Educação

Estudantes da USP decidem manter greve e ocupação da reitoria

Reintegração de posse do prédio, tomado desde 1º de outubro, pode acontecer a qualquer momento

Por: Nataly Costa - Atualizado em

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Alunos discutem o fim da greve e da ocupação da reitoria da USP (Foto: Nataly Costa / Veja São Paulo)

Reunidos em assembleia na noite desta quarta-feira (6), mais de 1 300 estudantes da USP decidiram manter a greve e a ocupação do prédio da reitoria, tomado desde 1º de outubro, mesmo após decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que determina a reintegração de posse da sede administrativa. A manutenção da greve foi aprovada por 747 votos, ante 562 votos contrários. Nesta quinta-feira (7), uma nova reunião está marcada para discutir os rumos da ocupação. 

Como está autorizada judicialmente, a Tropa de Choque da PM pode fazer a reintegração de posse a qualquer momento. Os alunos chegaram a considerar migrar a ocupação para o prédio da nova reitoria  - o que eles estão é a antiga sede, de onde o reitor não despacha mais -, mas não chegaram a um consenso. 

Depois de negar em primeira instância, a Justiça determinou no último dia 4  a retomada da reitoria. A justificativa foi que o prédio sofreu depredação e haveria até a presença de 'black blocs' na ocupação. Os alunos permanecem no local mesmo sem água e sem energia. A decisão do desembargador Xavier de Aquino contraria o prazo estipulado anteriormente pelo também desembargador José Luiz Germano, que estabelecia 60 dias para que ambas as partes, reitoria e Diretório Central dos Estudantes (DCE), chegassem a um acordo.

A greve estudantil e invasão a reitoria da universidade acontece desde 1º de outubro. O estopim foi uma reunião do Conselho Universitário que decidiu continuar com eleições indiretas para os cargos de reitor e vice-reitor. Os alunos pedem a anulação da reunião e eleições diretas. A votação para definir o substituto de João Grandino Rodas - escolhido pelo então governador José Serra em 2009 - deve acontecer ainda este ano. O mandato de Rodas termina em janeiro de 2014.

Discussão

Marcada para as 18 horas, a assembleia que discutiu a permanência dos alunos da USP na reitoria começou por volta das 19h30. Uma enorme fila se formou com estudantes de todos os cursos, que deveriam se inscrever para pedir a palavra à mesa que comandava o plenário. A cada minuto, porém, questões de ordem diversas eram levantadas, e os 30 segundos concedidos para que cada um expusesse sua opinião se transformavam em minutos. Cada colocação era seguida por aplausos ou vaias, e o debate se alongava.

As primeiras duas horas de discussão tratou de problemas alheios à pauta principal - a primeira votação foi sobre o uso ou não de um projetor com as transcrições do que estava sendo falado pelos alunos à mesa. Vários grupos eram contra por achar que o microfone fosse suficiente e o debate já começou acalorado. 

"Agora o Caio da Filô, depois a Sofia das Cênicas e o Evandro de Lorena", anunciava Pedro Serrano, do Diretório Central dos Estudantes (DCE), à frente do plenário. Houve muita crítica a atual gestão do DCE, classificada como "entreguista" por propor um acordo com a reitoria. Entre discussões sobre o funcionamento do bandeijão e a adesão desse ou daquele curso à greve estudantil, a assembleia durou quatro horas e meia. 

Às 23 horas, quando tudo finalmente caminhava para o tema greve, houve uma votação para discutir como seria votação. Como a eleição não pôde ser feita por contraste (o maior número de mãos levantadas), houve contagem de votos um a um. Perto da meia-noite, alguns alunos não aceitaram o fim da assembleia e houve uma nova votação para discutir se a sessão se estenderia pela madrugada. 

 

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Estudantes favoráveis à greve brincam com cartaz escrito "camarote" durante assembleia na USP (Foto: Nataly Costa / Veja São Paulo)

Reintegração de posse

No dia 19 de outubro, o prédio da administração do campus da USP Leste, na Zona Leste, tomado por cerca de 60 estudantes, foi desocupado durante uma ação da Polícia Militar em parceria com um oficial de justiça. A desocupação, pacífica, ocorreu por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que apontou a depredação do prédio e a participação de "baderneiros" na ocupação para justificar o mandado de segurança.

Há dois anos, um grupo invadiu a reitoria em protesto contra a presença da Polícia Militar no campus. Eles foram retirados por 400 homens da Tropa de Choque após um mandado judicial de reintegração de posse. Setenta e dois deles foram indiciados pelo Ministério Público por formação de quadrilha, dano ao patrimônio público e crime ambiental, entre outros.

 

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Fonte: VEJA SÃO PAULO