Polêmica

Felipeh Campos diz que torcedores da Gaivotas Fiéis fariam “carinho” em Pato

Com mais de 500 mil pedidos de adesão, primeira torcida gay organizada pretende ser maior que a Gaviões; confira entrevista com o criador

Por: Marcus Oliveira - Atualizado em

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Felipeh Campos está sendo acusado de plagiar a logomarca da Gaviões da Fiel (Foto: Divulgação)

A má campanha no Brasileirão e a recente eliminação da Copa do Brasil não pretendem abalar em nada os torcedores do Corinthians no que depender do jornalista, apresentador e comentarista esportivo Felipeh Campos, de 39 anos. O time, que já possui uma das torcidas organizadas mais populosas do país, a Gaviões da Fiel (com 98 mil associados), caminha agora para ter a maior e a primeira organizada gay do mundo, a Gaiovotas Fiéis.

Enquanto os torcedores xingam o atacante Alexandre Pato por ter perdido o pênalti que eliminou o Timão, Felipeh pensa de forma diferente. "O Pato ferrou o jogo, mas ele está meio perdido. A minha torcida não ia permitir que ele e ninguém passasse por isso. O máximo que a gente faria nele é um carinho." Felipeh Campos, que já trabalhou no programa Qual é a Música?, do SBT, falou com VEJASAOPAULO.COM sobre o projeto e garante que terá cadeira cativa nos jogos do Timão na próxima temporada.

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Camisetas oficiais serão dadas aos sócios da Gaivotas Fiéis (Foto: Divulgação)

- Você costuma frequentar os estádios?

Sempre fui corintiano e ia muito com meu pai quando tinha por volta de 6 e 7 anos. Era uma festa. No ano passado fui em uns vinte jogos, incluíndo a final da Libertadores, e esse ano em uns cinco. Entendo mais de futebol que muito homem por aí. Aliás, presto atenção nas jogadas e nos jogadores também, por isso tenho uma opinião muito mais abrangente.

- Tem algum receio em ir em um jogo?

As demais organizadas são muito homofóbicas. E, no fim das contas, existe coisa mais gay que um estádio? São 60 000 mil homens suando, se abraçando, olhando outros 22 de shortinhos correndo. Isso é uma manifestação homossexual.

- O que achou da polêmica em torno do selinho do Sheik?

Fique abismado. Torcedor não tem que olhar para isso, tem que torcer pelo gol. Se o Sheik é gay, o Ronaldo saiu com alguém, não importa. Ele tem que jogar bem.

- Você tem algum incentivo do Corinthians?

Procurei o clube e descobri que as organizadas são independentes. A partir daí busquei contato com a Gaviões e eles não me responderam. E agora fiquei sabendo que querem investigar a minha torcida. A Gaivotas vai surgir com tudo, vou até o fim. Estávamos indo timidamente, mas agora mudou. Eles vao sentir o peso.

- E quais os objetivos da Gaivotas?

Recebemos mais de 500 mil pedidos de adesão. Acabamos de garantir a autorização jurídica e agora vamos criar uma conta para que as pessoas possam se tornar associadas. Vamos cobrar o valor de 50 a 60 reais por mês e pretendemos ter uma sede em cada cidade. O associado ganha uma carteirinha, duas camisetas e uma bandeira. Com esse número de adesões teremos cadeira cativa. Quero pedir 40 mil ingressos para os jogos e vamos conseguir. Se a gente não entrar, vamos torcer do lado de fora.

- E tem recebido ameaças?

Falaram que vão me matar, recebi ameaça de tudo que foi lado e não tenho medo. Se algo acontecer comigo, as pessoas vão continuar contando essa história. Não tenho saco para aguentar homofóbico. O conceito da minha torcida é gay, mas é a favor da família. Vou pedir segurança pública para a minha torcida. O Vampeta, por exemplo, disse que vou ter problemas. Ele saiu numa revista gay. Quem é ele para dizer isso?

- A Gaviões já te procurou?

Fiquei sabendo que o advogado deles vai entrar com uma investigação. Plágio seria se eu colocasse o emblema com um salto ou um cílio no gavião. Aí sim eu estaria denegrindo a imagem. Fiz uma gaivota, não usei a âncora do Corinthians. Ainda não fui notificado e acho essa mobilização um absurdo. Por que não focam as energias em investigar as mortes nos estádios?

- Acha o futebol machista?

Até então eu não achava. Comecei a entender que é agora e não vou parar. Vou brigar até o fim. Uma coisa que sei fazer é bater forte. Se alguém vier para cima, vai apanhar também. Estou com bandeira branca, mas no caso de agressão preciso reagir também.

Fonte: VEJA SÃO PAULO