Cinema

John Travolta inspira 'Nos Embalos da Disco'

Comédia traz quarentões que retomam passos do célebre personagem Tony Manero para ganhar um concurso

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

No filme ‘Tony Manero’, lançado nos cinemas um ano atrás, o diretor chileno Pablo Larraín usava de dramaticidade para retratar um cinquentão perturbado psicologicamente. O título vinha do personagem-ícone de John Travolta no cultuado ‘Os Embalos de Sábado à Noite’ (1977). Melhor homenagem recebem Travolta e o musical de John Badham na comédia Nos Embalos da Disco. Trata-se de uma simpática história feita para agradar, sobretudo, a quem viveu a era dourada da discoteca. Ao som das canções eternas de Gloria Gaynor, Donna Summer e, claro, Bee Gees, o longa-metragem do francês Fabien Onteniente, de 51 anos, flui bem em sua fórmula simples e eficaz.

O foco está no divertido quarentão Didier Graindorge (Franck Dubosc). Esse tipo, que mora com a mãe no Havre, região portuária do norte da França, é a perfeita tradução de um perdedor. Desempregado e sem diploma, o francês Didier teve um filho com uma inglesa e anualmente revê o garoto. A mãe do menino, porém, já prevendo férias frustradas para ele, decide cancelar a visita à França. Didier, no entanto, tem uma saída: pretende faturar um concurso de dança cujo vencedor embolsará duas passagens para a Austrália. Famoso nas boates da década de 80 por imitar os passos de Tony Manero em ‘Os Embalos de Sábado à Noite’, Didier Travolta (nome artístico do protagonista) convoca seus dois parceiros (papéis de Samuel Le Bihan e Abbes Zahmani) e reativa o trio Les Bee Kings. Para ajudá-los a desenferrujar, entra em cena uma professora de balé interpretada pela bela Emmanuelle Béart.

Se há previsibilidade no decorrer da trama, os descompassos são acertados pela energia contagiante dos três amigos no palco. Dançarinos surpreendentes, Dubosc, Le Bihan e Zahmani rebolam sem culpa e com prazer, preenchendo o enredo de saudosismo.

Nos Embalos da Disco, de Fabien Onteniente (Disco, França, 2008, 103min). 12 anos. Estreou em 9/4/2010. Belas Artes 1.

 

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO