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Personalidades investem em restaurantes e aumentam o movimento das casas

Conheça endereços na capital que têm famosos como sócios

Por: Helena Galante

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O ambiente à moda nova-iorquina (Foto: Ligia Skowronski)

Gerar burburinho desde a abertura é uma das estratégias de sobrevivência dos restaurantes em tempos de vacas magras. Uma festa de inauguração com muitos famosos (registrados em fotos compartilhadas nas redes sociais, é claro) costuma ser um bom pontapé inicial. No caso do burger joint, na Rua Bela Cintra, o recém-completado primeiro mês de funcionamento foi prestigiado por estrelas como as atrizes Cleo Pires e Fernanda Paes Leme, a cantora Anitta, os artistas plásticos da dupla osgemeos e o apresentador André Marques.

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Bruno Gagliasso: aposta no burger joint, nos Jardins (Foto: Raphael Castello)

Não, eles não receberam cachê para dar um pulo na primeira filial brasileira da descolada lanchonete americana. Todos foram a convite de outra celebridade, o global Bruno Gagliasso, que é sócio da casa.

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“Sou completamente viciado em hambúrguer e cliente fervoroso da rede em Nova York”, afirma. “Para trazer a marca para cá, participei de muitas reuniões acompanhadas de batata frita e milk-shake.” Ele entrou no investimento de 4 milhões de reais ao lado do +55 Group (companhia também à frente do Bistrot Bagatelle e da padaria Santo Pão) com uma fatia de 5%. A participação tem gerado bons frutos.

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Versão completa do sanduíche do burger joint: até 1200 unidades vendidas aos sábados (Foto: Ligia Skowronski)

“Começamos vendendo 400 lanches por dia e chegamos à marca de 1 200, superando inclusive a média da matriz, de 900 unidades”, comemora o empresário Gui Chueire, do +55. “A divulgação do Bruno ajudou bastante”, completa. A parceria de sucesso já tem expansãoprogramada: a nova unidade, no Shopping Top Center, na Avenida Paulista, deve levantar as portas no início da próxima semana.

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Gagliasso não é um caso isolado atrás do balcão. Não faltam por aqui exemplos de quem juntou a fome com a vontade de comer. Para os famosos, é uma oportunidadede se associar ao mercado da gastronomia, apetitoso até em época de crise. Ao mesmo tempo, as casas beneficiam-se da geração de publicidade espontânea.

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Malvino Salvador: bar chique criado por amigos (Foto: João Bertholini)

Outro galã que se envolveu nessa foi Malvino Salvador, dono de 20% do bacanudo Barê, bar-restaurante localizado na mesma região do burger joint. Natural de Manaus, o ator, que começou a vida trabalhando como manequim, chegou a São Paulo em 2001 e dividiu um apartamento com outros modelos. Na turma, estava Rodrigo Einsfeld, hoje chef e também sócio do estabelecimento. “Bastante gente me desencorajou a entrar no ramo, por ser muito competitivo e arriscado”, conta Malvino. O bonitão não deu bola para isso, e hoje comemora a ampliação dos serviços para eventos fechados.

Paris 6 - Isaac Azar
O empresário Isaac Azar, do Paris 6: pioneiro em associar artistas à gastronomia (Foto: Mario Rodrigues)

Quem primeiro percebeu o potencial da associação com as celebridades foi o empresário Isaac Azar, do Paris 6. Quando passou a convidar estrelas para batizar os pratos, viu seu negócio deslanchar. No momento de levantar a filial na mesma Rua Haddock Lobo, dois anos atrás, trouxe Marília Gabriela e Murilo Rosa, entre outros, para a formação societária.

Há também os endereços que brilham sozinhos, independentemente dos flashs. É o caso do contemporâneo Maní. A cozinha cinco-estrelas de Helena Rizzo e Daniel Redondo fala tão alto que muita gente nem sabe que a apresentadora Fernanda Lima está entre os seis proprietários. “Nunca usamos a presença dela como divulgação”, garante Giovana Baggio, à frente da administração.

Gabriela Pugliesi
Gabriela Pugliesi, na Tapiocaria Market: palpite light no menu (Foto: Divulgação)

Numa linha menos discreta estão empreendimentos como a cervejaria Karavelle, que promove feijoadas com o sócio-cantor Seu Jorge, e a Tapiocaria Market, aberta em 2014 no Shopping Cidade Jardim e amplamente exibida por Gabriela Pugliesi. “Eu procurava investir em alimentação saudável, e ela, que já era nossa amiga, ajudoua pensar o cardápio com a tapioca como carro-chefe”, lembra a empresária Camila Stonis, uma das parceiras da musa fitness na empreitada. Hoje, elas somam unidades nos shoppings Market Place e JK Iguatemi e planejam mais duas lojas para este ano, além da abertura de franquias.

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Entre holofotes e panelas, porém, às vezes a combinação desanda. Foi o que aconteceu com o MoDi. Amigos de viajar juntos e dividir taças de vinho, o chef Diogo Silveira e o ator Eduardo Estrela decidiram apostar em comida italiana a preços razoáveis. Inaugurado em 2014, o endereço agradou em cheio ao público — e foi justamente a projeção alcançada pelo negócio que fez Estrela deixar a sociedade, um ano depois. “Eu não era um investidor. Topei participar para pôr a mão na massa”, lembra. “Logo no ano de abertura, porém, entrei em cartaz no Rio de Janeiro.” Não deu para ficar no meio do caminho.

MoDi - empório no Shopping Pátio Higienópolis
O empório do MoDi: entre os fundadores, o ator Eduardo Estrela deixou a sociedade (Foto: Mauro Holanda)

“Eu achava que podia conciliar o trabalho no palco com o restaurante, mas não dá, são dois sacerdócios”, completa. Seu ex-sócio concorda. “Trabalhar aqui é muito puxado: dois turnos, doze horas por dia”, diz Silveira. Além da matriz, ele cuida também da nova filial, no Shopping Pátio Higienópolis, e do bar-restaurante Lambe-Lambe.

Outros nomes por trás de endereços concorridos na Grande São Paulo

  • Marília Gabriela: faz parte do time do Paris 6 Vaudeville, do empresário Isaac Azar, conhecido por usar o nome de artistas para batizar pratos.
  • Seu Jorge: é o garoto propaganda da cervejaria Karavelle e costuma dar palinhas de suas músicas nas unidades nos Jardins e no Itaim.
  • Marcos e Belutti: Os sertanejos do hit Aquele 1% associaram-se à casa de carnes Estação Leopoldina Parrilla, em São Bernardo do Campo.
  • Fernanda Lima: Integra o sexteto por trás do contemporâneo Maní e seus novos braços, o Manioca e a Padoca do Maní, todos sucesso de público.

Fonte: VEJA SÃO PAULO