Bebidas

Fabricantes de cerveja premium se multiplicam ao redor da capital

Nos últimos anos, sete marcas interessantes surgiram num raio de 200 quilômetros de São Paulo

Por: Mariana Barros - Atualizado em

Cervejas premium - Alexandre Bazzo
Alexandre Bazzo, da Bamberg: crescimento de 30% ao ano (Foto: Lucas Lima)

Aos poucos, São Paulo está virando um novo polo de fabricação de boas cervejas premium. Nos últimos anos, sete marcas interessantes surgiram num raio de 200 quilômetros da capital.

Cervejas premium - Renato Bazzo
Renato Bazzo, da Dama Bier: Q.G. em Piracicaba (Foto: Lucas Lima)

De Piracicaba, a Dama Bier faz uma boa versão da India Pale Ale. O negócio começou em 2010, com uma produção de 20.000 litros. “Hoje, esse número triplicou”, comemora o dono, Renato Bazzo, que planeja para este mês o lançamento de um rótulo inspirado nas encorpadas inglesas. Em Piracicaba nasceu também a Leuven, cuja joia da coroa é a Dubbel, que leva três meses para ficar pronta e segue uma receita criada por monges belgas. “Comecei a mexer com isso há vinte anos, de farra, apenas para fazer alguns testes e degustar o resultado com amigos”, conta o fundador, Alexandre Godoy. Após voltar de um curso na Escócia, ele decidiu dedicar-se seriamente ao ramo.

+ Onde beber e comprar boas cervejas nacionais

A Bamberg, sediada em Votorantim, registra aumento de 30% na produção ano a ano. A exemplo de outras concorrentes, a companhia permite que os consumidores façam um tour por suas instalações. “A visita inclui degustação de cinco tipos de cerveja”, explica o proprietário Alexandre Bazzo, que é primo de Renato Bazzo, da Dama Bier.

Cervejas premium - Godoy
Godoy, da Leuven: o negócio começou de uma brincadeira (Foto: Lucas Lima)

Outros parentes tocam a Burgman, em Sorocaba. Esses e outros rótulos podem ser encontrados em São Paulo em endereços como o Empório Alto de Pinheiros e o bar Aconchego Carioca, nos Jardins.

A multiplicação dos empreendimentos ocorreu graças à ajuda da tecnologia. “O tratamento da água ficou mais fácil”, diz André Cancegliero, organizador da feira Beer Experience. “Ninguém mais depende de uma boa fonte natural para produzir bons rótulos, como ocorria há trinta anos.”

O surgimento de marcas paulistanas é bem mais complicado por causa de uma barreira legal. Desde a década de 70, a Cetesb dificulta a instalação de cervejarias na capital. Uma das justificativas é o grande volume de água descartado no processo de fabricação, que sobrecarregaria o sistema de escoamento da cidade.

box-marcas
(Foto: Renata Aguiar)

Fonte: VEJA SÃO PAULO