Entrevista

Roberto Minczuk fala sobre o Festival de Inverno de Campos do Jordão

Baixe a programação especial da 43ª edição do evento, que tem início no próximo sábado (30)

Por: Jonas Lopes - Atualizado em

Roberto Minczuk
Roberto Minczuk à frente da OSB: longa história com o Festival de Campos do Jordão (Foto: Divulgação)

Evento essencial do calendário da música erudita no Brasil, o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão chega à sua 43ª edição a partir do próximo sábado (30). Pela primeira vez sob o comando da Fundação Osesp, o evento terá 60 concertos além da participação de solistas como Nelson Freire e Johannes Moser.

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Com uma longa história com o evento, o paulistano Roberto Minczuk também faz parte da agenda. Maestro da Orquestra Sinfônica Brasileira, ele subiu a serra pela primeira vez em 1978, aos 11 anos, como estudante de trompa. Esteve por lá ainda no posto de regente associado da Osesp, durante a gestão de John Neschling, e como diretor artístico do festival, entre 2004 e 2008.

Neste ano, ele lidera a OSB em uma récita no dia 20 de julho. No repertório, o poema sinfônico "Don Juan", de Richard Strauss, a "Sinfonia Nº 10 em Mi Menor Op. 93", de Dmitri Shostakovich, e a "Suíte Concertante para Violão e Orquestra", de Edino Krieger, com solos do violonista Turibio Santos.

Minczuk, de 45 anos, fala abaixo sobre suas experiências.

VEJA SÃO PAULO — Quais foram as grandes mudanças no Festival de Campos do Jordão nestes mais de 30 anos em que você participa dele?

Roberto Minczuk — O festival se transformou inúmeras vezes. Fiquei muito marcado na primeira vez em que fui, aos 11 anos. O diretor artístico era o maestro Eleazar de Carvalho. Naquela época, não existia a estrutura de hoje, os concertos aconteciam no Palácio Alto da Boa Vista e em outros lugares da cidade. Alguns anos depois, o Auditório Cláudio Santoro foi inaugurado. Houve concepções diversas ao longo da história, mas um aspecto sempre esteve presente: a maioria dos músicos brasileiros que hoje integram as melhores orquestras do país passou por Campos do Jordão. Uma das minhas lembranças mais antigas foi não ter podido ir junto com meu irmão Arcádio (oboísta da Osesp), que é três anos mais velho do que eu. Isso foi em 1977, eu tinha apenas dez anos. Mas no ano seguinte fui pela primeira vez e, de cara, tivemos como  artistas convidados o fantástico Mstislav Rostropovich, um dos maiores violoncelistas do século XX, e a esposa dele, a soprano Galina Vishnevskaya. Ter os dois ao lado daquela garotada foi uma experiência indescritível.

VEJA SÃO PAULO — Em 2012, comemoramos o centenário de nascimento do maestro Eleazar de Carvalho (1912-1996), com quem você esteve várias vezes no festival. Você se lembra de alguma boa história dele por lá?

Roberto Minczuk — O maestro Eleazar já chamava todos os bolsistas de "professor", era um hábito dele. Arcádio e eu éramos os mascotes do festival, com 14 e 11 anos, respectivamente. No meu primeiro Festival tocamos a "Quinta Sinfonia", de Tchaikovsky. Foi quando me encarreguei do solo de trompa desta obra pela primeira vez. No segundo ensaio, o Eleazar cortou a orquestra e me deixou executar sozinho o solo inteiro. Tocar essa passagem sob a batuta do Eleazar foi como um batismo sinfônico.

VEJA SÃO PAULO — O que espera da apresentação da OSB no Auditório Cláudio Santoro, no dia 20 de julho?

Roberto Minczuk —  A expectativa é fazer um lindo concerto. A orquestra está entusiasmada, fez questão de participar do festival. Os próprios músicos, inclusive, sugeriram o repertório que gostariam de tocar: "Don Juan", de Strauss, e a "Décima Sinfonia", de Shostakovich. O Edino Krieger, que já foi compositor residente em Campos do Jordão, trouxe uma peça nova, que será interpretada por um dos mais emblemáticos artistas do Brasil, o Turibio Santos.

Fonte: VEJA SÃO PAULO