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Fernando de Noronha: dicas para uma viagem ao paraíso

Os melhores passeios, hotéis e restaurantes da ilha que está entre os destinos turísticos mais desejados do país

Por: Mônica Santos* - Atualizado em

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Tão logo alguém anuncia seu próximo destino de férias, chovem as dicas dos amigos. Em geral, são recomendações preciosas, que merecem ser anotadas. Mas no caso de Fernando de Noronha, a mais valiosa talvez seja a de reservar uma poltrona junto à janela do lado esquerdo do avião. Nos minutos que antecedem o pouso, enquanto a aeronave se posiciona em direção à pequena pista do aeroporto, a vista a partir da janelinha não deixará dúvidas: você realmente está chegando a um lugar paradisíaco.

O arquipélago de Fernando de Noronha é formado por 21 ilhas, ilhotas e rochedos de origem vulcânica, mas apenas a maior delas é aberta à visitação. Ao redor desses 17 quilômetros quadrados, usados como locação para o filme Sangue Azul, estão as praias mais bonitas do Brasil. Elas se dividem entre o Mar de Dentro, que são as que dão para o continente e têm coloração entre o azul-turquesa e o verde-esmeralda, e as do Mar de Fora, com águas de um azul mais intenso e impressionante.

O número de pessoas por lá é controlado: entre nativos e gente que trabalha com turismo, vivem na ilha cerca de 3 000 pessoas e o número máximo de turistas que podem pernoitar é de 700. Isso torna o destino ainda mais exclusivo e bastante procurado por empresários, atores e celebridades em busca de sossego e, principalmente, casais.

Cinco dias são suficientes para explorar toda a ilha, mas se puder ficar mais, não pense duas vezes. Vale a pena se organizar para fazer os principais passeios, todos imperdíveis mesmo. Isso inclui dedicar um dia à Praia do Sancho, passear de barco até a Baía dos Golfinhos, explorar a rica vida marinha da Praia do Sueste com o snorkel, mergulhar, fazer trilha e, claro, ver o dia passar apenas admirando a vista. Como se trata de uma área de preservação ambiental, as barracas e guarda-sóis na areia são proibidos na maior parte da ilha. Ainda assim é possível encontrar estrutura em algumas praias do Mar de Dentro, como a da Conceição e a do Meio – esta última tem um bar com agradáveis tendas.  

Os dias são longos e a noite costuma terminar cedo para a maior parte dos turistas. Antes do jantar, vale conferir as palestras do Projeto Tamar, sempre às 20 horas. Para os mais animados, há o bar da Praia do Cachorro, que conta com apresentações musicais (em geral, forró) a partir das 23 horas.

Antes de emitir a passagem, porém, convém preparar o bolso. O frete para trazer as coisas do continente faz tudo na ilha ser mais caro. A gasolina, a mais cara do Brasil, sai a 5,50 reais o litro e não há como escapar disso se o turista quiser explorar Noronha de bugue. Os preços de hospedagem, passeio e alimentação também são mais altos quando comparados a outros destinos de praia no Brasil e existem ainda duas taxas que ajudam a engordar a conta: a de Preservação Ambiental, que é cobrada por dia de permanência e pode ser paga antecipadamente aqui e a de acesso à área do Parque Marinho (81 reais para brasileiros e 162 reais para estrangeiros), paga uma única vez.

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O que fazer

Ilha tour – É ideal para quem tem pouco tempo ou quer se localizar e entender a ilha antes de alugar um bugue e explorá-la sem guia. O passeio dura oito horas, é realizado em um veículo 4x4 e percorre as principais praias do mar aberto. Na do Leão, a parada é rápida, apenas para tirar foto. A seguir, vem o mergulho na Praia do Sueste – é lá que você, munido de snorkel, colete e pé de pato, nada com tartarugas, arraias, moreias, polvos e muitos, mas muitos cardumes de peixe. Encontrar pequenos tubarões também é comum. Depois vem a Praia do Sancho. Há tempo de sobra para fazer a trilha e tirar fotos lá do alto. Quem tem pique de sobra, vai até a areia: depois de descer duas escadinhas de ferro penduradas na pedra (uma com quinze e outra com vinte degraus) é necessário vencer a escadaria íngreme, de pedra, que tem 150 degraus. Avalie o fôlego antes de descer, pois o caminho de volta é o mesmo. E vale a pena o esforço? Vale muito! A praia é incrível e, dependendo da época do ano, brinda os visitantes com duas deliciosas cachoeiras de água doce. Há paradas ainda na praia Cacimba do Padre, onde é possível pegar sol e há dois lugares para almoçar e no Forte do Boldró, para ver o pôr do sol. A partir de 120 reais por pessoa. Quem leva: Atalaia (81-3619-1991) e Costa Blue (81-3619-0007).

Passeio de barco para ver os Golfinhos - Feito pela manhã ou à tarde, o tour de quatro horas percorre o Mar de Dentro, do porto até a Ponta da Sapata. No meio do caminho está a Baía dos Golfinhos – os animais, como estratégia de proteção do restante do grupo, chegam bem pertinho do barco e, vez ou outra, fazem piruetas. Na volta, o barco para por cerca de meia hora para mergulho na Praia do Sancho. Dica: para ver mais golfinhos, prefira ir no período da manhã. Custa a partir de 110 reais. Quem leva: Atalaia (81-3619-1991) e Costa Blue (81-3619-0007).

Batismo de mergulho - O grupo recebe instruções na embarcação e cada pessoa mergulha na companhia de um instrutor. O mergulho propriamente dito dura 30 minutos, mas é preciso reservar meio período para a atividade que custa 455 reais por pessoa. Quem leva: Atalaia (3619-1991) e Costa Blue (81-3619-0007).

Passeio de barco no fim de tarde com prancha submarina – Embarcar no passeio é outro jeito de curtir ainda mais o mar de Noronha. Na primeira parte, os turistas se revezam na prancha submarina: ela é ligada ao barco por uma corda e, com movimentos de sobe e desce, você observa o fundo do mar. Na sequência o barco passa pela região do Morro Dois Irmãos e faz uma parada na praia da Conceição. Enquanto os turistas mergulham, a tripulação prepara um churrasco na embarcação. A refeição é feita enquanto aprecia-se o entardecer. O passeio dura cerca de cinco horas e custa a partir de 160 reais. Quem leva: Atalaia (3619-1991), Costa Blue (3619-0007) e Trovão dos Mares (81-3619- 1228).

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Passeio na Navi: embarcação tem fundo transparente (Foto: Divulgação)

Passeio de Navi – Boa opção para quem não se sente confortável em mergulhar, mas não quer deixar de apreciar a vida submarina. A navi é uma embarcação redonda, que tem fundo transparente e uma lente especial, capaz de ampliar a imagem do fundo do mar. O passeio começa com uma rápida palestra no Museu do Tubarão e continua no mar, com explicações de um guia. Importante: os passageiros ficam o tempo todo olhando para baixo, o que pode não ser muito recomendado para quem, naturalmente, tem enjoos no mar. Custa a partir de 170 reais por pessoa e dura cerca de 1h30. Quem leva: Atalaia (81-3619-1991) e Costa Blue (81-3619-0007).

Centro histórico – Não é necessário guia para explorar o núcleo urbano da ilha, na Vila dos Remédios. Lá ficam a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios (datada de 1772), o Memorial Noronhense e o Palácio São Miguel, construção de 1948, que atualmente abriga o centro administrativo. Uma pequena caminhada leva até as ruínas de um forte do século XVIII – outro lugar imperdível para curtir a vista e esquecer da hora. Dica para quem acorda cedo: com sorte, das 6h da manhã em diante, golfinhos podem ser vistos por ali também. Quem leva: Atalaia (81-3619-1991) e Costa Blue (81-3619-0007).

Trekking – A caminhada de 5 km (quatro horas) começa na Praia da Atalaia e segue sentido Enseada da Caieira. No caminho, piscinas naturais, boas para mergulho, e duas penínsulas de falésias que se projetam sobre o mar. É obrigatório ir com guia credenciado pelo Instituto Chico Mendes – a sua pousada pode indicar um. Pelas agências Atalaia e Costa Blue, também é possível fazer a trilha dos Abreus e a Capim Açú. Custam a partir de 100 reais e 200 reais, respectivamente.

Captura de tartarugas - Uma ou duas vezes por semana, na Praia do Porto de Santo Antônio, a equipe do Projeto Tamar pega as tartarugas no mar e as leva até a areia para marcação e medição. Informe-se sobre os dias e horários no próprio Projeto Tamar. Alameda Boldró, s/nº | (81) 3619-1171.

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É bom saber

Quando ir – A temperatura média é de 28°C e se mantém estável ao longo de todo o ano e o mar também é quentinho, em torno dos 24°C. Os nativos costumam dividir o clima ali entre seco (de agosto e setembro) e chuvoso (março a julho). Contudo, mesmo no segundo período aproveita-se bem os passeios, pois as chuvas são esporádicas – com a vantagem de que os preços de hospedagem e passeio costumam ser um pouco menores. Em qualquer época do ano é possível ver a rica fauna marinha, mas nos meses de setembro e outubro, quando o mar está mais calmo, a visibilidade chega a 50 metros. Para os surfistas, são mais indicados os meses de janeiro e fevereiro.

Como chegar - Quem parte de São Paulo precisa fazer uma conexão em Recife (a 545 quilômetros) ou Natal (a 360 quilômetros). Os voos para a ilha são diários, pelas companhias Gol e Azul, e a maior parte das pousadas oferece transfer gratuito.

Como circular – Um ônibus (R$ 3,00 a passagem) circular percorre toda a BR-363, que tem apenas 7 quilômetros de extensão e liga o porto ao aeroporto e passa na entrada de praticamente todas as atrações. Mas, no caso das praias, quase sempre será preciso andar um pouco mais por estrada de terra. O aluguel de um bugue, veículo mais popular na ilha, custa a partir de 180 reais a diária. Outra possibilidade para se locomover são os táxis, que cobram 19 reais (trechos mais curtos) ou 23 reais (trechos mais longos).

 

Onde comer

Flamboyant - É o que pode se considerar o bom e barato da ilha, sobretudo no almoço. Massas, peixes frescos e uma boa variedade de salada integram o bufê (52,90 reais o quilo). Vila dos Remédios. Bosque Flamboyant, Vila dos Remédios. 12h/23h. (81) 3619-1510.

O Pico Fernando de Noronha
O Pico: misto de loja, restaurante e galeria de arte (Foto: Divulgação)

O Pico – Misto de café, restaurante e loja, o descolado endereço abriu as portas em 2012. Chama a atenção dos visitantes a exposição de obras do mestre J. Borges, que criou xilogravuras exclusivas tendo a ilha como tema. Algumas das peças estão à venda na lojinha de artesanato. Muitos encerram a noite por ali, bebendo uma taça de champanhe no lounge ao ar livre, que também exibe filmes. Rua Nice Cordeiro, s/nº, Floresta Nova | Fone: (81) 3619-1250/3619-1377 | Horário. www.opiconoronha.com.br.

Beijupirá – Localizado em pousada, tem cardápio semelhante ao das demais restaurantes da marca, que funcionam em Olinda, Porto de Galinhas e Praia de Carneiros. Atende não-hóspedes no almoço e no jantar, mediante reserva. Rua Amaro Preta, 125, Floresta Velha | (81) 3049-1027. 7h/22h. | www.beijupiralodgenoronha.com.br. (O cara de lá me disse que vai enviar as fotos e a sugestão do prato ainda hoje por email).

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Zé Maria, no festival gastronômico de seu restaurante: evento disputadíssimo (Foto: Divulgação)

Restaurante Zé Maria – O ponto alto deste restaurante é o festival gastronômico realizado nas noites de quarta e sábado e apresentado pelo próprio Zé Maria – não raro, os peixes servidos também foram pescados por ele. A 148,98 reais por pessoa, são servidas fartamente cerca de quarenta receitas. A enorme paella coroada por frutos do mar graúdos é atração principal, mas vale experimentar também outras receitas menos corriqueiras, como o arroz de jaca, a farofa de pão velho e a carne-seca com queijo de coalho. Reserve apetite para o banquete de sobremesas que vem a seguir, igualmente farto e interessante.  Fique esperto: a maior parte dos turistas desembarca na ilha com a reserva para o festival garantida, tamanha é a procura. Rua Nice Cordeiro, 1, Floresta Velha | Fone: 81-3619-1258 | 12h/23h. www.pousadazemaria.com.br.

Du Mar – Os pratos principais são fartos, bons para dividir. Caldinho de polvo (6,90 reais), moqueca de frutos do mar (169,90 reais, para duas pessoas) e cartola (26,90 reais) estão no cardápio. Oferece um serviço de leva e trás entre o restaurante e os hotéis – basta ligar e em poucos minutos o carro estará à disposição do hóspede. Alameda do Boldró, Boldró | Fone: (81) 3619-0432 |12h/23h | www.restaurantedumar.com.br.

Cacimba Bistrô - No centro histórico da Vila dos Remédios, tem um ambiente descolado e menu enxuto. No jantar embalado por música lounge, vale abrir o serviço com um drinque. Serve um menu de almoço que combina prato do dia, suco e sobremesa por 36 reais. Praça Presidente Eurico Dutra, 9, Vila dos Remédios | Fone: (81) 3619-1200 | 12h/15h e 18h30/23h30.

Mergulhão
Um dos ambientes do Mergulhão: para beber um drinque e petiscar ao ar livre (Foto: Divulgação)

Mergulhão - Instalado em um morro, bem diante ao porto, tem uma vista incrível. Vale ir no fim de tarde, para tomar um drinque sem pressa vendo o pôr do sol e depois emendar o jantar. Além do salão, conta com agradáveis tendas com pufes na área externa. Do cardápio, saem bons petiscos como o ceviche de cavala marinado no maracujá (51 reais, para dois) e o mignon de carne-seca mais abacaxi grelhado e requeijão de corte (61 reais, para dois). Entre as receitas principais, sobressai o peixe do dia grelhado com molho picante de pitanga e crispy de couve, guarnecido de cuscuz nordestino (75 reais). Não vá embora sem provar o cafezinho de coador, derramado em uma xícara com doce de leite (R$ 10,00 reais). Porto de Santo Antônio, Porto | Fone: (81) 3619-0215 |12h/22h (fecha dom.).

 

Colaboração: Jennifer Detlinger.

Fonte: VEJA SÃO PAULO