Cinema

Filmes nacionais que estão em cartaz na cidade

Oito longas de diversos gêneros integram o circuito

Por: Redação Veja São Paulo

O Menino e o Mundo
Cena de "O Menino e o Mundo" (Foto: Divulgação)

Há oito longas brasileiros de diversos gêneros no circuito.

 

  • A ideia original do produtor Rodrigo Teixeira (de Frances Ha e Quando Eu Era Vivo) prometia algo, no mínimo, contundente. Não é, porém, o que acontece neste drama ambientado em 2010, às vésperas da invasão militar no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Com uma onipresente trilha sonora sensacionalista, a trama concentra-se em quatro policiais infiltrados na favela que são dedurados para Playboy (Cauã Reymond), o traficante do pedaço. Refugiados na pizzaria de Doca (Otávio Müller), Samuel (Caio Blat), Danilo (Gabriel Braga Nunes), Branco (Milhem Cortaz) e Carlinhos (Marcello Melo Jr., o melhor do elenco) tentam encontrar uma saída para o impasse. Por vezes, o diretor José Eduardo Belmonte (Billi Pig) tenta fugir do ambiente central, mas a história resume-se mesmo a uma eterna lenga-lenga de reviravoltas tolas e discussões vazias entre quatro paredes. A tragédia anunciada, na ânsia de ser um espelho da realidade, só reforça a falta de criatividade. Estreou em 13/3/2014.
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  • O cinema americano tem muitos filmes com história semelhante à de Confa em Mim. No suspense, Mari (Fernanda Machado) quer provar para o chefe e para si mesma que pode ser uma ótima cozinheira. Insegura, ela atua como coadjuvante em um restaurante e dedica-se, exclusivamente, ao trabalho. Tudo muda quando conhece o galanteador Caio (Mateus Solano) numa degustação de vinhos. Esse rapaz de boa estampa é gentil e romântico, além de parecer ser um empresário endinheirado. Mari se entrega ao novo namorado convidando-o, inclusive, a morar em sua casa. Caio conhece as qualidades culinárias da amada e insiste para que a moça tenha o próprio negócio. Ela topa. Segue-se uma reviravolta de deixar a protagonista intrigada e... melhor parar por aqui. Em sua estreia no longa-metragem, Michel Tikhomiroff, filho de João Daniel Tikhomiroff (Besouro), não alça voo alto nem renova o gênero, mas faz a lição de casa direito. Está apoiado em elenco convincente, produção caprichada e, entre situações previsíveis, segura o clima de mistério. Estreou em 10/4/2014.
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  • Em seu primeiro longa-metragem de ficção, o pernambucano Marcelo Lordello traz uma premissa instigante. Cris (Maria Luiza Tavares) e seu irmão são deixados pelos pais à beira da estrada. Enquanto o rapaz sai em busca de ajuda, a menina, de 12 anos, fica à espera na companhia apenas do celular. O tempo passa e ninguém reaparece. Para matar a fome e a sede, Cris aceita ser levada por um estranho para uma pequena comunidade. Lá, conhece gente humilde disposta a resolver o impasse. Filha de um advogado com uma comerciante do Recife, a protagonista se dá conta de uma outra realidade. A primeira hora do drama transmite o recado diretamente em sua proposta de enfocar o choque social. A partir daí, o roteiro se perde em caminhos tortuosos para chegar a uma conclusão pretensamente emotiva. Estreou em 7/3/2014.
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  • Mariana Pamplona, roteirista e produtora deste documentário dirigido por Flavio Frederico (Boca do Lixo), nasceu em 1971, poucos meses depois da trágica morte de sua tia. No auge da ditadura, a psicóloga Iara Iavelberg foi encontrada com um tiro no peito após uma emboscada ao prédio onde estava refugiada, em Salvador, na Bahia. O caso foi logo encerrado como suicídio, mas a família, inconformada, pediu uma revisão desde a década de 90, só concluída com uma exumação em 2002. Iara começou como ativista política, passou da guerrilha à clandestinidade e foi companheira de Carlos Lamarca, capitão do Exército que desertou para aderir à luta armada contra a ditadura. Repleto de imagens e fotos de época, o filme parece, à primeira vista, apenas um registro pessoal, sobretudo por ser narrado pela sobrinha da biografada. Seu alcance, contudo, é mais amplo. Entremeado à trajetória de Iara, descortina-se um eficiente painel sobre os anos de chumbo no Brasil. Estreou em 27/3/2014.
