Política

Ex-zelador de tríplex que seria de Lula é candidato a vereador

Peça importante durante as investigações sobre o tríplex que seria do ex-presidente Lula, em Santos, José Afonso agora entra para a política

Por: Estadão Conteúdo - Atualizado em

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Ex-zelador do tríplex foi demitido do condomínio Solaris após prestar depoimento sobre família de Lula, em abril (Foto: Reprodução / Google Street View)

Com um terreno declarado de 13 200 reais e filiado a um partido suspeito de desviar 358 milhões de reais da Petrobras, o PP, o ex-zelador José Afonso Pinheiro lançou sua candidatura a vereador em Santos, no litoral paulista.

Ele ficou famoso após depor contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria um tríplex no edifício Solaris, onde trabalhava, no Guarujá. Após o depoimento, em abril, Pinheiro foi  demitido do cargo.

No seu registro de candidatura, o nome na urna faz referência ao apartamento que ficou famoso em todo o país com os avanços da investigação da Operação Lava-Jato e do Ministério Público de São Paulo: "Afonso zelador do tríplex".

Pinheiro depôs no dia 23 de outubro de 2015 no Ministério Público de São Paulo, que apurava um esquema de desvio de dinheiro nas obras da Bancoop - cooperativa dos bancários de São Paulo responsável pelo empreendimento no Guarujá até 2009.

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O ex-zelador disse aos promotores Cássio Conserino, Fernando Henrique Araujo e José Carlos Blat, na época, que a ex-primeira-dama Marisa Letícia, mulher de Lula, chegou a frequentar o espaço comum do edifício indagando sobre o salão de festa, piscina e áreas comuns. Segundo o zelador, os familiares do ex-presidente chegavam com um Passat preto e um carro prata, e com um corpo de seguranças."Três ou quatro", afirmou ele, em depoimento.

Ele não soube dizer se o tríplex esteve à venda, mas afirmou que a unidade, "diferentemente de outras, nunca foi visitada por qualquer pessoa acompanhada de corretor ou corretora de imóveis".

A investigação deu origem a uma denúncia da promotoria contra o ex-presidente e seus familiares, que alegam ter adquirido uma cota do empreendimento e vendido depois, sem nunca ter residido no edifício.

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A investigação do caso foi encaminhada, posteriormente, ao juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, por envolver reformas da empreiteira OAS, envolvida no esquema de corrupção na Petrobras, no apartamento atribuído ao petista.

Agora, o ex-zelador de um dos edifícios mais polêmicos do Brasil passa a disputar um cargo político no litoral paulista pelo PP, partido que, como revelou a Lava-Jato, era o responsável por lotear a Diretoria de Serviços da Petrobras cobrando propinas por meio do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa (hoje, delator) e do doleiro Alberto Youssef.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, o PP teria desviado R$ 357,9 milhões dos cofres públicos da estatal entre 2006 e 2014 - 161 atos de corrupção em 34 contratos, 123 aditivos contratuais e quatro transações extrajudiciais.

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Seu registro de candidatura ainda aguarda para ser aprovado pela Justiça Eleitoral. Além do PP, sua coligação é composta por PSC e PEN.

Fonte: Estadão Conteúdo