumas cenas registradas em peças nunca vistas pelo público, como Baile na Roça, de 1924. Se você já gostava do pintor, agora vai se apaixonar. De 12/8/2016 até 15/11/2016. +Leia a matéria completa sobre a mostra
    Saiba mais
  • Imagens que registram a estética do universo religioso africano – as mais conhecidas fotografias de Mário Cravo Neto (1947-2009) – estão entre outras fotos em preto e branco clicadas nas ruas da Bahia, Nova York e Berlim. A retrospectiva do artista baiano mostra o tom sempre artístico (e não documental) de cada um dos seus trabalhos, uma notável marca de sua obra. Também são apresentadas algumas imagens de Vicente Sampaio, amigo inseparável, que fotografou Mário Cravo Neto ao longo de toda a vida. Os retratos humanizam o artista e provocam no visitante a vontade de querer conhecer mais a fundo o artista que assina as autênticas fotos. Até 27/8/2016.
    Saiba mais
  • Dwayne Johnson, o The Rock, teima em ser comediante, mas o brucutu se sai melhor em filmes de ação. Um Espião e Meio é mais uma prova disso. Quando se mete a fazer rir, o astro mostra-se um fiasco; por isso, a comédia acerta o alvo principalmente como aventura de espionagem. Na trama, Bob Stone (Johnson) virou um poderoso agente da CIA, muitos anos depois de ter sido vítima de bullying na adolescência. O reencontro com Calvin (Kevin Hart), seu único colega de escola, tem um saboroso ar de mistério, mas não demora para cair no lugar-comum das perseguições genéricas. Erros de gravação acompanham os créditos finais, mas nem aí o filme arranca gargalhadas. Estreou em 11/8/2016.
    Saiba mais
  • Comédia dramática

    Amor & Amizade
    VejaSP
    2 avaliações
    Embora uma dezena de personagens sejam apresentados nos primeiros minutos de Amor & Amizade, a comédia romântica não perde o fio narrativo e concentra-se nas ardilosas tramoias de Lady Susan (Kate Beckinsale), também título do livro de Jane Austen no qual o roteiro foi inspirado. Viúva falida e de má reputação na Inglaterra de 1790, essa enxuta quarentona quer arranjar um marido rico. Para isso, joga seu calculado charme para o jovem nobre Reginald DeCourcy (Xavier Samuel), irmão de sua cunhada. Quando reencontra a filha adolescente (Morfydd Clark), Susan tem novo objetivo: unir a garota a um pretendente caipira e abonado. Humor irônico acompanha uma história de curta duração e com reviravoltas inesperadas. Estreou em 11/8/2016.
    Saiba mais
  • Ah, eles aprontam

    Atualizado em: 12.Ago.2016

Fonte: VEJA SÃO PAULO