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  • O diretor Paulo Morelli lançou em 2003 uma desastrosa comédia chamada Viva Voz. Quatro anos depois, subiu alguns degraus de qualidade com o correto Cidade dos Homens. Agora, o cineasta dá um grande salto neste drama intenso, de diálogos afiados, personagens sensíveis e atores em sintonia. A trama começa em 1992 e flagra um grupo de sete amigos em um sítio isolado na Serra da Mantiqueira (a locação é deslumbrante). Com seus 20 e poucos anos, os colegas são desencanados, apaixonados por literatura e flertam, por brincadeira, uns com os outros. Uma tragédia, porém, interrompe a união. Em 2002, a turma se reencontra com um objetivo: desenterrar uma caixa com mensagens escritas por eles uma década atrás. Felipe (Caio Blat) casou-se com Lúcia (Carolina Dieckmann) e virou um escritor bem-sucedido por causa de um único livro. Também moram juntos Drica (Martha Nowill) e o crítico literário Cazé (Julio Andrade). Silvana (Maria Ribeiro) ainda está à procura da cara-metade, enquanto Gus (Paulo Vilhena) jamais perdeu o interesse por Lúcia. Sem ir muito adiante, nota-se no enredo um mote idêntico ao de Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos (2010), de Woody Allen. Trata-se, contudo, de um detalhe que não atrapalha um roteiro sobre as escolhas erradas da vida e as decisões a ser tomadas diante de conflitos reveladores. Estreou em 27/3/2014.
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  • Transformar a história do curta Eu Não Quero Voltar Sozinho num longa-metragem foi a difícil tarefa que o diretor Daniel Ribeiro se propôs a enfrentar depois de faturar, em 2010, quatro prêmios no Festival de Paulínia. Passados quatro anos, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é lançado após a excelente acolhida no Festival de Berlim, de onde saiu com o prestigiado troféu Teddy, destinado a produções gays. Espera-se que o sucesso no exterior e os elogios nas pré-estreias se reflitam na bilheteria. Quem viu o original, disponível no YouTube, vai notar muitas semelhanças, mas nenhuma gordura. Ribeiro usou o mesmo fio condutor e os três desconhecidos atores principais para narrar uma cativante trama envolvendo a descoberta da homossexualidade. Na trama, Leo (o ótimo Ghilherme Lobo) tem de driblar o preconceito e o bullying na escola por ser cego. Sua única amiga e confidente, Giovana (Tess Amorim), o acompanha diariamente até a porta de casa. A chegada de Gabriel (Fabio Audi) ao colégio vai tumultuar a relação dos amigos. Esse rapazinho de cabelos de anjo mexe com os hormônios das meninas e, mais tarde, com o coração de Leo. Ribeiro incluiu personagens e situações não encontradas antes. São adendos pertinentes (como a vontade de Leo de fazer intercâmbio nos Estados Unidos) para dar fôlego e uma arejada ao enredo. A realização também se revela um primor — sem afetações nem lugares-comuns, o cineasta conduz o nascimento de um romance leve sustentado na descontração e na inocência do primeiro amor. A canção There’s Too Much Love, da banda Belle & Sebastian, faz um arremate de arrancar suspiros. Estreou em 10/4/2014.
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  • Com a indicação ao Oscar 2016, a bela animação paulistana volta às telas. Num universo atolado de animações em 3D, esse desenho revela-se um sopro de renovação e criatividade. Os méritos são do realizador paulistano Alê Abreu (de Garoto Cósmico), que extrai da técnica em 2D, aparentemente simples, traços deslumbrantes e uma explosão de cores. Numa mistura de pintura e colagem, a história segue a trajetória de um menino em busca do pai. Entre suas andanças, o garoto vai parar numa colheita de algodão, onde faz amizade com um tecelão de ponchos. Embora a trama tenha seu encanto, o visual arrebata mais. O diretor não situa a época nem a localização — há referências que vão dos morros cariocas a alguma língua de um país do Leste Europeu. Sem diálogos e movido por uma empolgante trilha sonora percussiva (com a participação de Naná Vasconcelos e Barbatuques), o caminho do pequeno protagonista é cheio de atalhos lúdicos e amargas surpresas. Reestreou em 21/1/2016. Ouvidos atentos: criado para o filme, o rap Aos Olhos de uma Criança leva a assinatura de Emicida e acompanha os créditos finais.
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  • A comédia nacional virou a grande amiga do cinema brasileiro. Gordas bilheterias de filmes como Minha Mãe É uma Peça e Até que a Sorte Nos Separe comprovam o sucesso do gênero. Estrelada pela adorável Giovanna Antonelli, a trama dessa nova empreitada traz ainda duas boas atrizes coadjuvantes: Fabiula Nascimento e Thalita Carauta (do Zorra Total). O tema da traição e a locação principal (um navio) remetem diretamente a Meu Passado Me Condena, com Fábio Porchat. Giovanna interpreta Adriana, que levou um fora do marido (Marcelo Airoldi) e ficou na fossa. Incentivada pela melhor amiga (Fabiula) a buscar ajuda, toma uma decisão contrária: seguir o ex e a nova namorada dele (Emanuelle Araújo) num transatlântico de partida para a Itália. Em alto-mar, Adriana encanta-se pelo passageiro André (Reynaldo Gianecchini). Confusões de praxe, lições de moral e belas filmagens em Veneza são entremeadas com piadas apelativas. Estreou em 20/3/2014.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO