Criminalidade

'Nunca ouvi tanto tiro na vida", diz filho de vítima de chacina

Pelo menos dezenove pessoas foram mortas nas cidades de Osasco e Barueri na noite de quinta (13). Polícia ainda não sabe o que motivou o crime

Por: Pedro Henrique Tavares - Atualizado em

Chacina Osasco
Dono de bar em Osasco onde dez pessoas foram mortas (Foto: Avener Prado/Folhapress)

O estudante Fabrício Custódio, de 25 anos, esperava ansioso por notícias sobre a saúde do pai, na manhã desta sexta (14). O aposentado Maurício José Custódio, de 62 anos, um dos baleados na chacina que matou dezenove pessoas e deixou sete feridos em Osasco e Barueri na noite de quinta (13), passou por uma cirurgia para retirada de uma balada alojada na barriga. Além dele, outras nove vítimas foram feridas por tiros em um bar da Rua Antônio Benedito Ferreira, na Zona Norte de Osasco. “Nunca ouvi tantos tiros na minha vida”, disse Fabrício que mora ao lado do estabelecimento e já viu outros crimes na região.

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O clima de tensão era nítido na região onde ocorreu o crime. Nas proximidades, a maioria dos moradores se recusava a falar sobre o caso. Além disso, estabelecimentos comerciais deixaram de abrir as portas e os ônibus começaram a circular só às oito horas da manhã – o serviço começa por volta das 4h30. “Estamos com muito medo, porque nunca aconteceu nada deste tipo por aqui. Já ouvimos falar de crimes na região. Mas assim, tão perto de casa, eu nunca vi”, relata o comerciante Javã Rodrigues, de 37 anos.

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Rodrigues, que ouviu os disparos por volta da 20h30, ainda conta que, no início, pensou que alguém estava soltando rojões. “Meu cachorro se escondeu porque ele tem medo do barulho de bomba. Só me dei por conta que eram tiros por causa dos gritos”, pontua. Ele ainda revela que, entre as vítimas, estava um servente de pedreiro. “O cara havia acabado de sair do serviço e resolveu parar no bar”, conta. 

Em frente ao estabelecimento, conhecido como Torinho, ainda era possível ver as poças de sangue no chão. Segundo relatos de um comerciante vizinho que não quis se identificar, os presentes tentaram correr quando os criminosos chegaram a bordo de um carro e começaram a atirar. Uma das vítimas morreu sentada em uma cadeira. 

Chacina
Chacina na Grande São Paulo deixou vinte mortos (Foto: Oslaim Brito)

Chacina

Os ataques em Osasco não aconteceram apenas no bar. Outros assassinatos foram registrados na cidade. Doze horas após os ataques, o corpo de Eduardo Bernardino César, de 24 anos, ainda permanecia sobre o asfalto, coberto por um lençol amarelo por volta das 9h30. Testemunhas afirmam que ele foi alvejado ao menos quatro vezes por volta das 21h30 na Rua Eurico da Cruz. A polícia diz que ele foi surpreendido por duas pessoas em uma moto que passaram atirando. Os criminosos usavam capacete e ninguém conseguiu anotar a placa do veículo. "Era um trabalhador, nunca deu trabalho para a polícia. Saiu para comprar um salgadinho e não voltou", disse uma tia da vítima.

Rodrigo de Lima Silva, de 17 anos, também está entre os mortos. Ele estava sentado de frente para a Rua Professor Sud Menucci, quando um carro prata encostou na calçada. De dentro, uma pessoa usando touca ninja, saiu com a mão escondida na cintura. Outro ficou no carro. Sem dizer nada, o que saiu atirou duas vezes contra o jovem. Um tirou o acertou o olho; o outro, a boca. "Ele vivia em casa, com a mulher que está grávida de três meses", disse a irmã da vítima, Viviane Lima, de 27 anos. Silva era o caçula de seis filhos. A mãe, que velou o corpo na rua até as 9h30 desta manhã, saiu amparada por quatro pessoas, que a ajudavam a andar. Ela passou mal e precisou ir para o hospital.

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Em Barueri, foram registradas outras mortes. Duas pessoas morreram às 23h16 no Parque dos Camargos, após um ataque na Rua Irene. Outra pessoa morreu às 22h16 na Rua Carlos Lacerda, no bairro de Engenho Novo. Ainda não se sabe o que poderia ter motivado os ataques. A investigação é feita pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, e concentrada no 10º DP (Jardim Baronesa) de Osasco. "Ainda não é possível dizer que foram orquestrados, mas (os ataques) foram sequenciais e quase que simultâneos", disse o sargento Monteiro, do Centro de Operações da Polícia Militar em Osasco. (Com Estadão Conteúdo)

 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO