Filantropia

Noivos e anfitriões doam seus presentes para entidades filantrópicas

Nas festas 'do bem', as contribuições oferecidas costumam ser em dinheiro, em cheque ou em produtos diversos

Por: Maria Paola de Salvo - Atualizado em

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A empresária Edna Queiroz, com a presidente da Casa Hope, Claudia Bonfiglioli: seu último aniversário rendeu 500 latas de leite à instituição (Foto: Mario Rodrigues)

Na próxima vez em que receber um convite de casamento ou aniversário, não se surpreenda caso o anfitrião peça, em substituição ao presente, uma doação a alguma entidade filantrópica. Antes comum apenas entre celebridades ávidas por um holofote, a atitude vem ganhando mais adeptos. Com o casório marcado para 19 de junho, o empresário Fabio Depret e sua noiva, a chef de cozinha Poliana Sitolini, decidiram abrir mão de fogão, geladeira e outros eletrodomésticos em favor de contribuições em dinheiro à Casa Hope, que há catorze anos abriga crianças e adolescentes vítimas de câncer ou transplantados. “Temos condições de comprar o que nos falta”, afirma Depret, que convidou 250 pessoas. “Um liquidificador pode esperar, mas as necessidades de uma criança carente com câncer não.” De acordo com a presidente da Casa Hope, Claudia Bonfiglioli, as doações oriundas desse tipo de comemoração “do bem” têm aumentado. Em todo o ano de 2009, apenas um único evento contribuiu com a entidade. Neste ano, já foram cinco. “Arrecadamos uma média de 25 000 reais em cada um deles”, diz Claudia. “Além de nos ajudar, essa atitude faz os convidados se sentir úteis.”

A sede da Hope, no Planalto Paulista, tem orçamento mensal de 400 000 reais e abriga 188 pessoas. Claudia dá todo tipo de suporte ao organizador do casamento, aniversário ou chá de bebê. Instala uma urna de arrecadações no local da festa e até escala um representante para ficar de plantão, dirimindo dúvidas. “Depois, enviamos a cada um dos convidados um recibo da doação, com um cartão de agradecimento e flores”, afirma. Para as pessoas que preferem pedir produtos a dinheiro, a Hope elabora uma lista dos itens de que precisa. A empresária Edna Queiroz, por exemplo, é uma das que contribuem com leite. Em seu último aniversário, em maio do ano passado, arrecadou 500 latas, quantidade suficiente para suprir por dois meses as necessidades da casa. “Neste ano, farei uma festa a fantasia e pedirei dez latas a cada uma das 150 pessoas que pretendo convidar.”

Em todo o ano passado, dois aniversariantes colaboraram com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Paulo. Até abril deste ano, foram três, que enviaram à Apae, em média, 10 000 reais cada um. Um deles foi o advogado Renato Vasconcellos de Arruda. Ele conseguiu angariar 35 000 reais entre os 600 amigos que compareceram ao seu aniversário de 50 anos, no dia 24 de abril. Dividiu igualmente o valor entre a Apae e a Associação Paulista Feminina de Combate ao Câncer, grupo de 400 voluntárias que presta serviços a quatro hospitais da cidade. “Não achei justo pedir presente e optei por essa forma de retribuir à sociedade”, diz Arruda. O dinheiro será usado na compra de medicamentos emergenciais e alimentos especiais a crianças com câncer internadas no Hospital Infantil Darcy Vargas. “Alguns remédios oncológicos não fornecidos pelo estado chegam a custar 25 000 reais”, explica Deise Mendes Cirillo, uma das voluntárias que atuam no Darcy Vargas. Alimentos, como leites especiais, também são bem-vindos. Três festas organizadas pela decoradora Christina Hamoui renderam cobertores e sucos de frutas às crianças. “Os convidados vestem a camisa porque sentem que estão fazendo o bem.”

Alguns copiam o exemplo de celebridades e esportistas. O piloto Felipe Massa trocou os presentes do chá de bebê de seu filho no ano passado por ajuda ao Darcy Vargas. Em março, a mulher do jogador Ronaldo Fenômeno, Bia Antony, pediu aos convidados do chá de bebê de sua segunda filha, Maria Alice, que fizessem doações à instituição Amparo Maternal, na Vila Clementino. A entidade arrecadou 128 itens, entre pacotes de fralda, leite em pó e outros produtos. “Depois disso, várias pessoas nos procuraram para replicar a ação”, conta a voluntária Silvana Nartis. “Criamos até um setor específico para receber doações.”

COMO ORGANIZAR UMA FESTA DO BEM

• Contate a instituição e verifique do que ela precisa. As contribuições podem ser em dinheiro, em cheque ou em produtos. Neste caso, peça uma lista dos itens necessários

• Se possível, faça uma visita ao lugar

• Peça uma urna no local da festa para que os convidados depositem a doação em envelopes. Algumas entidades cedem representantes para tirar dúvidas e recolhem as contribuições no fim do evento

• Mais informações: Casa Hope (tel.: 5056-9700); Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Paulo (tel.: 5080-7000); Kodomo-No-Sono (tel.: 3208-3949); Associação Paulista Feminina de Combate ao Câncer (tel.: 3257-3020); Amparo Maternal (tel.: 5089-8275).

Fonte: VEJA SÃO PAULO