Cinema

'Convergente' é a principal estreia da semana

Continuação de Divergente é a primeira parte do desfecho da série 

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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Se você está acompanhando a cinessérie Divergente, vale o aviso: o desfecho mesmo só ocorre em 2017, com o lançamento de Ascendente, já que o último livro da trilogia foi dividido em dois filmes. A boa notícia: este terceiro longa-metragem é melhor do que o anterior.

Para quem não está nem aí para a saga futurista, há programas mais atraentes. O Presidente, dirigido pelo iraniano Mohsen Makhmalbaf, é um drama bastante atual sobre a queda de um ditador em um país fictício em convulsão. Também se destaca o thriller com toques de terror Boa Noite, Mamãe, uma surpresa (em todos os sentidos) vinda da Áustria. 

Os fãs de Wim Wenders podem arriscar Tudo Vai Ficar Bem, estrelado por James Franco e Charlotte Gainsbourg, embora seja um filme menor na consagrada carreira do diretor alemão. 

  • Também atriz, Brigitte Sy escreve roteiros e dirige e, aqui, adapta o livro autobiográfico homônimo de Albertine Sarrazin. Astrágalo (ou tálus) é um osso do pé, que a protagonista, interpretada por Leïla Bekhti, quebra ao pular o muro de uma prisão, em 1957. Socorrida por Julien (Reda Kateb), Albertine passa a morar na casa da amante dele e, sob disfarce, começa a fazer a vida na prostituição tempos depois. Uma história de altos e baixos encontra uma narrativa confusa, conduzida friamente. A diretora é mãe do galã Louis Garrel, que faz uma ponta como um fotógrafo em Paris. Estreou em 10/3/2016.
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  • Terror / Suspense

    Boa Noite, Mamãe!
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    Elias e Lukas (papéis de Elias e Lukas Schwarz) têm 10 anos, são gêmeos e não vivem um sem o outro. Brincam, fazem as refeições juntos e, em férias, moram no campo, próximo a Viena. Certo dia, a mãe deles (Susanne Wuest) chega à casa após uma temporada fora. Ela tem o rosto tomado por hematomas e forrado de ataduras. Pede aos filhos que a deixem repousar e que façam silêncio absoluto. Aos poucos, seu comportamento muda de forma radical. Ela vira uma mulher muito severa, emocionalmente descontrolada, impõe regras e trata Elias e Lukas sem carinho nem afeição. A princípio, eles reagem à frieza com estranhamento. Mas não demora para que eles deem o troco. Os meninos começam a desafiar a mãe, pregar-lhe sustos e, sobretudo, pôr para fora uma maldade até então desconhecida. A mãe, com o passar do tempo, fica mais assustada. E eles, inconformados, acreditam não se tratar da mesma pessoa com quem conviviam antes. Muito interessante e curiosa a indicação da Áustria ao Oscar de melhor filme estrangeiro (infelizmente, ela ficou fora da disputa). Em clima de suspense e terror, que escapa com classe às apelações dos gêneros, a trama tem desenrolar com reviravoltas, tensão constante e, melhor ainda, um desfecho nada previsível. Preste muita atenção às cenas com os moleques porque, acredite, dará vontade de revê-las nos créditos finais. Estreou em 10/3/2016.
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  • Ficção científica

    Convergente
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    Virou moda. Assim como em Crepúsculo e Jogos Vorazes, o último capítulo da cinessérie Divergente, inspirada na trilogia de livros de Veronica Roth, foi dividido em duas partes. Convergente estreia agora e o fim da história, chamado Ascendente, ficou para junho de 2017. Trata-se, portanto, de mais um miolo da trama, típica sequência para interessar aos fãs. Ao menos, ao contrário de Insurgente, de 2015, aqui há um roteiro polpudo, revelações e surpresas. No filme anterior, Tris (Shailene Woodley) e seu namorado, Quatro (Theo James), estavam prestes a sair de Chicago, destruída e dividida em facções, e pular um alto muro em busca de uma nova vida. Dito e feito. O casal foge para, finalmente, saber o que existe do lado de lá e ganha a companhia do dissimulado Peter (Miles Teller), de Christina (Zoë Kravitz) e de Caleb (Ansel Elgort), irmão de Tris. Segue a jornada rumo ao desconhecido. A sociedade distópica (muito parecida com a de Jogos Vorazes) tem jovens na linha de frente trabalhando para um senhor controlador (papel de Jeff Daniels). A ambiência do futuro ganha as cores de planeta vermelho com construções e naves espacias de modelos arrojados. Efeitos visuais ajudam a contornar uma ou outra passagem em que a narrativa cai no ponto morto. Inexpressiva (muito por causa do momento apático da personagem), Shailene Woodley abre espaço para seu parceiro, Theo James, arregaçar as mangas e bancar o herói. A conclusão? Só nos resta esperar mais de um ano para saber qual será o desfecho. Estreou em 10/3/2016.
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  • Comédia dramática

    É o Amor
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    A cena inicial da comédia dramática traz um promissor jogo de cena. À espera do marido, que chegou tarde do trabalho, Odile (Astrid Adverbe) solta o verbo e o acusa de infidelidade. O diretor da Córsega, Paul Vecchiali (de Noites Brancas no Píer), usa os mesmos diálogos e mira sua câmera primeiro no ator e, em seguida, na atriz. Outra virtude está no personagem de Pascal Cervo. Ele interpreta Daniel Tonnaire, uma revelação do cinema que amarga uma crise no relacionamento com o companheiro (Frédéric Karakozian), um ex-militar. Até aí, o roteiro dá conta de apresentar tipos para quebrar estereótipos envolvidos em situações críveis. Mas não demora para o realizador se apegar aos maneirismos, tornar seu filme entediante, seja com apresentações musicais ou com sequências descabidas do contexo. Estreou em 10/3/2016.
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  • Numa pequena cidade da Califórnia, em meados dos anos 40, Pepper Flynt Busbee (Jakob Salvati) virou vítima das chacotas de outros meninos por causa de sua baixa estatura. Seu único amigo, portanto, é seu pai (Michael Rapaport). Quando este parte para juntar-se aos aliados na II Guerra, o pequeno embarca numa maré de revolta. Consegue, porém, ser contido por um padre, que o obriga a cumprir alguns “mandamentos” a fim de resgatar a fé. A primeira missão consiste em aproximar-se do senhor Hashimoto (Cary-Hiroyuki Tagawa), maltratado pela população por causa de sua origem. Little Boy — Além do Impossível, lançamento exclusivo da rede Cinépolis, segue o filão do filme cristão e tem uma fórmula capaz de cativar quem procura entretenimento do gênero. Como pano de fundo de uma melosa (e previsível) mensagem edificante, surge um tema bem mais interessante: o preconceito dos americanos contra japoneses radicados nos Estados Unidos naquela época. Estreou em 10/3/2016.
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  • O diretor iraniano Mohsen Makhmalbaf (de A Caminho de Kandahar) diz ter se inspirado nos líderes derrubados na Primavera Árabe, no Oriente Médio e no norte da África, para fazer O Presidente. Portanto, qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. A sequência de abertura ilustra bem o poder desmedido do chefe de uma nação fictícia — as filmagens ocorreram na Geórgia. Com o pequeno neto (Dachi Orvelashvili) no colo, o velho ditador (Misha Gomiashvili) manda apagar todas as luzes da cidade. Não tarda, porém, para levar o troco, após anos de um regime que deixou o povo na miséria. Após sua família fugir do país, ele tenta voltar ao palácio, mas as ruas já estão tomadas por confrontos entre a polícia e os revolucionários. Sem saída e com a cabeça a prêmio, o presidente e o neto se disfarçam para não ser capturados. Filmando e vivendo fora do Irã, Makhmalbaf deixou seu cinema com uma cara mais, digamos, universal. Seu protagonista tem o comportamento e a postura de muitos governadores dos regimes totalitários. O realizador incita uma reflexão na tortuosa trajetória do garoto e do avô. Embora haja um olhar ingênuo para a situação (sob o ponto de vista do menino), predomina o caos da realidade em um clima tenso e pesado, muitas vezes didático. No caldeirão aceso por discussões plurais, os soldados, a população e os torturados políticos têm opiniões divergentes, e, da falta de entendimento, nasce o impasse. Assim está o mundo. Estreou em 10/3/2016.
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  • Tomas Eldan (James Franco) isolou-se da namorada (Rachel McAdams) para poder escrever seu novo livro em paz. Mas, por um revés do destino, sua vida toma outro rumo quando, acidentalmente, ele atropela um garotinho, filho caçula da ilustradora Kate (Charlotte Gainsbourg). Dois anos depois, a mãe ainda sente sequelas do drama, mas conseguiu se reerguer na companhia do primogênito (Jack Fulton). O escritor, contudo, continua em busca de uma saída para sua crise existencial. Grande diretor alemão de obras-primas como Paris, Texas (1984) e Asas do Desejo (1987), o alemão Wim Wenders adapta para o cinema um roteiro do norueguês Bjorn Olaf Johannessen. De um ponto de partida extremamente impactante, a história vai perdendo a carga emocional e se encaminhando para fazer jus ao título e ficar tudo bem. A trama atinge o clímax catorze anos depois do trágico episódio num reencontro marcante, porém gélido demais para causar comoção. Estreou em 10/3/2016.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO