Cinema

Novo 'Frankenstein' e terror do diretor Shyamalan são os destaques

Livro de Mary Shelley ganha releitura e realizador de O Sexto Sentido volta com A Visita 

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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Três lançamentos dividem o circuito, ainda dominado por 007 contra Spectre e o último Jogos Vorazes. Embora promissores, American Ultra, A Visita e Victor Frankenstein não cumprem o prometido, são medianos e receberam duas estrelas. 

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Há melhores atrações nas telas. A principal delas é a volta em cópia restaurada do clássico Morangos Silvestres. Também em um número menor de salas, o drama paulistano Ausência confirma a sensibilidade do diretor Chico Teixeira (A Casa de Alice) e o documentário Iván traz a comovente história de um refugiado ucraniano de volta ao país natal, após 68 anos.  

  • Projeto X, de 2012, é, além de deliciosamente exagerado, um dos mais vibrantes retratos da juventude atual. O mesmo diretor, o inglês Nima Nourizadeh, tenta repetir a façanha em American Ultra — Armados e Alucinados, mas não consegue atingir o ponto certo do cozimento. Absurdos e violência abusiva também se unem na trajetória de Mike (Jesse Eisenberg). Esse jovem de uma modorrenta cidade americana se divide entre o trabalho numa loja de conveniência (sempre às moscas) e o namoro com Phoebe (Kristen Stewart). O casal curte fumar maconha e sonha em viajar para o Havaí. Mas há um problema: frágil e inseguro, Mike tem crises de pânico. Tudo muda quando, ao reagir a uma tentativa de assassinato, o rapaz descobre força e habilidades além do normal. Vem, então, a revelação. Mike é fruto de uma experiência da CIA e está sendo caçado pelo agente Adrian Yates (Topher Grace). Há certa originalidade no enredo e cenas de ação bem comandadas em uma narrativa trôpega. O problema maior, porém, reside na oscilação do humor. Trata-se, é óbvio, de uma comédia, mas atores como Kristen Stewart e Topher Grace pensam estar num filme sério. Só o versátil Jesse Eisenberg, de A Rede Social e Zumbilândia, embarcou na brincadeira. Estreou em 26/11/2015.
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  • Misto de documentário e ficção, o drama é ambientado entre 2012 e 2013, após Raul Castro autorizar os cubanos a sair do país. Entre os jovens em busca de novas perspectivas está Cintia, que pensa em viver com o namorado nos Estados Unidos. Estreou em 26/11/2015.
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  • Assim como em A Casa de Alice (2007), o realizador Chico Teixeira, carioca radicado em São Paulo, tece uma delicada crônica sobre uma família de classe média baixa em seu novo filme. O protagonista, agora, é o paulistano Serginho (Matheus Fagundes), um rapaz de 15 anos que vira, prematuramente, “o homem da casa”. O pai abandonou sua mãe (Gilda Nomacce) e seu irmão mais novo. Para garantir parte do sustento, ele vende verduras na barraca do tio nas feiras. Tem um único amigo e uma atração por uma jovem japonesa. Seja por uma relação paterna, seja por uma paixão platônica de adolescente, Serginho começa a se aproximar de Ney (Irandhir Santos), um professor solitário mas com as rédeas da própria vida. Diretor e roteirista premiado no Festival de Gramado, Teixeira sabe ser hábil para expor confitos íntimos usando a sutileza e abrindo mão de questões polêmicas. Segue, assim, a linha de seu trabalho anterior: simples, enxuto, sensível e eficiente. Estreou em 26/11/2015.
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  • Na visão do diretor Miguel Faria Jr., Chico Buarque revisa a própria história do ponto de vista da maturidade. O documentário traz imagens de arquivo, depoimentos e canções nas vozes de Ney Matogrosso (As Vitrines) e Milton Nascimento (Sobre Todas as Coisas). Estreou em 26/11/2015.
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  • Documentário

    Ídolo
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    Nilton Santos (1925-2013) é o tema do documentário. Adorado jogador do Botafogo por dezesseis anos, o lateral-esquerdo foi bicampeão mundial pela seleção brasileira, em 1958 e 1962. O roteiro se divide em dois tempos: mostra o passado de Nilton nos gramados (com várias imagens de arquivo) e seu (então) presente quando tratava dos efeitos do Alzheimer numa clínica do Rio de Janeiro. Há depoimentos de craques como Zico, Zagallo, Carlos Alberto Torres e Djalma Santos. O registro se mostra eficiente em sua proposta de satisfazer os fãs e também de expor a triste derrota do ídolo para a doença. Estreou em 26/11/2015.
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  • Documentário

    Iván
    VejaSP
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    O diretor paranaense Guto Pasko teve uma pequena grande ideia: acompanhar a viagem de um senhor, então com 91 anos, do Brasil à sua Ucrânia natal. Detalhe: Iván Bojko deixou seu país quase sete décadas atrás e nunca mais regressou. O documentário Iván já começa emocionante. Fabricante artesanal da bandura, típico instrumento ucraniano, Iván recebe a passagem aérea em frente à câmera e não contém as lágrimas. A partir daí, o realizador faz uma rápida retrospectiva de sua vida. Durante a II Guerra, ele foi enviado pelos nazistas para um campo de trabalhos forçados na Alemanha e, em 1948, imigrou para o Brasil. O regresso de Iván, em 2010, vai de Frankfurt a Kiev, capital da Ucrânia, até chegar às aldeias por onde passou sua infância e juventude. Lá, é recebido pelos sobrinhos, por velhos amigos e vizinhos. É difícil para Iván não se comover com a homenagem. A cereja do bolo fica para o final, quando ele revê, 68 anos depois, a irmã. Com alguns cortes na edição, o trabalho ficaria melhor. São dispensáveis, por exemplo, a visita à fábrica de banduras e as longas apresentações musicais. Estreou em 26/11/2015.
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  • Um clássico é um filme que continua fresco e impactante mesmo com o passar do tempo. De 1957, Morangos Silvestres retorna às telas em ótima cópia restaurada e faz parte dos longas-metragens sem validade vencida. A deslumbrante fotografia em preto e branco emoldura o acerto de contas com o passado do professor e médico Isak Borg (Victor Sjöström). Aos 78 anos, ele sai de Estocolmo para receber uma homenagem, em Lund, pelo cinquentenário de sua carreira. A nora (Ingrid Thulin) o acompanha na viagem de carro. O diretor Ingmar Bergman mistura sonho e realidade, juventude e velhice, alegrias e dissabores em sua reflexão existencial. A prima Sara (Bibi Andersson), assim como outros parentes, ressurge nas amargas lembranças. Ao longo do caminho, o motorista dá carona a um trio de viajantes e também a um casal de meia-idade em crise. Reencontra a mãe e tem uma visão da mulher morta. Dos flashbacks, nascem os questionamentos da vida presente. Com quase seis décadas, a obra-prima ainda se mantém conservada em formol — não só pelo roteiro incisivo, mas também pela realização irradiante. Reestreou em 26/11/2015.
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  • É possível enxergar um drama espírita na história do longa-metragem do diretor japonês. Mas, ao contrário das tramas americanas e brasileiras, a estranheza marca presença constante. O foco está em Mizuki (Eri Fukatsu), que perdeu o marido há três anos. Para tirá-la do luto, Yusuke (Tadanobu Asano) ressurge e convida a esposa a partir para uma viagem. Entram em cena personagens como o dono de um distribuidora de jornais e uma garota que amava Yusuke. São personagens que podem estar vivos ou mortos. Em realização arrastada, Kiyoshi Kurosawa (nenhum parentesco com o mestre Akira Kurosawa) tem uma sensibilidade latente para tratar a dor da perda. Contudo, entre momentos sublimes, paira um tédio irremediável. Estreou em 26/11/2015.
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  • No drama com toques de humor, Paul Dédalus (Mathieu Amalric), vindo do Tajiquistão, volta a Paris após oito anos e é barrado na imigração do aeroporto. Para esclarecer o motivo de ter um homônimo russo, Dédalus relembra sua infância e juventude. O primeiro (e ligeiro) episódio enfoca sua relação tempestuosa com a mãe. No segundo (com lances de suspense), ele mais um amigo participaram de uma missão secreta na então União Soviética. A sequência dá boa arrancada com o jovem Paul, de 19 anos, às voltas com os amigos, os estudos em antropologia e a paixão por Esther (Lou Roy-Lecollinet). Nem mesmo o carisma do estreante Quentin Dolmaire, no papel do protagonista, consegue driblar o marasmo desta terceira fase. Estreou em 26/11/2015.
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  • Terror / Aventura

    Victor Frankenstein
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    Há um ponto de partida diferenciado em Victor Frankenstein que o distancia do livro escrito, em 1818, por Mary Shelley (1797-1851). A perspectiva aqui é a do assistente do cientista, um corcunda de circo, interpretado por Daniel Radcliffe. Em Londres, o intrépido Victor Frankenstein (James McAvoy) enxerga habilidades médicas na “criatura” circense e, como um herói, o resgata de patrões tiranos. A retirada de um edema nas costas, um banho demorado e roupas limpas dão ao rapaz uma imagem de normalidade e um novo nome, Igor. Assim, o doutor e seu ajudante passam a fazer experiências macabras. A primeira delas consiste em reunir pedaços de animais mortos para dar vida a algo, no mínimo, monstruoso. Frankenstein, porém, não está livre de punição e é vigiado pelo inspetor policial Turpin (Andrew Scott). O jovem roteirista Max Landis, de 30 anos, também escreveu a trama de American Ultra, outra estreia da semana. Embora ele acrescente ao enredo Igor, um personagem interessante e inexistente no romance da escritora, as soluções encontradas caem na mesmice. Outra falha está na concepção visual do monstro (sim, ele surge nos minutos finais), que mais parece um boneco de cera raivoso. Estreou em 26/11/2015.
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  • M. Night Shyamalan ficou famoso pelo ainda notável O Sexto Sentido (1999) e, de lá para cá, só foi descendo a ladeira — vide seus dois filmes anteriores, os desastrosos O Último Mestre do Ar e Depois da Terra. O novo A Visita não vai reabilitar a carreira do cineasta, mas tem lá suas qualidades. Como se prestasse uma homenagem (intencional ou não) às fitas de terror dos anos 70, Shyamalan usa clichês e prega alguns sustos na plateia ao narrar a trajetória de dois irmãos adolescentes. Becca (Olivia DeJonge) e Tyler (Ed Oxenbould) vão, finalmente, conhecer os avós. Eles são pais de sua mãe (Kathryn Hahn), que os deixou ainda jovem para se casar e nunca mais os viu. Durante a estada, os visitantes notam comportamentos estranhos. O avô (Peter McRobbie) guarda fraldas geriátricas sujas num galpão e a avó (Deanna Dunagan) anda nua pela casa na madrugada. Até mesmo a conclusão é lugar-comum e, nem por isso, deixa de surpreender. O problema maior, porém, está na realização. Shyamalan se acha descobridor da pólvora e filma como se fosse um documentário executado pela personagem de Becca. Ou seja: as tomadas são, em sua maioria, feitas com uma nervosa câmera na mão. Ao deixar de lado a fantasia para apostar num suposto registro real, o diretor esvazia o medo em nome de uma fórmula cinematográfica para lá de desgastada. Estreou em 26/11/2015.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO