Do drama à comédia

Seis filmes em cartaz para ver a dois

Amor, relações familiares e amizade estão entre os temas de boas produções que podem combinar com o clima de um programa de casal

Por: Redação VEJINHA.COM - Atualizado em

A Arte de Amar
A comédia 'A Arte de Amar': cinco esquetes sobre as responsabilidades do matrimônio (Foto: Divulgação)

Engana-se quem pensa que as comédias românticas são a única opção para os casais que lotam as salas de cinema da cidade. O circuito oferece produções que, sem cair no previsível, tratam de temas como relações amorosas e familiares. O programa pode ser cômico - é o caso do francês A Arte de Amar, que entrelaça várias histórias de amor - ou dramático - como em E Se Vivêssemos Todos Juntos?, que enfoca questões da terceira idade.

O drama biográfico Gonzaga - De Pai para Filho narra uma bela história real de reconciliação entre dois grandes músicos brasileiros, Luiz Gonzaga e Gonzaguinha.  A amizade é o tema do sucesso Intocáveis. E, para os mais nostálgicos, Moonrise Kingdom e As Vantagens de ser Invisível trata do amor juvenil. Além de diversão, os filmes prometem boas conversas após a sessão.

 

  • Depois de errar feio na comédia vulgar Faça-me Feliz! (2009), o ator e diretor francês Emmanuel Mouret volta a abordar os romances, agora de uma forma muito mais divertida e sensata, em A Arte de Amar. Na narrativa, em que alguns personagens se cruzam, há o casual encontro de dois vizinhos (Frédérique Bel e François Cluzet, de Intocáveis). Ela acabou de ser traída e está louca para dar o troco no ex, mas prefere falar insistentemente da separação a cair na cama do paquera. Entre os cinco esquetes, Ariane Ascaride faz uma cinquentona disposta a largar o marido para viver novas aventuras sexuais. Em outra boa trama estão Isabelle (Julie Depardieu) e Zoé (Pascale Arbillot). Assediada pelo dono de uma livraria, Zoé, que é casada, convence a amiga a se passar por ela e ter uma transa literalmente às escuras. O xis de quase todas as questões está na dificuldade de assumir novos afetos e na impossibilidade de voltar a amar sem repetir alguns erros. Estreou em 02/11/2012.
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  • Na região da Grande Paris, vivem os casais Jean e Annie (Guy Bedos e Geraldine Chaplin) e Albert e Jeanne (Pierre Richard e Jane Fonda) mais o viúvo paquerador Claude (Claude Rich). Eles são amigos há décadas e, embora felizes, os sinais da idade começam a aparecer. Jeanne tem um câncer terminal, mas decidiu não contar a Albert, que já apresenta lapsos de memória. Claude, afeito a transas com garotas de programa, não possui o mesmo coração da juventude. Parte, então, de Jean e Annie, ambos com a saúde em dia, a proposta de todos morarem juntos na casa deles. Além da ajuda mútua, a vida comunitária permite a troca de experiências e um contato diário próximo. O grupo contrata um jovem alemão (Daniel Brühl) para auxiliá-los. Para um ator idoso, deve ser um prazer imenso interpretar um ótimo personagem principal. Com gosto e rugas no rosto (exceto a esticada Jane Fonda), o elenco mostra-se afinado e com fôlego de sobra. Entre a graça e a morte iminente, o diretor e roteirista Stéphane Robelin comanda seu segundo longa-metragem sem choro nem vela. Prefere fazer um registro real da velhice oferecendo reflexões prudentes e comoções contidas. Estreou em 12/10/2012.
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  • Parece inesgotável o talento do diretor Breno Silveira para dar vida a histórias comoventes e genuinamente brasileiras — vide o recente e, infelizmente, pouco visto À Beira do Caminjho. Depois do acerto com 2 Filhos de Francisco, o realizador retorna com outra cinebiografia de artistas nacionais, agora centrada na trajetória pessoal e musical de Luiz Gonzaga (1912-1989) e seu filho, Gonzaguinha (1945-1991). Embora a carreira de ambos seja um dos carros-chefe, o mote está na relação amarga entre eles. O início se dá com o reencontro em 1980. Gonzagão, já um astro decadente, recebe a contragosto em sua casa, em Pernambuco, Gonzaguinha, um