Comida de rua

Feirinha Gastronômica da Praça Benedito Calixto completa um ano

Mais de 500 chefs passaram pelo evento que recebe cerca de 3 500 pessoas todo domingo

Por: Mariana Oliveira - Atualizado em

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Primeiro a espera, depois a multidão e, por último, o calor interno. Três etapas que parecem ser facilmente superadas pelo público cativo da Feirinha Gastronômica, que paga de 5 a 25 reais nos quitutes e aproveita os banquinhos da praça para não comer em pé. Em cinquenta edições, aproximadamente 500 chefs serviram uma média de 400 000 refeições. Cada domingo, das 11h às 19h, o evento reúne até 2 500 pessoas.

Para celebrar o primeiro ano da feira, uma edição especial está programada para o dia 23 deste mês e deve ter pela segunda vez uma parceria com a Smorgasburg, feira de comidas do bairro de Williamsburg, no Brooklyn, Nova York. No ano passado, Keizo Shimamoto veio a São Paulo com o famoso hambúrguer de miojo. Além disso, os pratos oferecidos pelos outros projetos também serão comemorativos.  

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Segundo Maurício Schuartz, um dos organizadores da feira, outros eventos fixos de gastronomia estão previstos para 2014. A primeira novidade deve sair entre o final de março e o começo de abril e será um espaço no bairro do Butantã com os chamados food trucks, os caminhõezinhos e vans que vendem comida. Aberto todos os dias, o local deve abrigar dez trailers fixos e receber eventos sazonais. O projeto EATinerante, do chef Alex Caputo, está entre as participações confirmadas.

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A Feirinha Gastronômica tem os mesmos criadores do Chefs Na Rua, um dos eventos responsáveis pela difusão da comida de rua em São Paulo, mas com uma proposta diferente: dar espaço para novos nomes da gastronomia. A periodicidade foi outro diferencial, já que a feira passou a acontecer toda semana e entrou para o calendário da cidade. Entre fevereiro e agosto de 2013, ocorria na Vila Madalena e, depois de uma pausa de trinta dias, voltou em novo endereço, o Espaço Qualquer Coisa da Praça Benedito Calixto. O local suporta dez barracas a mais do que o anterior, somando trinta expositores.

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VALE A VOLTA

Alguns pratos fizeram tanto sucesso durante esse primeiro ano que a organização teve que passar por mudanças. A rotatividade da programação foi de semanal para mensal. "A procura do público é grande e nem todo mundo tem a possibilidade de ir numa semana", explica Maurício. Para os chefs, a nova estrutura também é positiva, pois eles trabalham uma sequência de receitas e, com isso, ganham maior visibilidade.

Waldo Neves e Nilceia Santos estão à frente do Acarajé na Barra, um dos projetos que recebeu espaço no evento e participou de todas as edições na Benedito Calixto. Com cerca de 350 acarajés por edição, mãe e filho tiram 50% da renda mensal a partir da Feirinha Gastronômica. "As vendas já foram melhores, chegamos a comercializar 400 unidades. Hoje tem mais opções para as pessoas comerem", pondera Waldo. 

Feirinha Gastronômica - Acarajé da Barra
Acarajé da Barra: Waldo Neves e Nilceia Santos (Foto: Divulgação)

Mas, mesmo com a queda nos números, que é justificada com a variedade de opções, o movimento do evento é maior do que as outras feiras em que os dois trabalham, como a de Osasco e o Mercadinho Chic. Todo domingo, além do acarajé tradicional, a dupla leva outras receitas baianas, como moqueca de peixe, bobó de camarão e cocada.

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Outro destaque, o Buffet Nordestino da Dona Vera Lúcia, conquistou leigos e chefs gastronômicos. A cozinheira prepara uma macaxeira recheada (mandioca com carne seca) desde a primeira edição na praça e também fez da feira sua principal fonte de renda.

Feirinha Gastronômica - Buffet Nordestino
Buffet Nordestino: macaxeira de bacalhau (Foto: Divulgação)

Durante a semana, quando não está em algum outro evento, prepara as coisas para o domingo. São cerca de 200 pratos vendidos entre 20 e 25 reais. Segundo a Dona Vera, o consumo semanal de mandioca chega a 140 quilos. “Às vezes levo algum sabor diferente, como calabresa, abobrinha ou bacalhau, mas a tradicional é a que tem mais saída.”

ALÉM DA PRAÇA

Muitos dos projetos e chefs que começam a participar da Feirinha Gastronômica não possuem um espaço próprio, mas, depois de cair na boca do povo, a possibilidade de abrir um estabelecimento aumenta. O Me Gusta Picolés Artesanais é um dos exemplos, pois deve inaugurar uma loja na Rua Augusta até o fim de fevereiro.

“Faremos alguns sabores que não são possíveis na feira, como o de torta de limão que recebe uma cobertura de bolachas quebradas”, explica Gabriel Fernandes, idealizador do projeto. Os gelados são preparados com frutas e não levam corantes nem conservantes. São vendidas cerca de 1 500 unidades todo domingo.

O estudante de gastronomia Guilhermo Pinto, do La Vera Porchetta, também participa da feirinha com seu sanduíche de porchetta. Em março, tem planos para estacionar um food truck em frente ao bar Vianna. “É uma região com muitos locais de trabalho e o público ainda não conhece o lanche”, comenta Guilhermo, que, além do carro-chefe, pretende criar um cardápio semanal no novo empreendimento.

Fonte: VEJA SÃO PAULO