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Famiglia Mancini reabre no próximo domingo (15) após reforma

Entre as mesas de madeira e toalhas quadriculadas, brilha agora uma fonte de 1,80 metro de diâmetro por 2,10 metros de altura

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O restaurateur Walter Mancini é um apaixonado por fontes desde criança. Não por acaso, duas delas adornam a Rua Avanhandava, no centro, onde estão localizadas as sete unidades de seu grupo. Agora, o objeto de fixação do empresário estará também no mais antigo de seus restaurantes. Um símbolo da cidade, a cantina Famiglia Mancini reabre no próximo domingo (15) depois de ter permanecido em reforma desde fevereiro. Entre as mesas de madeira e toalhas quadriculadas, brilha agora uma fonte de 1,80 metro de diâmetro por 2,10 metros de altura.

“Mais do que comida, vendo momentos felizes, e preciso ter um espaço compatível”, diz Mancini. Aos trinta anos, a casa volta rejuvenescida. Para o salão, ele garimpou objetos de decoração em antiquários e nas feiras do Bixiga e da Praça Benedito Calixto. O pé-direito baixo de uma das quatro salas, antes renegada pelos clientes, passou de 2,10 metros para 6 metros. “Vai se tornar o ponto mais concorrido”, aposta o proprietário.

Máscaras carnavalescas italianas, quadros, espelhos, fotografias e tijolos de demolição compõem o ambiente. Muitos itens à mostra foram guardados por Mancini durante anos. É o caso de uma vasilha de lavar arroz, feita de latão. “Pertenceu à minha mãe”, conta. Se não faltou atenção aos detalhes no salão, a transformação dos bastidores mostra-se ainda mais expressiva. Totalmente repaginada, a cozinha foi planejada pela Macom, empresa responsável por fornecer equipamentos industriais a muitos restaurantes paulistanos.

A pedido da equipe, o forno de mais de vinte anos permaneceu. Porém, remodelado, e, ainda assim, só ele. A estrela do espaço é a nova mesa de distribuição de produtos, com 6 metros de comprimento, confeccionada a partir de uma única chapa de alumínio. Trinta gavetas refrigeradas a diferentes temperaturas guardam carnes e massas, facilitando a dinâmica do trabalho. No subsolo, há quatro câmaras frias tinindo de novas para armazenar alimentos.

Pelas contas de Mancini, a cantina recebia 20 000 clientes por mês — o que significa seis pratos servidos por minuto nos horários de pico durante o jantar. Um dos mais pedidos era o filé à parmigiana, um bife empanado ao molho de tomate gratinado sob uma generosa camada de mussarela e parmesão. Outro sucesso, a caprichada mesa de antepastos tem suas atrações dispostas agora num balcão de mármore espanhol. O cardápio não exibe apenas velhas e conhecidas receitas. Algumas novidades, a exemplo do risoto de bacalhau, poderão ser apreciadas. Embora não seja a melhor cantina da cidade, a Famiglia Mancini soube cativar e manter o público fiel com suas massas generosas, bem cozidas e repletas de molho.

Mais que um restaurante, a casa é um ponto turístico paulistano. Diariamente, uma multidão aglomerava-se em sua porta. Quem não chegava cedo permanecia entre trinta minutos e duas horas na fila antes de ocupar um de seus 180 lugares.

Essa história de sucesso se iniciou alguns meses após a inauguração, em maio de 1980. Só ao longo da última década, no entanto, Mancini construiu um pequeno império na Avanhandava: é dono também do refinado Walter Mancini Ristorante, da Pizzaria Famiglia Mancini, do piano-bar Camarim 37, da loja Calligraphia e do bar Central 22. Ainda em agosto, começa a funcionar no número 30 da mesma rua o bar Madrepérola, especializado em frutos do mar.

Pintor e corredor nas horas vagas, Mancini não cansa de se reinventar. Recentemente, descobriu-se poeta. Da ocasião da reabertura do Famiglia Mancini até o fim do ano, um texto seu será colocado sobre as mesas para recepcionar a clientela. Numa época de internet e comunicação rápida, os fregueses continuarão a receber os postais com fotos ou desenhos do restaurante. Ao serem preenchidos, Mancini os remeterá para qualquer parte do planeta, bancando a postagem. Um artifício de marketing à primeira vista antiquado, mas que continua irresistível e só faz aumentar o mailing do empresário, no qual há mais de 120 000 cadastrados. Boa parte deles sempre acaba voltando.

Números mensais de sucesso

20 000 clientes, no mínimo, visitam a casa

4 000 garrafas de vinho consumidas

6 000 quilos de tomate utilizados na fabricação de molhos

1 000 quilos de camarão para o preparo de pratos como o fettuccine com frutos do mar, um dos mais pedidos, que leva doze unidades do crustáceo e serve até três pessoas

Fonte: VEJA SÃO PAULO