sucesso nas rádios. Rei do baião, o cantor de Asa Branca relembra, então, as passagens mais marcantes de sua vida. Saído da cidade de Exu enxotado por um coronel, ele desistiu da carreira militar para tentar a sorte como artista no Rio de Janeiro. Entre passado e presente, o roteiro enfoca desde seu primeiro casamento, com uma dançarina (papel de Nanda Costa), até sua ascensão na música a partir dos anos 40. Em pouco mais de duas horas, o drama promove um passeio por um Brasil nostálgico, envolto em preciosa direção de arte de Cláudio Amaral Peixoto (O Palhaço) e situações afetivas emocionantes. O elenco, encabeçado por Chambinho do Acordeon, que faz Gonzaga dos 27 aos 50 anos, e Julio Andrade, intérprete de Gonzaguinha adulto, dá conta muito bem do recado. Com Luciano Quirino e Silvia Buarque. Estreou em 26/10/2012.
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  • Inspirada em uma história real, a comédia dramática já foi lançada em DVD e Blu-ray. O que poderia render um dramalhão lacrimoso virou uma espirituosa trama capaz de tirar do sério um tema espinhoso. François Cluzet, em excelente desempenho, interpreta Philippe, um milionário tetraplégico de Paris que busca um cuidador. Quando conhece Driss (Omar Sy), Philippe parece ter encontrado a pessoa certa. Vindo da periferia, pobre, negro e malandro, Driss não tem carta de referência, mas possui autoestima inabalável, além de uma contagiante alegria de viver. Como quer alguém que não o veja com piedade, o ricaço o contrata. Estreou em 31/08/2012.
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  • Um dos mais alternativos diretores americanos, Wes Anderson é cultuado por seus filmes de roteiros inusitados e personagens esquisitos. Muitas vezes, acerta em cheio, como em Os Excêntricos Tenenbauns (2001) e Viagem a Darjeeling (2007). Em outras, exagera na dose de maluquices, a exemplo de A Vida Marinha com Steve Zissou (2004). Em seu novo e singular trabalho, o humor segue a linha minimalista e nada estridente da comédia. Os protagonistas da trama, ambientada numa ilha na costa de New England em 1965, são os adolescentes Sam (Jared Gilman) e Suzy (Kara Hayward). Ele é órfão e está no acampamento de escoteiros liderado pelo personagem de Edward Norton. Suzy vive com os pais (Bill Murray e Frances McDormand) e não cansa de espiar de binóculo o horizonte. Há um motivo para isso: a garota planejou uma fuga com Sam. Ao se encontrar, o casal apaixonado vai enfrentar barreiras físicas e emocionais. Com Bruce Willis. Estreou em 12/10/2012.
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  • Americano de 42 anos, Chbosky já se aventurou pelo cinema e pela TV. Dirigiu um longa-metragem em 1995 (The Four Corners of Nowhere), escreveu o roteiro do musical Rent (2005) e foi um dos criadores do seriado Jericho. Seu melhor desempenho, porém, está na adaptação para o cinema do livro homônimo de sua autoria, lançado no Brasil pela editora Rocco. Também diretor, ele transformou seu romance em um pequeno grande filme. A sensibilidade da literatura passou para as telas sem escalas. Na trama, Charlie (Logan Lerman, o D’Artagnan de Os Três Mosqueteiros) é um rapaz de 15 anos cujo melhor amigo cometeu suicídio. Na escola, os colegas nem o notam. Sua vidinha besta, contudo, vai sofrer uma guinada quando conhece Patrick (o ótimo Ezra Miller, protagonista de Precisamos Falar sobre o Kevin) e Sam (Emma Watson, a Hermione de Harry Potter), que enxergam nele uma pessoa bacana e decidem arrancá-lo da solidão. Mesmo entre um e outro clichê, este rito de passagem da adolescência para a vida adulta encanta. Estão lá as dúvidas existenciais, o primeiro beijo, a balada de estreia... Talvez pelo assunto atemporal, Chbosky não situa exatamente o ano da história. Oitentista, a deliciosa trilha sonora ataca de The Smiths, Cocteau Twins e Crowded House e há um sublime Bowie retrô (Heroes). Quando o roteiro casa cenas tocantes com a música pop, a emoção cresce conforme o volume aumenta. Estreou em 19/10/2012.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO