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É tempo de cinema brasileiro: confira os dez filmes em cartaz

A comédia Até que a Sorte nos Separe, o longa nacional mais visto do ano, e o drama Gonzaga - De Pai para Filho estão entre as opções na cidade

Por: Redação VEJINHA.COM - Atualizado em

Gonzaga - De Pai pra Filho
'Gonzaga - De Pai pra Filho': relacionamento conturbado entre Luiz Gonzaga e seu filho Gonzaguinha (Foto: Divulgação)

Para os fãs de superproduções americanas, os cinemas da cidade reservam poucas opções: muitas das salas exibem os dois sucessos da temporada, A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2 e 007 - Operação Skyfall. Mas esse cenário se torna bem mais amplo e diversificado quando se fala em filmes nacionais. O circuito exibe nada menos que dez longas produzidos no país, entre documentários, dramas e até uma animação. Veja a lista de títulos em exibição, com salas, horários e resenhas do crítico Miguel Barbieri Jr.:

+ Confira mais comentários sobre cinema no blog do Miguel Barbieri Jr.

  • O trailer já dava uma ideia da ruindade da comédia, nascida de um projeto de Hubert e Marcelo Madureira, do Casseta & Planeta. Ambos criaram o repórter fictício Agamenon Mendes Pedreira, que assina há mais de vinte anos uma coluna no jornal O Globo. Agora, para o longa-metragem, eles deram corpo ao personagem e fizeram uma trama chinfrim para contextualizá-lo. O resultado: um roteiro entupido de palavras e frases de duplo sentido (e gosto duvidoso), atuações caricatas e uma direção medonha cujo maior problema está na falta de ritmo e graça. Acompanha os créditos finais a canção que diz “sorria, meu bem, sorria”, mas, diante de pouco mais de uma hora de fita, será um pedido quase impossível. O prestígio da dupla de humoristas, no entanto, é imenso. Além do farto marketing da Rede Globo, celebridades como o expresidente Fernando Henrique Cardoso, os escritores Nelson Motta, Ruy Castro e Paulo Coelho, o apresentador Jô Soares e o compositor Caetano Veloso aparecem para dar seu testemunho sobre Agamenon. Fernanda Montenegro narra a história. Nela, relembra-se como Agamenon virou um repórter de sucesso, apesar de sua má fama e do temperamento rebelde. Vivido na fase jovem por Marcelo Adnet e mais maduro por Hubert, o protagonista conseguiu se salvar do naufrágio do Titanic, entrevistou personalidades do porte de Gandhi e Albert Einstein e esteve presente em emblemáticos casos internacionais, como o assassinato de John Kennedy — grande parte destas sequências é fruto de uma montagem com imagens reais em efeito especial copiado toscamente de "Zelig" (1983) e "Forrest Gump" (1994). Em meio a piadas infames e surradas, há poucos momentos inspirados. Entre eles, a divertida entrevista com Osama bin Laden. Estreou em 06/01/2012.
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  • Em seu primeiro longa, a curta-metragista e diretora publicitária Paula Trabulsi tenta, desajeitadamente, unir cinema e artes plásticas. Na aventura, a jovem Astro (Alexandra Dahlström), filha de uma brasileira e de um sueco, chega ao Rio de Janeiro vinda de Estocolmo, onde mora. Sua estadia está vinculada a uma herança deixada pelo avô. Ela pena para se comunicar em inglês, mas, aos poucos, conhece a solidariedade do povo carioca. A começar por Alice (Veronica Debom), moça disposta a ajudar a gringa a conhecer a cidade. Até aí, o roteiro, embora raso, dá conta do recado. Quando entram em cena as intervenções de arte com música eletrônica, o enredo perde o rumo. Claudio Cavalcanti interpreta o advogado da protagonista e há aparições-relâmpago de Regina Duarte, Odilon Wagner e Leopoldo Pacheco. Estreou em 02/11/2012.
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  • Diretor de De Pernas pro Ar, Santucci eleva o nível da comédia nacional tratando de um assunto, no mínimo, interessante: como os casais se comportam diante das despesas domésticas. O mote saiu do best-seller de autoajuda Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, de Gustavo Cerbasi, e foca dois pares totalmente distintos. De um lado estão Tino (Leandro Hassum) e Jane (Danielle Winits), que ganharam 100 milhões de reais na loteria e torraram tudo em quinze anos. Na outra ponta, seu vizinho, o consultor econômico Amauri (Kiko Mascarenhas), é o oposto. Para desgosto da esposa (Rita Elmôr) dele, o almofadinha evita ter um segundo filho para não inflar o orçamento. Embora se detestem, os inimigos vão precisar conviver: Amauri vai ajudar Tino a sair do buraco financeiro. Na primeira (e melhor) parte, os estereótipos abundam no cotidiano dos novos-ricos e provocam risos. Quando a lição de moral entra em cena, o humor cai na banalidade conservadora. A fita é a campeã nacional do ano em bilheteria e já levou mais de 2,7 milhões de pessoas aos cinemas. Estreou em 05/10/2012.
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  • Produzido por Cacá Diegues, o documentário traz de volta quatro jovens cineastas que dirigiram episódios de 5 X Favela — Agora por Nós Mesmos. Sai a ficção, entra a realidade, novamente tendo como cenário as favelas cariocas. O quarteto se incumbiu de registrar temas diferentes do assunto central — os depoimentos dos cinco capítulos se intercalam no longa-metragem. Na berlinda está a chegada das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) às favelas de Cidade de Deus, Morro da Babilônia e Complexo do Alemão, entre outras. Houve benefício ou prejuízo? Para lidar com a delicada questão, os realizadores foram ouvir quem vive o dia a dia, sejam moradores, policiais, turistas ou vizinhos dos bairros próximos, além de entrevistar sociólogos e políticos, como o governador Sérgio Cabral. Fazem a diferença, contudo, as declarações de ex-traficantes e o posicionamento ainda indefinido — enquanto a maioria aprova a pacificação, outros, acredite!, querem a vida de antes. Estreou em 15/11/2012.
