Gastronomia

Experiências que combinam comida e entretenimento se popularizam

Seja a céu aberto, no escuro ou com cardápio-surpresa, a tendência é ousar à mesa

Por: Saulo Yassuda

Almoço ar livre leo botto
Almoço em Bragança Paulista: com o chef Leo Botto (Foto: Diro Blasco & Analu)

Vendado, o cliente recebe em sua frente um prato. Sem nenhuma dica do garçom, abaixa o nariz para farejar pistas. Não há garfos nem facas disponíveis na mesa. Resta usar as mãos paratatear o produto antes de finalmente dar nele uma mordida — e descobrir que é um hambúrguer, por exemplo. No Jantar no Escuro, a graça não está necessariamente nas receitas, que podem ser triviais, mas na maneira de apresentá-las, quase como se fossem uma atração de show.

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Idealizado por três psicólogas e uma terapeuta corporal, o projeto começou tímido, há oito anos, até se tornar quinzenal nos últimos tempos. A próxima edição está marcada para quarta (14) no tradicional francês La Casserole, no centro. Pela brincadeira, cada participante vai pagar 270 reais, mais do que os 150 reais que costumam ser cobrados por um jantar sem vinho por lá.

De olho no potencial desse mercado culinário paralelo, a empresária Priscila Sabará criou o site Foodpass. Trata-se de uma espécie de portal que agrupa serviços do tipo. Quando ele entrou no ar, no fim de 2012, eram comercializados tíquetes para dois projetos. Hoje, são mais de trinta por mês. “Percebi que faltava uma ferramenta que unisse esses eventos”, diz Priscila. O negócio vingou e já levou 17 000 pessoas para 3 000 reuniões. No primeiro semestre deste ano, a empresa faturou 2 milhões de reais, quase o dobro do montante de todo o ano de 2015.

Jantar no escuro
O evento quinzenal Jantar no Escuro: todos os comensais ficam de olhos vendados (Foto: Emiliano Capozoli)

Uma das novidades do cardápio do site é o Encontros com Helô. Em cada sessão, apenas doze pessoas têm a chance de ver em ação a chef Heloisa Bacellar, do Lá da Venda, casa decomidinhas brasileiras na Vila Madalena. Durante a performance, ela prepara receitas como ensopado de cordeiro com berinjela em sua casa, no Pacaembu. Custa 200 reais por cabeça. 

Também vendido pela plataforma, o Expedições ao Leo tem à frente o chef Leo Botto. Em alguns sábados, ele leva grupos a fazendas e hortas como a da Casa Pinheiral, em Bragança Paulista, a 90 quilômetros da capital. O local produz orgânicos. Depois de tomar um café da manhã, os convidados caminham pelas plantações e almoçam ao ar livre. Com transporte, o passeio pode chegar a 355 reais.

Encontros com Helô - Helo Bacellar
Heloisa Bacellar: degustações para grupos pequenos em sua casa (Foto: Lucas Terribili)

Mas não é só o Foodpass que comercializa os eventos. A reserva para o Gastronômade Brasil, por exemplo, é feita na própria página da empresa. No dia 25, a chef Tássia Magalhães, do Pomodori, italiano do Itaim, será a anfitriã de um almoço na Fazenda 7 Lagoas, em Santa Isabel, a cerca de 50 quilômetros da capital. “De uma só vez, o cara come, escuta música, vê uma especialista...”, descreve o chef Raphael Despirite, do Marcel, nos Jardins.

Fora do expediente no endereço, ele cuida do Fechado para Jantar. O negócio começou no fim de 2012 e promove banquetes em locais inusitados. Os clientes, que pagam a partir de 200 reais por evento, já degustaram o menu em um velho casarão na Rua Guaianases, em Campos Elíseos e nos corredores do colégio Dante Alighieri, nos Jardins.

Fechado para Jantar - Raphael Despirite
Casarão no centro: um dos cenários do Fechado para Jantar, do chef Raphael Despirite (Foto: Thiago Almeida)

Jantar no Escuro. Quarta (14), às 20h. Ingressos: 270 reais. www.atelienoescuro.com.br.

Encontros com Helô. Quinta (15), às 20h. Ingressos: 200 reais. www.foodpass.com.br.

Expedições ao Leo. Em outubro. Ingressos pelo site www.foodpass.com.br.

Gastronômade Brasil. Domingo (25), às 13h. Ingressos: 315 reais. www.gastronomadebrasil.com.

Fechado para Jantar. Em outubro. Ingressos pelo site www.sabiar.com.

Fonte: VEJA SÃO PAULO