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  • O documentário musical em média-metragem presta homenagem à cantora Clementina de Jesus (1901-1987). Negra, pobre e empregada doméstica por vinte anos, Clementina foi descoberta por Hermínio Bello de Carvalho em 1963. Gravou cinco discos-solo e cantou com gente do porte de Milton Nascimento, Paulinho da Viola e João Nogueira. Estreou em 15/11/2012.
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  • Recém-formada em medicina, a pernambucana Verônica (Hermila Guedes) vai fazer residência num hospital público do Recife. Como escolheu ser psiquiatra, atende casos dramáticos de pessoas que sofrem de depressão, esquizofrenia, insônia... Para aliviar a barra-pesada, se joga na cama de seu paquera (papel de João Miguel) ou faz sexo com estranhos. O cotidiano fica ainda mais abalado quando seu pai (W.J. Solha) adoece e eles precisam mudar de apartamento por causa de um vazamento no edifício onde moram. O dilema da protagonista de ter (ou não) escolhido a profissão certa e sua liberdade diante dos relacionamentos são abordados de forma séria e ousada, respectivamente. Atriz mal aproveitada na TV, Hermila, estrela de fitas como O Céu de Suely e Assalto ao Banco Central, tem atuação convincente. Contudo, é dispensável a redundante narração em off de sua personagem, além de ser rápida e simplista a resolução de seus problemas. Do Festival de Brasília, o longa-metragem do diretor de Cinema, Aspirinas e Urubus saiu com seis importantes prêmios, incluindo melhor filme (pelos júris oficial e popular) e melhor roteiro. Estreou em 15/11/2012.
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  • Parece inesgotável o talento do diretor Breno Silveira para dar vida a histórias comoventes e genuinamente brasileiras — vide o recente e, infelizmente, pouco visto À Beira do Caminjho. Depois do acerto com 2 Filhos de Francisco, o realizador retorna com outra cinebiografia de artistas nacionais, agora centrada na trajetória pessoal e musical de Luiz Gonzaga (1912-1989) e seu filho, Gonzaguinha (1945-1991). Embora a carreira de ambos seja um dos carros-chefe, o mote está na relação amarga entre eles. O início se dá com o reencontro em 1980. Gonzagão, já um astro decadente, recebe a contragosto em sua casa, em Pernambuco, Gonzaguinha, um sucesso nas rádios. Rei do baião, o cantor de Asa Branca relembra, então, as passagens mais marcantes de sua vida. Saído da cidade de Exu enxotado por um coronel, ele desistiu da carreira militar para tentar a sorte como artista no Rio de Janeiro. Entre passado e presente, o roteiro enfoca desde seu primeiro casamento, com uma dançarina (papel de Nanda Costa), até sua ascensão na música a partir dos anos 40. Em pouco mais de duas horas, o drama promove um passeio por um Brasil nostálgico, envolto em preciosa direção de arte de Cláudio Amaral Peixoto (O Palhaço) e situações afetivas emocionantes. O elenco, encabeçado por Chambinho do Acordeon, que faz Gonzaga dos 27 aos 50 anos, e Julio Andrade, intérprete de Gonzaguinha adulto, dá conta muito bem do recado. Com Luciano Quirino e Silvia Buarque. Estreou em 26/10/2012.
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  • Sem fazer quase nenhum esforço físico, as crianças passam, em média, três horas na escola e outras cinco diante da TV todos os dias. Este documentário sobre obesidade infantil, portanto, trata de uma questão séria. Dirigida pela paulistana Estela Renner, a fita percorre o Brasil do Rio Grande do Sul ao Pará, das metrópoles às áreas rurais com um propósito: mostrar como a garotada se alimenta mal e só quer saber de comida industrializada. Pasme: um pacote de bolachas recheadas equivale (em calorias) a oito pães franceses. O resultado são problemas como sobrepeso, diabetes, colesterol alto... Muito elucidativo, o filme traz ainda depoimentos de pediatras e endocrinologistas. Além do formato criativo, a produção confirma o talento da cineasta para arrancar declarações inusitadas dos pequenos entrevistados. Estreou em 15/11/2012.
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  • Sucesso no Discovery Kids, o desenho animado ganha um longa-metragem com momentos aproveitados da série de TV. Na trama, Peixonauta, um peixe vestido de astronauta, tem de cumprir sete missões para ser promovido a agente secreto. Entre os desafios estão ajudar um pinguim perdido em praias tropicais e utilizar a energia gerada por uma roda d’água. Estreou em 09/11/2012.
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  • Com uma estrutura narrativa que lembra o programa Profissão Repórter, o documentário seguiu seis estudantes durante 2010. Os personagens são três moças e dois rapazes de São Paulo, além de uma jovem do Rio de Janeiro. De classes sociais distintas, eles tentam entrar na universidade. O filme cobre desde as aulas no cursinho até o sufocante momento de saber o resultado do vestibular. Extraindo-se os momentos pessoais (onde moram, de qual cidade são, como chegam para assistir às aulas), que pouco acrescentam ao enredo, o filme traz à tona assuntos oportunos — entre eles a discussão da cota racial. Há ainda depoimentos bacanas de Dráuzio Varella e Heródoto Barbeiro, ex-professores de cursinho. Estreou em 09/11/2012.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO